Da ‘gripezinha’ às 70 mil mortes: a realidade sem máscaras

#PapodePandemia traz dois sobreviventes da Covid-19 – os jornalistas Aziz Filho e Alberto Corona – e da agente de viagem Hilda Medeiros, que perdeu o pai na luta contra a doença

Redação

O Brasil alcançou nesta sexta-feira (10) a triste marca de 70 mil mortes em decorrência da Covid-19, com a notificação de 1.214 novos óbitos, e também superou a marca de 1,8 milhão de casos de coronavírus, com 45.048 novas infecções. Com isso, se torna o segundo país do mundo com maior número de casos e mortes por Covid-19, atrás apenas dos Estados Unidos. São, oficialmente, 1.800.827 casos e 70.398 óbitos, informou o Ministério da Saúde.

Mas e quando os números se traduzem em rostos? E como os personagens reais desta triste calamidade sanitária enxergam esses números crescentes? O que pensa quem sobreviveu à doença ou perdeu um parente próximo para a pandemia diante de negacionistas como o presidente Jair Bolsonaro? E como vêem o comportamento do presidente, que anunciou esta semana ter testado positivo e mais uma vez defendeu abertamente a hidroxicloroquina, um medicamento cujo uso no combate ao novo coronavírus já foi descartado até pela OMS?

Com o tema “Da ‘gripezinha’ às 70 mil mortes: a realidade sem máscaras”, a live deste sábado (11) do projeto Papo de Pandemia trouxe as histórias de superação de dois sobreviventes da Covid-19 – os jornalistas Aziz Filho e Alberto Corona – e uma órfã da pandemia, a agente de viagem Hilda Medeiros, que perdeu o pai na luta contra a doença. Eles analisam os últimos acontecimentos em torno da Covid-19, as reações das pessoas e as medidas de flexibilização num momento em que a pandemia não dá sinais de trégua e avança em várias cidades e estados do país, enquanto não se tem certeza de quando virá a vacina.

Tivemos uma semana intensa no noticiário sobre a Covid-19. Depois de ignorar a gravidade da doença e afirmar que se fosse contaminado nada lhe aconteceria porque era ‘atleta’, o presidente anunciou estar infectado. Infelizmente, Bolsonaro continua insistindo e até mesmo incentivando outras pessoas a fazer uso precoce da hidroxicloroquina. Tudo isso causou polêmica e, mais uma vez, dividiu a Nação, polarizou de novo as opiniões em meio à pior crise sanitária mundial dos últimos 100 anos e ironiza a dor de milhares de brasileiros”, comentou a jornalista Rosayne Macedo, editora do Portal ViDA & Ação, que comanda as lives do projeto.

Durante a conversa, Aziz Filho conta como foi receber o diagnóstico da doença que o levou a ficar uma semana numa UTI, plugado em diversos aparelhos. Como sua mulher também foi contaminada, mas não chegou a ficar hospitalizada, a filha, de 2 anos, era sua maior preocupação. Para se distrair e manter o bom humor e o otimismo – suas marcas registradas -, ele conta que procurava assistir tudo na Netflix. Resiliente e paciente, aceitou todo o tratamento a que foi submetido, embora achasse que os médicos tenham tido um “excesso de zelo” ao lhe mandar direto para a UTI.

Em sua participação, o jornalista critica a postura do presidente Jair Bolsonaro – que fica “brincando” de cloroquina enquanto milhares de pessoas estão morrendo – e a falta de civilidade das pessoas que não manifestam solidariedade, respeito ou empatia por outras pessoas e ignoram as normas de prevenção. Otimista de carteirinha, ele lançou pela sua agência Avenida Comunicação, um boletim somente como notícias positivas sobre a pandemia. “É preciso

Em depoimento emocionado, Hilda Medeiros relatou a história do pai Hildermes, um “idoso fujão”,  segundo ela, que se recusava a usar máscaras e ia ao supermercado todos os dias, sem acreditar que pudesse ser contaminado. Aos 80 anos, ele foi infectado e, em apenas 16 dias, faleceu com a doença. “Ele tinha consciência da gravidade da pandemia, tinha todas as informações, mas não acreditava. E infelizmente se arriscou”, lamentou a agente de viagem, que controlava as constantes saídas do pai, morador de Guaratiba, pelo extrato do cartão de crédito.

Hilda chorou durante ao lembrar os momentos com o pai que gozava de boa saúde, mantinha uma rotina saudável, a diabetes sob controle e até dirigia seu próprio carro. Assim como Aziz Filho, Hildermes não sentia falta de ar quando deu entrada no hospital, mas uma tomografia acusou que ele tinha mais da metade do pulmão comprometida. Ela questiona também os procedimentos médicos a que seu pai teve que se submeter. Exemplo de resiliência, coragem e bom humor, a agente de viagem aos poucos está assimilando a rotina impactada pelo sumiço dos turistas e as medidas restritivas e também a volta ao “novo normal”. É preciso seguir em frente, afirma.

Alberto Corona – que carrega no sobrenome de batismo o apelido do vírus que aterroriza a população – relembrou um pouco os 16 dias em que passou internado na UTI de um hospital particular da zona sul do Rio, que serviram para fortalecer ainda mais sua fé. O “Corona do Bem”, que já havia dado um depoimento exclusivo ao ViDA & Ação  em abril, conta ainda como conseguiu recuperar os 13 quilos que perdeu durante a doença e como voltou gradativamente à ativa, depois de ter vencido o seu inimigo homônimo.

E o que dizer das pessoas que insistem em sair às ruas sem máscaras, depois do drama que ele vivenciou? Morador do Leblon, bairro cujos moradores chocaram a opinião pública recentemente ao lotarem bares sem uso de máscaras, ele comenta sobre o negacionismo de muitas pessoas – inclusive do presidente Jair Bolsonaro – diante da pandemia que tem ceifado tantas vidas. O assessor de imprensa de 69 anos que já venceu também um câncer ainda fala de sua apreensão e deixa um recado para as pessoas que ainda ignoram a doença.

O  projeto Papo de Pandemia é uma série de lives transmitidas pelas redes do Portal Vida & Ação, que foi iniciada no dia 5 de junho para discutir os diferentes temas relacionados ao período de enfrentamento da pandemia mundial do novo coronavírus. “Além de ouvir especialistas, trazemos histórias de superação de muitas pessoas em meio ao verdadeiro pandemônio que estamos vivendo nesses últimos quatro meses, como as histórias de Aziz, Corona e Hilda”, explica Rosayne.

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Pandemia se agrava pelo interior do país

A sexta-feira foi o quarto dia consecutivo em que o número de mortes no país se manteve na casa de 1,2 mil, patamar visto na maior parte dos dias úteis nas últimas semanas. O registro de novos casos, porém, voltou a subir após dois dias de queda. “A gente verifica que o número de óbitos, semana após semana, tem se mantido relativamente constante”, disse o secretário de Vigilância em Saúde, Arnaldo Correia de Medeiros, em entrevista coletiva na quarta-feira.

Segundo ele, o novo coronavírus vem avançando pelo interior do país e recuando nos grandes centros. Mais de 96% dos municípios brasileiros já registraram casos da doença. Na quinta, o Ministério da Saúde alterou as orientações para pessoas com sintomas leves da doença e passou a pedir para que esses pacientes procurem um médico, alegando que o tratamento precoce reduz a necessidade do uso de respiradores. No início da pandemia, apenas casos graves, em que os pacientes apresentavam falta de ar, é que se recomendava buscar uma emergência.

São Paulo segue como o Estado mais afetado pela doença no país, com 359.110 casos e 17.442 mortes. O governador João Doria (PSDB) renovou a quarentena no Estado até 30 de julho, apesar das recentes medidas de flexibilização do isolamento. Ele afirmou que, após um longo período no pico, São Paulo está ingressando na fase de platô da Covid-19. Ceará e Rio de Janeiro dividem o segundo lugar da lista por Estados divulgada pelo ministério. O Ceará tem uma contagem maior de casos (133.546 infecções, 6.777 óbitos), mas o Rio possui mais mortes (129.443 casos, 11.280 óbitos).

O Pará registra 122.674 infecções e 5.224 mortes, enquanto a Bahia se juntou nesta sexta ao grupo Estados com mais de 100 mil casos confirmados da doença, que agora conta com cinco membros, ao atingir 101.186 infecções e 2.383 mortes. Ainda segundo o Ministério da Saúde, o país possui 1.078.763 pacientes recuperados da doença e 651.666 em acompanhamento.

Com agências

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