Dislexia e hiperatividade no maior festival de criatividade da AL

Pixel Show 2018, que acontece neste fim de semana em São Paulo, traz dois artistas que transpõem para suas obras condições aparentemente limitantes

fotografias de pol kurucz Fotografias do hierativo Pol Kurucz (Foto: Divulgação)
obra stanley
Obra de Eric Stanley, disléxico, artista e professor de artes plásticas da Universidade de Virgínia (Foto: Divulgação)

Estima-se que 20% da população mundial sejam disléxicas. A dislexia é uma dificuldade no processo de associação, compreensão e reconhecimento de símbolos ou fonemas. Seria ela, então, um impedimento para realizar tarefas com artefatos geométricos e formatos complexos? É exatamente esse o trabalho de Eric Stanley, disléxico, artista, professor de artes plásticas da Universidade de Virgínia (EUA) e palestrante do Pixel Show 2018.

No maior festival de criatividade da América Latina, que acontece em São Paulo nos dias 10 e 11 de novembro, ele expõe o processo de criação de suas obras em 3D feitas com papéis cortados a laser. As formas geométricas e em ornamentação arquitetônica são empilhadas meticulosamente em mais de 100 camadas de papel. O resultado é rico em detalhes perfeitos e matemáticos.

Para Stanley, a arte foi uma forma de canalizar a dislexia, notada desde criança pelos pais engenheiros.

Meu cérebro está preparado para processar pensamentos que dependam de memória visual, improvisação e associações de histórias. Eu tenho a habilidade de me concentrar em certas tarefas mentais, preencher os espaços entre a percepção e o desconhecido, e ser consistentemente empático em situações sociais. Esses são atributos de ser disléxico, e tenho a sorte de poder aplicá-los livremente ao propósito da minha existência”, comenta.

No mesmo auditório em que Eric falará da dislexia, Pol Kurucz, fotógrafo e diretor de arte, apresentará a sua hiperatividade. Nascido na Hungria e criado na França, Pol vive no Brasil há cinco anos, onde fundou o Coletivo Kolor, uma produtora de eventos de arte. O projeto cresceu e está incluindo também ensaios autorais e trabalhos temáticos, sempre com foco na extrema qualidade das imagens. O fotógrafo já conduziu projetos com grandes publicações, como The Guardian, Vogue, ELLE, Glamour, Marie Claire, TV Globo, entre outros.

Em sua palestra no Pixel Show 2018, ele mostra como a hiperatividade o faz fugir de processos criativos convencionais, abusando de cores e formatos. “Justamente por ser hiperativo, preciso de mais diversidade e intensidade em tudo o que eu faço para conseguir manter minha atenção. Por isso minhas escolhas são mais chocantes ou surpreendentes”, diz.

Deixando de lado essa condição, Pol acredita que para produzir obras inovadoras basta deixar a personalidade se expressar. “Para fazer algo interessante, devemos projetar a nossa alma. Por isso, no meu caso, meu trabalho pode ser considerado agitado, gritante”.

O uso do papel, em vez de materiais mais robustos e tecnológicos, expressa ainda delicadeza e fragilidade. “Eu escolho fazer esses arquétipos usando papel para retratar a fragilidade que eu considero uma qualidade humana”, explica. Os participantes do Pixel Show 2018 vão poder conferir as obras reais do artista de perto.

Evento atrai 45 mil pessoas

O evento espera reunir mais de 45 mil pessoas para interagir com as mais diversas atividades de arte, design, cinema, efeitos visuais, fotografia, música, tattoo, gastronomia, moda, games e muito mais. A maioria (80%) das atividades é gratuita e há conteúdos para todas as idades e interesses. São 15 mil m² do Espaço Pro Magno para inspirar os criativos a construírem legados e projetos que ajudem as gerações futuras na consolidação da indústria da arte e cultura.

O festival acontece anualmente em São Paulo desde 2005, organizado pela Editora Zupi. Em 2018, o evento completa 14 anos de história com muita inspiração, inovação, networking e negócios realizados. O Pixel Show tem como tema central tendências, inspirações, cultura e economia criativa e discute temas atuais sobre arte contemporânea e o mercado de trabalho entre jovens e profissionais experientes. O objetivo é incentivar os criativos a construírem um legado e deixarem um país e mundo melhor para as futuras gerações.

As 10 principais atrações para toda a família

1 – Encontro anual do LUG

O encontro anual do Lego User Group Brasil acontecerá dentro do Pixel Show 2018 e o público do festival também pode colaborar com a montagem de uma bandeira gigante do Brasil, além de conhecer a super exposição de 500m² construída com as peças, como cidades, castelos medievais, personagens de Star Wars, carros, máquinas e F1!

2 – Espaço Kids

Espaço dedicado a crianças de 2 a doze anos para estimular a criatividade e contado com as artes. As principais atividades: jogos, brincadeiras de recorte, pintura e colagem, massinha, montagem de Lego Gigante Everblock e Post-It War, um jogo de criar desenhos com os famosos post-its.


3 – Simuladores e Games antigos

De um lado, o passado. Do outro, o presente e futuro. Uma exposição mostra os consoles de vídeo games antigos mais amados, enquanto a nova geração de realidade virtual estará no espaço Simuladores. Lá, o público encontra jogos, como Arkave e Veturium, além de simulador de Fórmula 1, fórmula truck, carros e outros.

4 – Espaço RH

O Pixel Show também vai ajudar os criativos a enfrentarem a crise e buscar uma nova colocação no mercado. A 1ª edição do Espaço RH Pixel Show – Trampos, em parceria com o site Trampos.co, contará com espaço para networking e “speed dating” com recrutadores de mais de 20 empresas reconhecidas no mercado. O interessado deve fazer inscrição prévia e no dia do evento levar um 1kg de alimento não perecível para entrar no espaço.

5 – Sala Voice

Mais uma super novidade deste ano é a sala Voice na Conferência do Festival Internacional de Criatividade. Pela primeira vez no Brasil um evento reúne profissionais de voz que atuam em diferentes mercados, como publicidade, marketing, aplicativo, game e dublagem. Para acompanhar as palestras da Sala Voice é preciso adquirir o ingresso com antecedência também pelo site.

6 – Festival de Tattoo

Desde 2015, o festival de criatividade apresenta o espaço de Tattoo, onde artistas tatuadores criam desenhos exclusivos para quem se tatuar durante o evento.

7 – Espaço Makers

O Festival já tinha em sua programação um espaço dedicado a publicações independentes e à cultura gráfica. Agora, ele está maior e mais diverso. Foram selecionados por volta de 100 makers. São artistas plásticos, artistas gráficos, editores de pequeno porte, designers, estilistas, fotógrafos, graphic artists, street artists que estarão apresentando suas obras ao público.

8 – Workshops

Se você ainda não é um maker, mas quer desenvolver suas habilidades, escolha o tipo de arte que mais te agrada entre os mais de 40 workshops e mãos à obra! As aulas incluem material e as orientações de profissionais em diversas técnicas, como lettering, modelagem, paper toy, maquiagem para cinema e muito mais.

9 – Festival de gastronomia

Na hora da fome, o público ainda vai contar com o festival de gastronomia. Esse ano o espaço trará 14 food trucks e bike foods com todos os tipos de comida, de lanches e doces a opções naturais e vegetarianas.

10 – Arena Musical

Junto ao espaço gastronômico, bandas e artistas independentes vão se apresentar durante todo o fim de semana. O Pixel Show 2018 recebeu inúmeras inscrições para o espaço e os selecionados passaram por um crivo rigoroso. Então, vale a pena conferir!

Serviço:

14ª Edição do Festival Internacional de Criatividade Pixel Show

10 e 11 de novembro de 2018, das 8h às 22h

Espaço Pro Magno – Casa Verde, São Paulo

Transporte gratuito a partir do metro Barra Funda

Mais informações: pixelshow.co

Entrada grátis – Feira de criatividade, SharpTalks e shows de música

Atrações pagas – Palestras da Conferência, workshops e teatro

Mais informações: pixelshow.co

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