Crianças na internet: 9 dicas de segurança digital na quarentena

A pandemia de Covid-19 (coronavírus) tem afetado, além da saúde de milhares de pessoas, comportamentos e hábitos. Por causa de medidas restritivas da quarentena, muita gente tem passado muito mais tempo em casa. Essa é a mesma realidade de milhões de crianças e adolescentes, que são um público que merece uma atenção especial no quesito segurança digital.

De acordo com a pesquisa TIC Kids Online Brasil, divulgada no final do ano passado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, mais de 24 milhões de crianças e adolescentes utilizam a internet no país. Esse dado indica que cerca de 86% dos menores de idade que moram no país possuem acesso à rede mundial de computadores.

Segundo um alerta da Unicef, esses menores de idade estão sob grande risco na internet nesse momento de pandemia. A entidade internacional afirma que crianças e adolescentes estão correndo risco de serem atacados por conteúdos com teor sexual, violência, intimidação on-line e bullying virtual.

Sylvia Bellio, especialista em infraestrutura de TI e CEO da it.line, empresa eleita por quatro vezes consecutivas como a maior revendedora da Dell Technologies no Brasil, pontua que é essencial que pais controlem o acesso dos filhos ao conteúdo online.

“Além do vazamento de dados e problemas com privacidade as crianças e adolescentes podem estar expostas na internet a conteúdos impróprios para a idade delas. Por causa disso, o trato com o acesso delas à internet deve ser mais cuidadoso e delicado ainda”, indica.

Ferramentas para controle parental

Sylvia afirma que uma das formas de realizar o controle e a gestão do que é acessado pelos menores de idade na internet são os softwares. Além disso, configurações específicas de sites podem fazer com que conteúdos impróprios não sejam acessados. A especialista explica sobre as ferramentas:

– Redes sociais: as redes sociais possuem sistemas específicos de proteção a menores de idade. O Facebook, por exemplo, que somente permite a criação de perfis para pessoas a partir de 14 anos, possui explicações sobre posts públicos, restringe automaticamente informações pessoais e publica avisos sobre só aceitar amizade de pessoas conhecidas. Além do próprio cuidado da rede, é essencial que exista um diálogo com a criança/adolescente sobre os limites do uso, de acordo com a Safer Net Brasil, uma associação privada que combate crimes virtuais;

– Google: no caso do Google, mais importante buscador da internet, é possível configurar o controle parental através do chamado “Safe Search”. O sistema bloqueia possíveis resultados maliciosos e de conteúdo adulto nas pesquisas. Além disso, também é possível bloquear palavras e termos específicos que remetem a conteúdos eróticos ou violentos, por exemplo;

– Sites de streaming: portais de streaming de vídeos, como YouTube e Netflix, possuem versões específicas para crianças. Através deles, são filtrados os conteúdos que aparecem para os menores de idade, sendo que vídeos com nudez ou violência, por exemplo, ficam impossibilitados de ser acessados. Além disso, os programas oferecem ferramentas de controle de tempo de acesso;

– Aplicativos: no caso de celulares e tablets, existem aplicativos que fazem o gerenciamento de funções. Os programas conseguem, por exemplo, bloquear chamadas de números não cadastrados, limitar o tempo de acesso ao dispositivo móvel, bloquear o download de outros aplicativos, impossibilitar o envio e recebimento de imagens etc.;

– Antivírus: outro aliado bastante essencial no controle do uso dos menores de idade na internet são os antivírus. O mercado já possui voltados especificamente para crianças e adolescentes. Esses softwares conseguem limitar o número de páginas na internet que podem ser acessadas, define o tempo limite de acesso à internet, supervisiona as buscas que estão sendo realizadas, verifica os detalhes de todos os downloads, analisa postagens nas redes sociais e muito mais.

Sylvia afirma que além das ferramentas, nesse contexto é importante que os responsáveis conversem com as crianças e adolescentes sobre os perigos de se navegar na internet sem qualquer filtro. A especialista afirma que o diálogo é uma boa forma de esclarecer sobre o porquê o acesso nas redes deve ser controlado nessas idades.

“O uso consciente da internet por adolescentes e crianças passa pelo conhecimento do funcionamento da internet pelos pais. Por isso, é essencial que os adultos entendam sobre a rede para que eles possam conversar com os filhos sobre ela. Essa consciência trará segurança para ambos”, finaliza Sylvia.

O tempo gasto na internet e o uso de ferramentas digitais tem crescido entre crianças e adolescentes, no período de isolamento social. Até fevereiro, um estudo realizado pela Hoopsuite e a We Are Social, mostrava que o Brasil já era o segundo país do mundo que passava mais tempo conectado à internet, em média, eram 9 horas e 20 minutos online.

Essa hiper utilização dos meios digitais traz preocupações a respeito de como as ações on-line estão sendo realizadas e a que riscos as crianças e adolescentes estão  expostos ao utilizar a internet. Pensando nessa segurança e no que pode ser feito para estar mais seguro e respaldado, o Sistema Positivo de Ensino fez uma live com a advogada Patrícia Peck, especialista em Direito Digital e Cyber Segurança, que deu algumas dicas para os pais:

Não deixar senhas automáticas
Ao utilizar o computador em locais com acesso de outras pessoas ou até em ambiente corporativo virtual, a orientação é encerrar as sessões conectadas sempre que terminar o acesso, uma vez que, com as senhas automatizadas, alguém com acesso ao computador pode facilmente conectar-se indevidamente.

Agir como se estivesse no ambiente presencial
“Se o estudante não ficava utilizando o celular ou o videogame dentro de sala de aula, por exemplo, na sala de aula virtual deve ser a mesma coisa”, expõe Patrícia, lembrando que realizar atividades on-line só muda o meio pelo o qual aquilo está sendo realizado, e não o fim.

Utilização de ferramentas de controle parental
A advogada orienta que os pais façam a verificação dos sites que estão sendo acessados pelos filhos, monitorando a utilização de webcam e atividades nos aparelhos eletrônicos, tendo em mente que o responsável é quem responde legalmente por tudo o que a criança faz, on-line ou não.

Manter a educação e a calma
Não se envolver e não permitir que os filhos se envolvam em discussões de forma agressiva é importante para não perder a razão, inclusive do ponto de vista jurídico. “Não faça justiça com o próprio mouse”, alerta a especialista.

Cuidado com a fofoca digital
Não compartilhe informações sobre terceiros de forma impulsiva, principalmente sobre menores. Tudo o que é registrado na internet, pode ser usado juridicamente contra você.

Observe a idade mínima dos recursos
Jogos, mesmo que educativos, têm idades indicativas. “Conheça os recursos que seu filho está utilizando e saiba o que ele está fazendo. Jogue o jogo, assista ao youtuber, esteja a par do que ele faz e se realmente ele deveria estar fazendo aquilo”, orienta Patrícia.

Coloque senha de controle de idade nos aplicativos on demand
É comum a família dividir a conta da Netflix, por exemplo, então é necessário colocar senhas fortes para que a criança não acesse conteúdos impróprios.

Cometer ciberbullying é crime
Brincadeiras não autorizadas, a respeito de uma pessoa ou utilizando imagens sem permissão pode ser ato condenado judicialmente. Patrícia ainda lembra que, mesmo que haja um desconforto algumas vezes, para que a ação seja caracterizada como bullying, é preciso haver intenção e repetição.

Não mentir sobre seus dados online
Colocar idade maior do que tem, nome ou informações pessoais em cadastros pode ser caracterizado como falsidade ideológica. “Não é porque seu filho está atrás de um computador que não precisa dizer a verdade sobre si mesmo”, alerta.

Os interessados podem assistir à transmissão gravada e completa no link: https://www.youtube.com/watch?v=YPKOUeM1Fpg.