Depressão e ansiedade lideram problemas que mais afligem brasileiros

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Os brasileiros hoje vivem muito mais que há 25 anos. Mas as condições que levam à morte não são tipicamente aquelas que adoecem as pessoas no Brasil.  Enquanto a doença cardíaca isquêmica foi a principal causa de mortes de 196,064 casos, seguidas pelas doenças cerebrovasculares e pneumonia, atingindo 96.710 casos de morte e 75.602, respectivamente, as três principais causas da perda da saúde (incapacidade) foram a depressão, ansiedade e a dor lombar. O país já é o único do mundo onde os transtornos de ansiedade aumentam 0,97% ao ano, desde 1990.

Os dados fazem parte do Estudo Global da Carga das Doenças de 2015, uma série de trabalhos de pesquisas apresentada recentemente na revista científica The Lancet. O levantamento mapeia mais de 300 doenças e lesões em 195 países e territórios. No Brasil, de acordo com os estudos, os progressos alcançados nos tratamentos de várias enfermidades são ameaçados pelo número crescente de pessoas que sofrem com o desafio de condições de saúde sérias quanto a fatores de risco do metabolismo tal como pressão alta, índice de massa corporal alto e elevada taxa de açúcar no sangue.

Mundialmente, a expectativa de vida aumentou aproximadamente de 62 a 72 anos desde 1980 a 2015, com várias nações na África Subsaariana, ressaltando sua elevada taxa de mortalidade devido ao HIV/AIDS.  Na maior parte do mundo, dar a luz é mais seguro para as mães e os recém-nascidos que há 25 anos atrás. O número de mortes maternal caiu mundialmente para 29% aproximadamente desde 1990, e a média de mortes maternal caiu 30%, de 282 por 100.000 nascimentos vivos em 1990 a 196 em 2015.

A mortalidade infantil está caindo rapidamente, por doenças relacionadas a doenças infecciosas.  Entretanto, cada país tem seus próprios e específicos desafios assim como melhorias, desde menos suicídios na França a menos mortalidade nas ruas nigerianas, e a diminuição de mortes relacionadas à asma na Indonésia.

Outras descobertas no Brasil

  • Uma criança nascida no Brasil em 2015, pode ter uma expectativa de vida até a idade de 75, enquanto que o pai dessa criança nascida em 1990, tinha uma expectativa de vida de 68 anos.
  • Enquanto o mundo tem feito grande progresso em reduzir a mortalidade de crianças jovens, mundialmente, 5,8 milhões de crianças menores de 5 anos morreram em 2015.   Desse número total, 51.226 dessas crianças ocorreu no Brasil.  O número de mortes de crianças menores de 5 anos no Brasil em 1990 foi de 191.505.
  • O Brasil tem reduzido o número de mortes durante a gravidez ou mães novas, reduzindo o número de morte materna de 3.081 em 1990 a 1.972 em 2015. O índice de mortes maternas caiu de 85 mortes por 100.000 nascimentos a 65.
  • A maternidade tornou-se mais segura para mulheres no Brasil ao longo dos últimos 25 anos. A taxa de mortalidade materna diminuiu de 84,5 por 100.000 em 1990 para 65,4 em 2015. Globalmente, a taxa de mortalidade materna caiu 30% no mesmo período, de 282 para 196 por 100.000 nascidos vivos.
  • 51,230 crianças com menos de 5 anos de idade morreu em 2015, uma taxa de 16,9 mortes por 1.000 nascidos vivos. Esta taxa caiu de 4,5% ao ano desde 1990. A nível mundial, 5,8 milhões de crianças com menos de 5 anos de idade morreram em 2015, representando uma redução de 52% no número de mortes de crianças com menos de 5 anos desde 1990.
  • A expectativa de vida no Brasil tem aumentado na última década. Em 2005, as mulheres poderiam esperar viver 76,2 anos e 68,7 os homens. Em 2015, a expectativa de vida das mulheres era de 78 e 70,7 nos homens. Desde 1990, subiu 6 anos.
  • No Brasil, as principais causas de morte em 2015 foram a doença cardiaca isquêmica, doença cerebrovascular, infecções respiratórias inferiores, doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) e diabetes, enquanto que as principais causas de perda de saúde foram doença cardíaca isquémica, violência interpessoal, doenças cerebrovasculares, acidentes de trânsito e dores nas costas e pescoço.
  • A maior parte da saúde das pessoas é determinada por factores de risco, algumas das quais estão relacionadas ao estilo de vida. Em 2015, a hipertensão arterial, índice de massa corporal, níveis de glicose no sangue elevados, tabagismo e abuso de álcool estavam ligados ao aumento da perda de saúde no Brasil.

Mais sobre o estudo

O estudo de doenças, lesões e fatores de risco (GBD) The Global Burden of Disease foi realizado por mais de 1.800 colaboradores. Os documentos revelam os principais motores da doença,  mortalidade e incapacidade nos países em todo o mundo, incluindo o Brasil. Esta iniciativa é liderada pelo Instituto de Métrica e Avaliação da Saúde (IHME), da Universidade de Washington em Seattle, centro de coordenação da GBD.

Este ano, pesquisadores analisaram cada país usando um índice sócio demográfico, examinando níveis de educação, fertilidade e rendas. Esta nova categorização vai além do “desenvolvido” versus “desenvolvimento” ou divisões econômicas baseadas em rendas individuais. Os seis artigos fornecem uma profunda análise das causas das mortes, mortalidade maternal, mortalidade infantil de menos de 5 anos, incidências de doenças gerais e expectativa de vida, anos vividos com deficiência e fatores de risco que levam a perda de saúde.

“O desenvolvimento conduz, mas não determina a saúde”, informou  Christopher Murray, diretor do IHME. “Nós podemos ver países que tem melhorado muito mais rápido do que poderia ser explicado pela renda, educação ou fertilidade.  E nós vemos também países, incluindo os Estados Unidos da América, tornando-se menos saudável do que deveriam ser considerando-se seus recursos”.

Fonte: Instituto de Métrica e Avaliação da Saúde (IHME), com redação

 

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