Dia do Não Fumar: tratamento para fumantes é feito de graça pelo SUS

Conheça também histórias de pessoas que pararam de fumar graças a programa gratuito de antitabagismo no Rio de Janeiro

Redação

Mais de 8 milhões de pessoas morrem a cada ano por conta do uso do tabaco. De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), desses óbitos, mais de 7 milhões são resultado do uso direto do tabaco, enquanto cerca de 1,2 milhão são resultado de não-fumantes expostos ao fumo passivo, ou seja, pessoas que convivem diretamente com fumantes. Celebrado no dia 16 de novembro, o Dia Nacional do Não Fumar alerta para a conscientização do mal que o tabaco causa a saúde;

O tabagismo é responsável por cerca de 200 mil mortes por ano no Brasil, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Somente no Estado do Rio de Janeiro, 661 mortes foram registradas de janeiro de 2019 a 3 de novembro de 2020. No mesmo período, 20.153 consultas foram marcadas para pacientes fumantes, a partir dos 15 anos de idade. Na cidade do Rio, cerca de 10,1 % da população é fumante. De todos os homens da capital, 12,5 % são fumantes. Já em relação as mulheres, 8,1% fazem o uso do tabaco. Há também os fumantes passivos, cerca de 6,0 % da população da Cidade Maravilhosa.

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece, gratuitamente, o tratamento para as pessoas que desejam parar de fumar. O programa de cessação de tabagismo utiliza a Terapia Cognitiva Comportamental, gomas e adesivos de nicotina e medicamentos, e, quando necessário, é realizado por uma equipe multiprofissional, com médicos, enfermeiros, nutricionistas, odontólogos e psicólogos, sessões estruturadas para ajudar os fumantes a deixarem dependência química.

A aposentada Kátia Valéria Ferreira Abrantes, de 58 anos, foi uma das pessoas que deixaram de fumar por causa do tratamento oferecido no SUS. Ela, que fumou por 38 anos, mora em Paracambi, município da Região Metropolitana do Rio, onde fez o tratamento.

Minha saúde e o sofrimento que vi uma pessoa querida passar, com câncer de pulmão me fizeram querer parar de fumar. Fiz o tratamento do SUS, em Paracambi, por três vezes, a primeira não consegui, mas meu esposo sim. Na segunda consegui, mas tive um problema sério e em vez de procurar ajuda, voltei a fumar. Na terceira vez consegui finalmente, graças ao tratamento e o suporte dado pela doutora que cuidou de mim em Paracambi”, afirma Kátia.

De acordo com Eralda Ferreira, coordenadora de Vigilância e Promoção da Saúde (CVPS) da Superintendência de Vigilância Epidemiológica e Ambiental  (SVEA) da Subsecretaria de Vigilância em Saúde (VSV) da Secretaria de Estado de Saúde do Rio (SES), o tabagismo é o fator de risco de maior impacto para a ocorrência de mortalidade prematura (30 a 69 anos) pelas quatro principais Doenças Crônicas Não Transmissíveis (doenças do aparelho circulatório, câncer, diabetes e doenças respiratórias crônicas).

Essas quatro enfermidades são responsáveis por aproximadamente 40% dos óbitos em idade prematura no estado, cerca de 32 mil casos ao ano. Assim, ao ofertar o tratamento para a cessação do tabagismo em unidade de saúde no Estado, podemos estimar a redução dos óbitos de aproximadamente 4.800 indivíduos por ano”, disse Eralda.

O uso do tabaco é uma das principais causas da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), da Neoplasia Pulmonar (um tipo de câncer de pulmão), do Câncer de Boca e do Câncer na Cavidade Oral. O tabagismo também aumento o risco de infarto do miocárdio (IAM), acidente vascular cerebral (AVC), asma, enfisema e amputações em diabéticos, pelo comprometimento vascular causado pela nicotina.

Edna Guilles, de 62 anos, também participou do programa de cessação de tabagismo oferecido pelo SUS. Ela, que está aposentada do cargo de vendedora há três anos, decidiu parar de fumar porque estava com muita falta de ar e descobriu um problema no lado esquerdo do coração.

Há um ano parei de fumar. Durante o tratamento assisti três palestra para depois poder pegar a receita para começar usar o adesivo. Na primeira semana que coloquei o adesivo, decidi não colocar mais o cigarro na minha boca. Foi muito difícil. Tive muita abstinência, fiquei sem sono e com muita fome. Tudo passou e hoje não tenho mais falta de ar e nem cansaço”, relata Edna.

As doenças que o hábito de fumar pode provocar

Além do câncer no pulmão e na boca, deterioramento dentário e problemas respiratórios, o uso de cigarro pode causar úlceras, osteoporose, pressão alta, aneurismas cerebrais e trombose, por exemplo. Para evitar o desenvolvimento destas e outras doenças associadas ao consumo do tabaco, Unidades Básicas de Saúde possuem grupos de tabagismo que auxiliam a população no processo de abandono do vício pelo fumo, a partir de dinâmicas em grupo e uso de medicamentos.

De acordo com Ismael de Oliveira, darmacêutico responsável pelo Programa de Cessação ao Tabaco da Unidade Básica de Saúde (UBS) Vera Cruz, gerenciada pelo Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” (Cejam), em São Paulo, atividades físicas e mudanças na rotina ajudam os fumantes. “É importante adquirir novos hábitos que substituam os que são associados ao cigarro. Se uma pessoa fuma enquanto dirige, seria adequado não levar o cigarro para o carro. Aos que fumam após tomar um café, substitua-o por um suco”, recomenda o profissional.

Embora algumas pessoas recorram ao cigarro light ou eletrônico e vaper para reduzir o nível de dependência, o especialista pondera que este tipo de saída não é o mais apropriado. “O cigarro eletrônico também contém nicotina e é tão nocivo para a saúde quanto o cigarro normal. O que os distingue é apenas a ausência de alcatrão e monóxido de carbono no cigarro eletrônico. Eles não saciam a vontade de fumar e não são eficazes”, pondera.

Para o farmacêutico, o melhor caminho é a conscientização sobre o impacto negativo que este hábito causa para a saúde e para as finanças das pessoas, além do estabelecimento de metas para parar de fumar, uso de remédios de apoio conforme o nível de dependência e apoio psicológico.

Entre fevereiro de 2019 e outubro de 2020, 57 pessoas participaram do programa de tabagismo na UBS Vera Cruz, em São Paulo. Destes, 31% pararam de fumar. Por conta da pandemia, em agosto a unidade iniciou o Grupo Virtual de Tabagismo, que oferece encontros online com profissionais da unidade para pessoas que desejam abandonar o vício em cigarro. Nas sessões são apresentados conteúdos e atividades de incentivo, como a determinação de uma data para o participante parar de fumar. “O fator econômico também influencia no abandono do vício. Colocar em um papel uma média anual de gastos com o cigarro é uma das atividades do programa que mais choca os participantes”, conta Oliveira.

Durante a sessão inicial é realizado o teste que avalia o nível de dependência do participante e se será necessário o uso de medicamentos. Em seguida, os encontros promovem interações para que as pessoas entendam o motivo do vício e os efeitos causados na saúde psicológica e física, além de observar o desempenho dos participantes e monitorar o uso dos medicamentos. Aos pacientes que têm recaídas após a finalização de todas as sessões é possível frequentar encontros de manutenção mensalmente.

Onde procurar ajuda? Fumantes interessados em deixar o vício devem procurar a Unidade Básica de Saúde mais próxima de sua residência e informar-se sobre a disponibilidade dos grupos. Veja aqui a relação de unidades sob gestão do Cejam em São Paulo.

Quiz “mito ou verdade” sobre fumar: https://pt-br.facebook.com/SaudeGovRJ/

Com Assessorias

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