Depressão não é fraqueza: como entender os sinais

ViDA & Ação dará mais ênfase a informações sobre saúde mental após suicídio de estudante na Tijuca (RJ). Livro de neurologista explica sintomas da doença

Rosayne Macedo

Nesta última semana, a morte de um jovem de apenas 17 anos na Tijuca, zona norte do Rio, assustou e chamou a atenção especialmente de pais, mães e educadores. A reportagem exclusiva do ViDA &  Ação sobre o suicídio de Arthur Dantas gerou enorme comoção, com milhares de acessos em nosso site, após ser compartilhada por grande número de pessoas nas redes sociais e nos grupos de Whatsapp.

A reação em cadeia apenas confirma o que já defendemos há tempos: a necessidade urgente de se quebrar o estigma em torno dos transtornos mentais e emocionais que estão levando nossos jovens a tirar a própria vida. Mais do que nunca, é preciso falar cada vez mais abertamente sobre a depressão e outras doenças que podem levar ao suicídio.

Este, aliás, sempre foi um tema tabu na grande imprensa,  sob a questionável alegação de que dar divulgação a casos de suicídio poderia incentivar novos casos, o que nem sempre é verdade. O que foi e sempre continuará sendo prudentemente evitado é dar a estes casos uma conotação sensacionalista, em respeito à dor da família e dos amigos e à dignidade da vítima.

O recomendado é que seja noticiado como forma de serviço de utilidade pública, ajudando a prevenir novos casos, como fizemos e sempre faremos aqui no ViDA & Ação. A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), inclusive, elaborou um manual para a imprensa, com as melhores práticas de abordagem sobre o tema. Em sua segunda edição, a publicação “Comportamento suicida: conhecer para prevenir” está disponível para dowload na página da entidade (veja aqui).

E é com este firme propósito, de ajudar a esclarecer sobre o problema e lançar luz sobre as inúmeras razões que podem levar uma pessoa ao limite que ViDA & Ação se compromete a trazer na categoria ‘Mente Saudável’ cada vez mais informações confiáveis, responsáveis e de qualidade sobre esta grave questão de saúde pública

No vasto calendário anual da Saúde, já temos o Setembro Amarelo, destinado às campanhas de prevenção ao suicídio, e o Janeiro Branco, que adverte sobre as doenças mentais. Mas é necessário uma ação permanente, o ano todo, para que o desespero e o desamparo originado de transtornos mentais e emocionais não levem a novas vítimas fatais.

Afinal, é preciso, sobretudo, alertar para o problema, especialmente pais, educadores e profissionais de saúde, para que aprendam a identificar os sinais e ajudar o potencial suicida enquanto é tempo! E para contribuir com esta função, a seção Ler Faz Bem traz hoje uma importante dica de leitura envolvendo o tema. Confira:

Livro explica conjunto de sintomas da depressão

Como o ditado diz “não olhe a árvore, olhe a floresta”, o neurologista Leandro Teles explica em seu novo livro Depressão não é fraqueza (Editora Alaúde) que o diagnóstico da depressão é feito através da identificação de um conjunto de sintomas e sinais, além de compreendê-los dentro de um contexto único.

Não quero que ninguém seja capaz de diagnosticar depressão em si ou no outro a partir desse conhecimento – até porque isso é trabalho do médico e do psicólogo -, mas é fundamental que o leigo tenha a capacidade de desconfiar que algo não anda bem, que existe um processo de adoecimento em curso. Com isso, damos o próximo passo: buscar a ajuda e o diagnóstico diferencial. Com o desconfiômetro ligado, somos uma sociedade mais forte e mais solidária”, afima o autor.

O neurologista separou os principais sintomas em três grandes grupos. “Os sintomas listados abaixo, isolados, não definem a doença. E, caso se identifique com uma grande maioria, é necessário procurar um médico especialista”, destaca o neurologista. Confira:

Sintomas psíquicos

Os mais famosos e importantes. São o carro-chefe do diagnóstico e compõem um conjunto praticamente obrigatório de alterações para pensarmos em um quadro de depressão. Entre eles, estão:

– Tristeza patológica (humor depressivo)

– Dificuldade de sentir prazer (anedonia)

– Pessimismo e desesperança

– Baixo autoestima

– Sentimento de culpa

– Angústia e ansiedade

Sintomas físicos

Um cérebro adoecido pela depressão deixa de cuidar adequadamente do corpo que o abriga, gerencia mal as funções vitais e se desapega do árduo trabalho de organizar a complexa máquina vital. São sintomas físicos comuns e característicos:

– Distúrbios de sono

– Fadiga e Indisposição

– Distúrbios do apetite (podendo alterar o peso)

– Problemas sexuais

– Dores de cabeça e musculares

– Problemas gastrointestinais

Sintomas cognitivos

Sintomas relacionados com a performance do comportamento, da administração da informação e da tomada de decisões. O cérebro mais lento e a falta de engajamento levam a uma série de sintomas, como:

– Falta de atenção

– Esquecimento

– Falta de criatividade

– Falta de curiosidade

– Dificuldade em tomar decisões

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Da Redação, com Assessoria

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