Diversão ao ar livre também faz bem para os olhos das crianças

 Oftalmopediatra dá 6 dicas para manter a saúde ocular em dia durante as férias. E alerta sobre mudança de hábitos para evitar a miopia

As crianças estão em plenas férias de verão e esse é um ótimo motivo para incentivá-las a brincar. O período é propício para atividades de lazer, como ir à praia, ao clube, frequentar rios e cachoeiras, além das brincadeiras em espaços abertos. Mas, além de fazer bem para a saúde física e mental, passar mais tempo ao ar livre contribui para a saúde ocular, especialmente em relação à miopia.

De acordo com a oftalmopediatra Marcela Barreira, especialista em estrabismo, a explicação é que além de tirar as crianças das telas, cujos malefícios já são bem documentados, a prática de atividades ao ar livre promove o contato com os raios solares.

“Estudos ao longo do tempo mostraram que os raios solares estimulam a produção da dopamina. Trata-se de um neurotransmissor que previne que o olho cresça alongado. Um olho alongado leva à distorção do foco de luz que entra no globo ocular, causando a miopia”, explica.

Outro benefício relatado pela oftalmopediatra é que em lugares abertos, a criança usa a visão de longe, o que também é benéfico para a saúde ocular. “Vale lembrar que a recomendação de estimular atividades ao ar livre também é voltada para quem já tem a miopia instalada. Nesses casos, a ideia é prevenir o aumento do grau”, explica a especialista,

É preciso adotar cuidados com os olhos das crianças nas férias de verão que são bastante específicos. Isso porque o verão aumenta a chance de a criança desenvolver alguns problemas oculares.

Marcela Barreira elaborou 6 dicas de como garantir a diversão e manter a saúde ocular em dia.

1- Investir em óculos de natação

Nem sempre a água de piscinas, mar, rios e cachoeiras é limpa o suficiente. Em muitos casos, a água pode estar contaminada com micro-organismos que podem levar ao desenvolvimento de doenças como conjuntivite. Tanto a água de piscinas tratadas com cloro, quanto a água do mar podem causar irritação e alergias.

Por isso, a recomendação é investir em um bom óculos de natação para proteger os olhos dos pequenos durante essas atividades aquáticas. Caso a criança ou adolescente use lentes de contato, deve retirá-las para essas práticas.

2 – Óculos de sol e chapéu

Outro perigo para os olhos são os raios solares. Seja na praia ou na piscina, o ideal é que a criança use óculos de sol com proteção UVA/UVB. Procure óticas especializadas para encontrar óculos infantil.

Além dos óculos, que pode ser mais difícil para a criança aceitar, invista em bonés e chapéus para reforçar a proteção.

3 – Atenção ao aplicar o protetor solar

Apesar de ser imprescindível, o protetor solar pode causar irritação nos olhos das crianças ao ser aplicado no rosto.

Hoje, há algumas versões de protetores solares em forma de bastão, que facilita bastante essa tarefa. Para quem usar os protetores em creme ou gel, é importante ter por perto uma garrafa de água filtrada.

Isso porque, caso haja algum incidente, basta lavar os olhos da criança em abundância. Procure ainda orientar a criança a esperar o protetor secar para entrar na piscina ou mar.

4– Olho seco

Apesar de o olho seco parecer uma doença de adultos, pode afetar os pequenos também. No verão, temos ambientes com ar-condicionado, bem como com ventiladores.

Além desses fatores, as águas de piscina e dor mar também podem causar ressecamento ocular. Assim, peça ao oftalmopediatra para receitar um colírio lubrificante, caso a criança se queixa de ardência e sensação de areia nos olhos após práticas aquáticas.

5– Brinquedos perigosos

Atualmente, é comum ver as crianças usando brinquedos que se parecem com armas e espirram jatos de água. Entretanto, caso esse jato seja muito intenso e for direcionado para os olhos, podem causar um ferimento na córnea. Por isso, evite comprar esse tipo de brinquedo para a criança, bem como fique atento se há outras crianças usado por perto.

6– Cuidados extras

Como vimos, os sintomas irritativos são comuns e até esperados. Porém, sintomas como secreção com aspecto de pus, olhos grudados, coceira e inchaço das pálpebras podem indicar uma conjuntivite viral ou bacteriana. Nesses casos, o indicado é procurar um oftalmopediatra para avaliação e tratamento.

Por último, jamais use nenhum colírio nas crianças sem a prescrição médica!

Casos de miopia aumentaram na pandemia

Nos últimos anos, o aumento dos casos de miopia tem chamado a atenção dos especialistas. A principal causa é o uso prolongado dos dispositivos eletrônicos. Desde março de 2020, devido à pandemia, a incidência da miopia duplicou, passando de 11,6% a 29,6%. Essa foi a descoberta de um estudo com 1.800 crianças em Hong King, publicado no British Journal of Ophtalmology.

Outro estudo, publicado no Journal of the American Medical Association chegou a conclusões parecidas. Nessa pesquisa, os autores apontaram que em comparação com os cinco anos anteriores à 2020, a chance de uma criança desenvolver a miopia era três vezes maior.

Para Dra. Marcela, é preciso mudar alguns hábitos no dia a dia das crianças. Caso contrário, o aumento de casos de miopia será exponencial nos próximos anos.

“Tudo é uma questão de hábito. Podemos notar que nas gerações anteriores aos dispositivos móveis não havia tantos casos de miopia. Ou seja, agora precisamos mudar o hábito de passar horas nas telas, fazendo um movimento oposto ao que estamos acostumados”.

Como não é possível eliminar as telas do dia a dia das crianças, é preciso chegar num equilíbrio entre o tempo voltado para o uso dos dispositivos eletrônicos e as atividades ao ar livre, os esportes, a leitura etc. “Vale lembrar que crianças menores de 2 anos não devem ser expostas a tablets e celulares”, finaliza Dra. Marcela.

Com Assessoria

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