Covid-19: Zeca Pagodinho é internado com sintomas leves no Rio

Zeca Pagodinho tomou as 2 doses da vacina. Rio vacina 98 mil pessoas num só dia. Variante Delta já é predominante, diz secretário de Saúde

Zeca Pagodinho, no dia em que tomou a segunda dose da vacina contra a Covid-19 (Foto: Fábio Motta/Prefeitura do Rio)

Diagnosticado com Covid-19 após receber as duas doses da vacina, Zeca Pagodinho, de 62 anos, precisou ser internado para tratamento e monitoramento da doença neste sábado (14) na Casa de Saúde São José, no Humaitá, zona sul do Rio de Janeiro. Segundo o hospital, “o paciente apresenta bom estado geral, com sintomas leves, sem necessidade de suporte de oxigênio”.

Zeca recebeu a segunda dose da vacina contra a Covid, em julho, quando cantou “Vai vacinar, vai vacinar”, parodiando o refrão de “Vai Vadiar”, um de seus maiores sucessos. Na ocasião, ele fez um apelo para que todos tomem as duas ou mais doses que sejam necessárias: “Tem que voltar. Tem que tomar a segunda, a terceira, quantas tiver. Tem que tomar por causa das crianças, dos idosos”, disse Zeca, ansioso pela volta dos shows.

O estado de saúde do cantor e compositor reforça a importância da vacinação completa para evitar o agravamento dos quadros clínicos da doença. Isso porque, conforme vários especialistas já explicaram amplamente, nenhuma vacina oferece proteção total e absoluta, mas todas reduzem o risco de infecção, hospitalização e morte, principalmente depois da segunda dose.

Na semana passada, o apresentador Sílvio Santos, de 90 anos, também chegou a ser levado ao Hospital Albert Einstein com sintomas leves de Covid-19, mas não chegou a ficar internado. Ele também havia tomado as duas doses da vacina. Já na quinta-feira (12), a morte do ator Tarcísio Meira, de 85 anos, após uma semana internado com a doença no mesmo hospital, levou uma pequena ala negacionista a voltar a atacar nas redes sociais a eficácia das vacinas, especialmente da Coronavac, inicialmente a vacina aplicada entre idosos,, numa tentativa de novamente descredibilizar o imunizante, como fizera o presidente Jair Bolsonaro inúmeras vezes.

Especialistas lembram que vacinas funcionam, mas não são infalíveis. Mesmo com a probabilidade de infecção após a vacina ser pequena, quanto mais a doença estiver circulando, maior é o risco de o imunizante falhar. Por isso a necessidade de vacinar o maior número de pessoas no menor tempo possível. É o que vem fazendo as duas maiores metrópoles do país: São Paulo e Rio de Janeiro. Somente neste fim de semana, foram mais de 600 mil doses aplicadas nas duas cidades, que bateram novos recordes de imunizados.

Rio vacina quase 100 mil pessoas em um só dia

Rio bate novo recorde de vacinação contra a Covid neste domingo (15/8) (Foto: Marcelo Piu / Prefeitura do Rio)

No Rio, 98.203 pessoas foram vacinadas neste sábado (14), encerrando de forma positiva uma semana que teve dois dias interrompidos por falta de vacinas. Foi a primeira dose dos jovens de 23 anos de idade (68.607 aplicações), além da repescagem de outras faixas etárias e também de pessoas que procuraram os postos para tomar a segunda dose (29.203).

Com isso, a cidade chega a 40,6% da população-alvo totalmente imunizada com duas doses ou dose única, enquanto em todo o país, a média é de um pouco mais de 23%. Ao todo, foram 2.005.962 segundas doses aplicadas e outras 137.848 receberam o imunizante da Janssen, que tem em dose única. São, portanto, 40,6% da população-alvo totalmente vacinadas. Em todo o Estado do Rio, 12,2 milhões já estão total ou parcialmente vacinadas.

De acordo com o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, a cobertura vacinal da população total do município com a segunda dose ou dose única é de 31,8%. Já considerando apenas a população-alvo neste momento (acima de 18 anos), a taxa chega a 40,6%, segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Até o momento, 4.448.724 pessoas já tomaram pelo menos a primeira dose (D1) de CoronaVac, AstraZeneca ou Pfizer no Rio, o que representa 86,9% da população carioca elegível para a vacina.

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Vacinação entre adolescentes começa dia 23 de agosto

Segundo Soranz, o Rio tem vacinas garantidas até terça-feira (17), aguardando novas remessas do Ministério da Saúde. Nesta segunda-feira (16) o calendário de vacinação avança, garantindo a aplicação das doses para pessoas com 22 anos. A expectativa é que na sexta-feira, sejam vacinadas pessoas com 18 anos e, já na próxima semana, a partir do da 23 de agosto, os adolescentes de 12 a 17 anos. Segundo Soranz, o MS corrigiu problemas de logística que estavam gerando atrasos e passou a realizar entrega em 24 horas. “Esperamos que esta semana possamos acelerar a vacinação”, disse ele.

Neste fim de semana, a SMS, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz – Fiocruz, vacinou 85% da população de Paquetá com a segunda dose, prosseguindo o estudo iniciado em junho para avaliar os impactos da vacinação. Segundo Soranz, exames sorológicos nos idosos que já haviam tomado o mix – Coronavac, Astrazenca, Pfizer – apresentaram redução na proteção vacinal. Por conta disso, em 14 dias, será realizada a terceira dose de reforço em pessoas acima de 60 anos na ilha.

Variante Delta já é predominante no Rio, diz Soranz

Apesar do avanço da vacinação no município do Rio, o aumento no número de casos da variante Delta preocupa. O secretário Daniel Soranz informou à Globonews na noite deste domingo (15) que amostras indicam que a cepa originária da Índia já é predominante na cidade, com aumento expressivo de número de casos, ainda não atrelado a aumento de internações nem óbitos. Na sexta-feira, o prefeito Eduardo Paes informou que a cidade já é considerada o epicentro da variante Delta.

Segundo ele, nos últimos dias foi percebido um crescimento de 10% no número de internações. “É um sinal de alerta, tivermos que reabrir novos leitos, mobilizar mais recursos pois pode haver um aumento maior nos próximos dias. Variante delta tem contaminado famílias inteiras e se dissemina muito mais rápido”, advertiu o secretário.

Somada ao inverno, período em que aumentam naturalmente os casos de síndrome respiratória aguda grave, isso fica ainda mais preocupante. “Estamos em pleno inverno, carioca não está acostumado com inverno rigoroso. Tem o período sazonal e a entrada da variante Delta”, disse o secretário. Por isso, lembra ele, é fundamental manter medidas restritivas usar máscara, manter o distanciamento social e evitar exposição desnecessária.

Apesar do avanço da variante Delta, a fiscalização ainda tem trabalho com aglomerações no Rio de Janeiro. Neste final de semana, foram identificadas duas festas realizadas clandestinamente na Zona Sul – uma no Espaço Corcovado, no Cosme Velho, com 2 mil pessoas, e outra no Jockey Club Brasileiro, na Gávea, com 600 pessoas. Os locais foram interditados e multados. Desde o início do ano, já foram 157 eventos irregulares como esses.

Paquetá terá terceira dose para idosos em 14 dias

Vacinação em Paquetá neste domingo teve segunda dose para 85% dos moradores (Foto Marcelo Piu / Prefeitura do Rio)

Com a nova etapa do projeto PaqueTá Vacinada neste domingo, o bairro carioca se torna o primeiro a ter sua população totalmente imunizada com as duas doses. O estudo tem o objetivo de analisar os efeitos da vacinação em massa, tais como a segurança do imunizante, a proteção também de pessoas não vacinadas e a eficácia a cada dose recebida.

Além da vacinação em massa, a pesquisa conta com monitoramento sorológico dos moradores. “O resultado da vacina no sangue das pessoas é que vai indicar se vamos avançar com a terceira dose na cidade, que já está prevista para os meses de outubro, novembro e dezembro. Se mostrar necessário, a partir da amostragem de Paquetá, essa dose de reforço pode ser antecipada”, explicou o secretário.

A vacinação em massa da população de Paquetá começou em 20 de junho, quando foi atingido o percentual de 96% de adultos com a primeira dose. Em 25 de julho, os adolescentes de 12 a 17 anos também receberam a primeira dose, e a adesão foi de 95%. Os adultos receberam a vacina AstraZeneca, que é produzida na Fiocruz. Já os adolescentes receberam a Pfizer, a única autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para essa faixa etária.

Antes das etapas de vacinação, mais de 2,3 mil adultos e adolescentes passaram por exames (de sangue ou teste rápido) para Covid-19. Importante etapa da pesquisa, este inquérito sorológico revelou que, antes da primeira dose da vacina ser aplicada nos voluntários do projeto, 21% das crianças e adolescentes já apresentavam anticorpos contra a covid-19 por terem sido expostos ao coronavírus e 40% dos adultos não vacinados e 90% dos já vacinados testaram positivo para a presença desses anticorpos.

Câmara de Vereadores do Rio é novo ponto de vacinação

A Secretaria Municipal de Saúde inaugura nesta segunda-feira (16), às 8h, novo ponto de vacinação (PV) para reforçar a campanha contra a covid-19, desta vez no Palácio Pedro Ernesto, sede da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro. O novo PV, que funcionará de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, se soma aos mais de 280 pontos de vacinação disponibilizados em toda a cidade.

Nesta segunda-feira, o calendário contempla as pessoas de 22 anos, preferencialmente mulheres pela manhã e homens no período da tarde. Também podem se vacinar maiores de 30 anos, pessoas com deficiência, gestantes, puérperas e lactantes. Até o final da semana, a SMS espera concluir a vacinação para o público a partir de 18 anos.

A SMS disponibiliza 280 pontos de vacinação em toda a cidade, funcionando de segunda-feira a sábado, para facilitar o acesso da população à vacina. A lista desses  pontos, seus horários de funcionamento, o calendário de vacinação e mais informações sobre grupos prioritários, documentos etc. estão disponíveis em coronavirus.rio/vacina e nas redes sociais da SMS e da Prefeitura do Rio.

Com Globonews e Prefeitura do Rio

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