Depressão: ‘Tomei uma decisão fundamental: viver plenamente ou morrer’

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Charles Peterson Soares de Rezende, de 42 anos, começou a sentir os sintomas da depressão no auge da adolescência, aos 19 anos. Uma fase em que o problema costuma aflorar, segundo especialistas. Foram longos anos convivendo com os altos e baixos da doença, até que, com o nascimento do filho, sua vida mudou radicalmente. “Os motivos de minha depressão ficaram pequenos. Minha missão com meu filho ficou maior que eu mesmo. Eu não podia falhar “, conta o professor e empreendedor. Coach há quase 15 anos, ele hoje dá palestras e treinamentos e desenvolveu um método de estudo e foi pioneiro em coach para concursos. Confira o relato de Charles:

“Descobri que tinha depressão a partir do momento em que não queria mais viver… a vida não tinha mais sentido. Eu sentia vontade de sumir; de acordar, pois achava que minha vida era um pesadelo. Eu sentia insônia… não conseguia dormir…não queria comer… Sentia que a vida era algo que não queria mais, Deus tinha feito tudo errado. Eu analisava o mundo e não entendia nada sobre porque tanta violência; tanta mentira e tanta maldade. A própria natureza era estranha: um comendo o outro para sobreviver?!?!! Que coisa mais bárbara e violenta!

Achava que eu vivia em um mundo primitivo e queria sair daqui deste planeta. Eu pedia a Deus explicações mas não recebia nenhuma mensagem objetiva. Sentia meu coração disparar…. Só ficava cansado, desanimado, em busca de forças para continuar… Eu estava com o peito dilacerado como se uma lança o tivesse atravessado… Estava carente e fraco…

Sou muito questionador e sempre busquei explicação; o porquê das coisas… isso contribuía para minha depressão. Mas não foi de uma hora para outra, pois eu sempre buscava um sentido para a vida. Mas após amadurecer meu raciocínio lógico, tive um desencanto da vida… percebi que muita coisa que acreditava sobre a vida era uma ilusão.

Uma poesia escrita em 1999 pela irmã de Charles o marcou. E virou música em seu CD Espelho da Alma
Uma poesia escrita em 1999 pela irmã de Charles o marcou. E virou música em seu CD Espelho da Alma

O gatilho? Filosofar demais; dúvidas sobre a existência de Deus; certeza de que o amor (alma gêmea) como deseja não existia… O início foi aos 19 anos (muitos questionamentos sobre a existência de Deus). E aos 21 anos, o desencanto com a vida e com o amor ( alma gêmea) foi o início da depressão pesada, com todos aqueles sentimentos.

Uma vez coloquei uma roupa toda preta e queria morrer. Houve episódios fortes! Minha irmã que na época tinha 13 anos escrevera um poema maravilhoso para mim… E me deu no meu niver. Amei tanto este poema que explica muito sobre minha vida e quem sou, que coloquei este poema em meu cd de músicas instrumentais chamado ‘Espelhos da Alma’ (um cd que compus de musicoterapia).

Como superei? Apesar de tudo, nunca deixei de lutar… mas estava perdendo… quase desistindo de tudo. Foi quando eu tomei uma decisão fundamental: ou viver plenamente ou morrer. Mas não queria mais viver como eu vivia, ou seja, destruído… vencido… abandonado…

Percebi que um dos caras mais fodas ou o mais foda do mundo era Jesus. Então comecei a estudar suas mensagens. Consegui então dormir, pois pedia minha mãe para ler o Novo Testamento todas as noites, sentada em minha cama. Lembro perfeitamente da doce voz de minha mãe iluminando este escuro, doído e amargo período de minha vida.

Procurei psicólogos, fiz tratamentos, mas sem muito resultado. Decidi então eu mesmo me curar. Escrevia frases de motivação, fazia meditação, assistia filmes motivacionais, viajava… Usei muita musicoterapia para vencer a depressão.
Com os anos fui me fortalecendo. Quando disse a mim mesmo que já não queria mais encontrar a alma gêmea e bastava encontrar alguém que eu amasse e me amasse, conheci uma mulher incrível. Ela engravidou e 6 meses depois já estávamos casados.

Minha depressão “morreu” quando tive a notícia que um filho meu nasceria. Meu filho nasceu e os motivos de minha depressão ficaram pequenos. Minha missão com meu filho ficou maior que eu mesmo. Eu não podia falhar! Tinha que ficar forte! Graças a Deus (de quem agora não tenho mais raiva kkkkk) minha esposa me apresentou seu psicólogo, que veio então a se tornar o único psicólogo que me ajudou de verdade. Ele na verdade se tornou meu mentor e amigo!

Hoje com meu trabalho eu ajudo as pessoas vencerem depressão e se realizarem. Aprendi que não se trata de buscar luz no final do túnel… e sim ser uma luz a iluminar nossos passos, nosso caminho. Quando o amor é maior que o ego, não há mais escuridão no túnel da vida”.

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