Depois de Manaus e Araraquara, variantes se espalham pelo Brasil

Especialista alerta para risco de transmissão e reinfecção pelas mutações do Sars-CoV-2, indica o melhor teste e reforça medidas de prevenção

Depois de Manaus, outras cidades iniciaram o alerta para o risco de colapso no sistema de saúde com o aumento de casos devido às novas variantes do vírus. No dia 15, a cidade paulista de  Araraquara iniciou um lockdown para conter a situação, já que novos casos foram confirmados pelas variantes. Mas mesmo que as variantes não tenham sido confirmadas em outras cidades, é possível que elas já estejam circulando em todo o país.

O alerta é do professor e diretor científico da DNA Consult, Euclides Matheucci Jr., que também destaca os riscos maiores. O surgimento desta variante levanta preocupações sobre um potencial aumento na transmissibilidade ou propensão para a reinfecção de indivíduos por SARS-CoV-2.

É muito provável que a cepa de Manaus já esteja circulando em todo o país e isso trará problemas muito sérios para todos nós. Há evidências que sugerem que algumas das mutações na variante P.1, detectada em Manaus, podem afetar a transmissibilidade e perfil antigênico, o que pode comprometer a capacidade dos anticorpos gerados por uma infecção natural anterior ou por vacinação de reconhecer e neutralizar o vírus”, afirma.

Segundo ele, um estudo recente relatou um conjunto de casos em Manaus em que a variante P.1 foi identificada em 42% dos espécimes sequenciados no final de dezembro. Nesta região, estima-se que aproximadamente 75% da população tenha sido infectada com SARS-CoV2 em outubro de 2020. No entanto, desde meados de dezembro, a região observou um aumento de casos.

Riscos de reinfecção são maiores

Ainda se sabe pouco sobre os casos de reinfecção pelo novo coronavírus. Estudos sobre a resposta imunológica a essas reinfecções sugerem que os anticorpos formados após a primeira infecção conferem imunidade apenas por um curto período de tempo antes de começar a diminuir. Outros estudos sobre SARS-CoV-2 sugerem que a formação de anticorpos e a longevidade da imunidade em um indivíduo depende da cepa do coronavírus, sua gravidade e idade da pessoa infectada.

São conhecidos muitos casos de reinfecção em todo o mundo, inclusive no Brasil. Não bastasse estes casos, outra preocupação são as novas variantes do vírus. De acordo com o laboratório de biotecnologia especializado em análise genética, DNA Consult, os riscos de recontaminação pelo Sars-CoV-2 são graves, podendo apresentar sintomas ainda mais perigosos.

O vírus Sars-CoV-2, a exemplo do que ocorre com outros vírus, sofre mutações durante sua replicação. Tais mutações podem levar a variantes mais perigosas, com maior eficiência de contágio. Atualmente, são conhecidas dezenas de variantes do vírus, entretanto, apenas três com impacto na CoviD-19, principalmente no que diz respeito ao aumento da eficiência de infecção: Variante Inglesa, B1.1.7; Variante de Manaus (AM), B.1.1.28.1 ou P1 e Variante da África do Sul, B.1.351″, explica.

Segundo ele, apenas uma parcela dos infectados consegue manter anticorpos depois de um tempo. “A literatura científica mostra que após três meses de infecção, apenas 23% das pessoas mantêm anticorpos contra o vírus. Em alguns casos reportados mostram que a reinfecção pode ter sintomas mais graves. Além disso, as novas variantes, como a inglesa, sul-africana e amazonense, se mostraram mais infecciosas, ou seja, são transmitidas mais facilmente de uma pessoa para outra”, explica Matheucci.

Em dezembro de 2020 foi confirmado o primeiro caso de reinfecção no Brasil causado pela nova variante do coronavírus, identificada como SARS-CoV-2 VUI 202012/01. Foi em uma profissional de saúde de 37 anos de Natal-RN. A mulher foi infectada pela primeira vez em junho e em outubro testou positivo novamente para  a doença. A comprovação foi obtida pelo Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo da Fiocruz/RJ, que seguiu um protocolo do Ministério da Saúde recomendado em casos suspeitos de reinfecção. 

A mutação foi responsável por um aumento de casos de infecção no Reino Unido devido ao fato de sua natureza possuir uma característica de transmissão mais alta do que a atual, o que tem causado preocupação a diversos países.

Qual é o melhor método para diagnosticar variantes?

O especialista também explica que os métodos diagnósticos são determinantes para descobrir as novas variantes, reforçando que o melhor método é o PCR em tempo real que possui análise simultânea dos genomas do vírus.

É importante comentar sobre a eficiência do PCR Tempo Real no diagnóstico das diferentes variantes. Esta metodologia é indicada pelo CDC, OMS e Anvisa, onde são analisados simultaneamente dois segmentos do genoma viral. A maioria dos laboratórios tem trabalhado com o PCR analisando apenas um segmento do genoma viral”, ressalta.

O especialista lembra que uma publicação científica recente mostra que a análise de 10.022 genomas do SARS CoV-2 revelou 5775 variantes distintas. Isso significa que a análise de apenas uma sequência do genoma viral é altamente perigosa e pode resultar em laudos falsos negativos. “A qualidade do diagnóstico é muito importante neste momento”, acrescenta Euclides.

O método de confirmação é realizado por meio de um sequenciamento genético do vírus, no qual é descoberto uma linhagem diferente entre as duas amostras com o diagnóstico PCR em tempo real. Em todo o mundo, o teste de PCR em tempo real é o mais eficaz no diagnóstico da doença. “O teste mais assertivo para a identificação do vírus nos casos de infecção e reinfecção continua sendo o PCR Tempo Real, padrão ouro indicado pela Anvisa e OMS”, acrescenta o professor.

Segundo ele, o essencial é continuar testando a população e para um diagnóstico efetivo e sem erros, o ideal é priorizar o método PCR em tempo real, considerado padrão ouro pela OMS e Anvisa. É importante mencionar que a metodologia diagnóstica utilizada em meu laboratório detecta as diversas variantes do vírus, bem como a cepa B117.” conclui.

Medidas de prevenção continuam as mesmas

O especialista ainda afirma que a melhor maneira de se proteger da reinfecção é manter as medidas de segurança recomendadas pelas autoridades médicas. “É importante lembrar que as medidas de segurança continuarão sendo sempre a melhor estratégia para conter a disseminação da Covid-19.

Mesmo que ainda não existam informações suficientes que determinem que a nova mutação do SARS-CoV-2 seja mais grave que o vírus anterior, já foi confirmado que a taxa de transmissão causada pela nova cepa é maior, vide o exemplo do Reino Unido que declarou lockdown com o aumento de casos. Para evitar que o mesmo ocorra no Brasil, é importante continuar respeitando as recomendações”, destaca.

Com a chegada da vacina, mesmo aqueles que já foram imunizados devem seguir as normas de prevenção geral de utilizar máscaras, evitar aglomerações e higienizar as mãos com frequência. Os casos de reinfecção e as novas variantes do vírus encontradas são fatores sensíveis e que demandam nossa atenção, e por isso ainda será preciso manter estes novos hábitos de prevenção por um bom tempo”, acrescenta. 

Fonte: DNA Consult

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