Doar sangue faz bem para o coração e até reduz o câncer

Ato reduz o risco de alguns tipos doenças cardíacas e até de câncer, além de promover a satisfação pessoal pela boa ação. Veja como participar do Dia Mundial do Doador de Sangue

Redação

Hoje, 16 a cada mil habitantes são doadores de sangue, no país – somente no Rio, são 155.170 doadores. O percentual corresponde a 1,6% da população brasileira e, segundo o Ministério da Saúde, está dentro dos parâmetros preconizados pela Organização Mundial da Saúde, que recomenda que de 1% a 3% da população de cada país seja doadora contínua de sangue. Apesar disso, o Brasil doa, proporcionalmente, menos que outros países da América como, Uruguai, Argentina, Cuba e EUA. Em alguns países da Europa, o índice chega a cerca de 7%. 

Do total de doadores de sangue em 2017 no Brasil, 62% são do sexo masculino e 38% são do sexo feminino. Os homens podem doar sangue de dois em dois meses, no máximo quatro vezes ao ano. Já as mulheres somente de três em três meses, com no máximo três doações anuais. Não há tipo de sangue mais importante do que outros. Todos são importantes para salvar vidas. 

Mas não é apenas para ajudar alguém que precisa que doar sangue faz bem. Além de salvar vidas, o ato promove uma série de benefícios à saúde do doador, que vai desde a redução de risco de doenças cardíacas e alguns tipos de câncer até a satisfação em promover uma boa ação.

Com o gesto nobre, ele pode se orgulhar de poder ajudar muitas pessoas em situação de risco de vida, seja para sair da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), realizar uma quimioterapia ou até mesmo se recuperar de uma cirurgia. Além disso, ele pode ter certeza que a sua saúde está adequada e que a quantidade de células de sangue será reposta ao organismo”, afirma a médica hematologista Nadia Misael, da Aliança Instituto de Oncologia.

Neste dia 14 de junho, quando é comemorado o Dia Mundial do Doador de Sangue, o médico e intensivista do Hapvida, João Rodolfo, ressalta os benefícios dessa atitude, que já foi cercada de mitos e que hoje é um procedimento simples, seguro e indolor.

O médico explica que existem estudos que comprovam que a doação de sangue reduz a viscosidade do sangue, permitindo assim, que os doadores sejam menos propensos a desenvolver doenças do coração. Sem falar que, segundo ele, o processo funciona como uma espécie de ‘limpeza sanguínea’.

O nosso sangue é produzido na medula e renovado a cada três, quatro meses. Nesse processo, de uma forma bem simbólica, é como se dentro desse período o sangue fosse para o lixo; a doação de sangue é pegar algo que é nosso, que leigamente vai para o lixo e ajudar pessoas. Um processo simples, seguro e indolor”, afirma.

doação também colabora com a redução de certos tipos de câncer. “Já houve a comprovação que a doação sanguínea promove a redução de alguns tipos de câncer pela redução oxidativos. Com a doação há uma renovação das células, com isso, as células velhas são renovadas”, ressalta João Rodolfo.

Oportunidade para fazer um mini check up

Outro benefício, conforme explicou o médico, é a possibilidade de fazer uma espécie de mini-check up, já que o doadorprecisa ser submetido a uma bateria de exames para identificação de possíveis doenças infecto-contagiosas, a exemplo de AIDS, Sífilis, Doença de Chagas, contato prévio com hepatite B e C e vírus HTLV, permitindo que o voluntário esteja mais atento à saúde.

Sem falar na satisfação de promover o bem: o sentimento de poder ajudar de uma a quatro pessoas com uma única doação. Não existe outra forma de salvar a vida de quem precisa de doação se não for doando. Dessa forma, é possível ter uma satisfação, fortalecer a autoestima e ter a sensação de felicidade”, destaca.

Levantamento realizado, em 2017, pelo Eu Dou Sangue, em parceria com o Instituto Datafolha, entrevistou 2.771 pessoas em todo o país e revelou que cerca de 92% dos brasileiros disseram não ter doado sangue entre junho de 2016 e junho de 2017.  O estudo mostra, também, que, além do recesso e do clima mais frio, feriados e dias chuvosos também impactam negativamente os hemocentros, que costumam registrar queda de 30% em seus estoques no período.

Outros dados da pesquisa chamam a atenção: 39% dos brasileiros admitem desconhecer seu tipo sanguíneo. O estudo aponta, ainda, que o desconhecimento é maior entre os homens (44%) do que entre as mulheres (35%). Entre os jovens avaliados na faixa dos 16 aos 24 anos, a maioria, 52%, não sabe precisar seu tipo sanguíneo.

A data, criada em 2014 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), visa homenagear o empenho dos doadores voluntários e conscientizar a população sobre a falta de doadores em todo o mundo. De acordo com o Hemocentro de Brasília, apenas 2,4% dos brasilienses são doadores de sangue. Em 2018, a entidade recebeu mais de 53 mil doações.

Apoio importante a quem sofre com câncer

Alguns tratamentos com radioterapia ou quimioterapia que podem afetar a medula óssea, modificando a produção de sangue, o que pode gerar quadros de anemia e níveis baixos de leucócitos e plaquetas. Há também a questão de o paciente de câncer necessitar de grande compensação sanguínea após cirurgias de alta complexidade.

médica hematologista Carla Maria Boquimpani, do  do Centro de Excelência Oncológica , ligada ao Grupo Oncoclínicas, explica pontos cruciais sobre a relação entre esse ato de solidariedade e os benefícios a tratamentos oncológicos.

  • O tratamento de vários tipos de câncer, principalmente os chamados hematológicos (conhecidos como câncer do sangue ou da medula óssea, como por exemplo leucemias, linfomas, mielomas), só é possível ser realizado por causa do suporte das transfusões sanguíneas.
  • A quimioterapia é muito agressiva e destrói as células do sangue, causando anemias graves e sangramento pela diminuição do número de hemácias (glóbulos vermelhos) e plaquetas. As transfusões de concentrados de hemácias e plaquetas impedem essas consequências do tratamento quimioterápico, permitindo que este seja realizado de maneira completa e com segurança. Também é impossível realizar o tratamento com o transplante de medula óssea sem a disponibilidade das transfusões sanguíneas.
  • Ao doar sangue, existe uma demonstração de completa solidariedade e cuidado com a vida do outro. O sangue salva a vida não só daqueles que se acidentam ou que necessitam ser submetidos a cirurgias, mas também permite o tratamento quimioterápico de pacientes com câncer que morrerão, caso o sangue não esteja disponível. Por isso, parabenizamos a todos que de forma tão solidária têm sido voluntários e compartilham amor por meio desse gesto absolutamente nobre”, finaliza Carla Maria Boquimpani.

Dois tipos de doação

De acordo com Nadia há dois tipos de doação, por aférese ou doação de sangue total. A modalidade mais comum é a doação de sangue total, na qual, é retirado cerca de 400 a 450 ml de sangue. Neste tipo, o doador não entra em contato com o anticoagulante, diferente da aférese. Essa doação é rápida, dura menos de 10 minutos, com poucos efeitos colaterais.

Menos comum, na doação por aférese o sangue do doador é processado em uma máquina, para isso, é utilizado um anticoagulante. “Nesta modalidade, é retirado um grupo específico de células, apenas as plaquetas ou hemácias”, explica.

Segundo a médica, essa doação demora um pouco, cerca de uma hora ou mais, a depender do acesso venoso do paciente. Ela acrescenta que existe o retorno para o doador de anticoagulante, por isso, alguns pacientes podem ter alguns efeitos colaterais desta medicação. São candidatos a doaçãopor aférese os doadores frequentes com bom acesso vascular.

Nadia destaca que para realizar a doação de sangue é necessária uma entrevista prévia para avaliação da saúde do doador, que precisa ter entre 16 e 69 anos e ainda pesar mais de 50 quilos. “Não é necessário jejum para a doação de sangue“, finaliza.

Atenção para períodos de baixa de estoque

Nos últimos anos, as taxas de doação de sangue apresentam-se estáveis, no Brasil. O Ministério da Saúde avalia que essa estabilidade indica um processo de conscientização da população, mas, reforça que é necessário promover e fortalecer as ações que estimulam a doaçãovoluntária para manutenção dos estoques de sangue.

O Ministério da Saúde reforça que apesar do número de doações se manter estável é preciso chamar atenção aos períodos que se tem uma baixa de estoque de sangue como férias, festas regionais, inverno e feriados prologados. “Nesses momentos, as pessoas mudam suas rotinas, viajam ou aproveitam para descansar. Então é importante fazer a doação de sangue antes de viajar ou de curtir o feriado”, ressaltou o ministro da Saúde interino, João Gabbardo.

No Brasil, em 2017, foram coletadas 3.4 milhões de bolsas de sangue e realizadas 2,8 milhões de transfusões de sangue. Estima-se que 34% dessas doações de sangue correspondem à doação de reposição, aquela que o indivíduo doa para atender à necessidade de um paciente motivado pelo serviço, família ou amigos do receptor e; 66% correspondem à doação espontânea, de acordo com os dados do Ministério da Saúde. Ainda em 2017, foram realizadas 2,8 milhões de transfusões de sangue.

Referência em doação de sangue na América Latina, Caribe e África, a experiência brasileira é utilizada em cooperações para fortalecimento da captação de doação voluntária de sangue em mais de dez países, como é o caso de Honduras, El Salvador e República.

O procedimento de doação é muito seguro para o doador. Além da sorologia, 100% do sangue coletado na rede pública de saúde também passa pelo Teste NAT, que reduz a chamada janela imunológica para HIV, Hepatite C e B, tempo em que o vírus já está presente no doador e ainda não é possível sua detecção. “Durante a entrevista que antecede a doação de sangue, que é sigilosa, é avaliado o estado de saúde do doador, visando à proteção de sua saúde e da saúde do receptor e, ainda, são utilizados produtos descartáveis no processo de doação”, explicou o coordenador-geral de Sangue e Hemoderivados, do Ministério da Saúde, Flávio Vormittag.

QUEM PODE FAZER DOAÇÃO DE SANGUE

Em 2012, o Ministério da Saúde reduziu a idade mínima de 18 para 16 anos (com autorização do responsável) e ampliou a idade máxima de 67 para 69 anos. O doador deve pesar no mínimo 50 kg e estar em bom estado de saúde geral.

Outras recomendações necessárias são: estar descansado, não ter ingerido bebidas alcoólicas nas 12 horas anteriores à doação e não estar de jejum.

A frequência máxima de doações é de 4 doações anuais para o homem e de 3 doações anuais para a mulher. O intervalo mínimo deve ser de 2 meses para os homens e de 3 meses para as mulheres.

HEMORREDE

A rede de sangue e hemoderivados (Hemorrede) do Brasil possui 32 hemocentros coordenadores e outros 2.066 serviços de hemoterapia (coleta, hemocentros regionais, hemonúcleos, unidades de coleta e transfusão, agências transfusionais) pelo SUS.

Em 2018, o Ministério da Saúde investiu R$ 1,3 milhão na Hemorrede. Os recursos foram destinados ao fortalecimento da rede nacional para a modernização das unidades, qualificação dos profissionais e processos de produção, além do fornecimento de medicamentos de alto custo a pacientes. Para 2019, o orçamento também é de R$ 1,3 milhão para garantir os serviços da rede de sangue e hemoderivados.

Junho Vermelho: campeonato de doação de sangue

O mês de junho é dedicado a campanhas de doação de sangue, no movimento que foi denominado de Junho Vermelho, com o objetivo de encorajar as pessoas a doarem sangue. “Esclarecer a importância da doação é o principal caminho. É preciso levar informação clara e objetiva sobre a doação para combater as ‘fake news’, que muitas vezes afastam os doadores’, reforça João Rodolfo.

A campanha Sangue Torcedor, realizada pela Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale) e pela Associação Brasileira de Talassemia (Abrasta), promove um campeonato brasileiro de doação de sangue.

A ação acontece no mês de junho e conta com o apoio dos maiores clubes de futebol do Brasil e também dos hemocentros das principais capitais do país. A ideia é que todas as torcidas sejam convocadas a doarem sangue pelo seu time e, claro, pelas milhares de vidas que dependem deste ato solidário de amor ao próximo.

Muitas pessoas entendem a doação de sangue como um ato isolado, direcionado para um familiar ou amigo que esteja precisando. Porém, só de pacientes com talassemia, um tipo de anemia hereditária, são mais de 800 pessoas que precisam de cerca de 4 bolsas de sangue a cada 15 ou 20 dias para sobreviver. Sem contar os milhares de pacientes com câncer que precisam realizar transfusões periódicas por conta do tratamento e das próprias complicações causadas pela doença.

As informações sobre a campanha, os times participantes e a “tabela” de doações podem ser vistos no site www.sanguetorcedor.abrale.org.br

Campanha em hospital do Rio

O Hospital Salgado Filho, no Méier, Zona Norte, realizará na terça-feira, 18 de junho, a 26ª da campanha itinerante de doação de sangue. A ação, em parceria com o Hemorio, acontece das 10h às 15h e tem o objetivo de aumentar o estoque de sangue para atender à rede pública, mobilizando pessoas do bairro e arredores.  O Hospital Municipal Salgado Filho está localizado na Rua Arquias Cordeiro, 370 – Méier.

O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) participa, pela primeira vez, da Campanha do Junho Vermelho. Para fazer referência ao Dia Mundial do Doador de Sangue, o prédio do Conselho recebe a iluminação vermelha até o fim deste mês, aderindo à iniciativa do Movimento Eu Dou Sangue.

Em Brasília, o Governo do Distrito Federal (GDF) mantém a Fundação Hemocentro, no Setor Médico Hospitalar Norte. Após uma rápida triagem e entrevista, a doação dura menos de meia hora. Depois, o Hemocentro disponibiliza um lanche reforçado para que o doador recupere as energias.

O doador também pode registrar-se no banco de dados dos doadores de medula óssea. As chances de compatibilidade de medula são muito pequenas, por essa razão é essencial formar um cadastro amplo de doadores. O cadastro só leva alguns minutos, e a doação, se necessária, requer internação por um dia. Para quem tem leucemia e outras doenças do sangue e sistema imunológico, o transplante de medula óssea pode ser a única esperança de cura.

CampanhaS em Curitiba

Para alertar a população sobre a importância deste ato, a Unimed Curitiba criou uma campanha diferente. Nas ruas, na internet e nas redes sociais, a cooperativa anuncia um novo banco: o RedBank.

Para conhecer, o público é atraído para o site da campanha por meio de peças publicitárias que divulgam atributos surreais para uma instituição financeira, como a meta de estar sempre no vermelho ou um investimento que retorna em menos de 24 horas e ainda aumenta o saldo de outras quatro pessoas.

No portal, que se apropria da aparência e da linguagem de um banco digital, as pessoas encontram uma série de informações sobre a doação de sangue, incluindo as vantagens de se tornar um doador, os locais para doar em Curitiba, o que é preciso para fazer a doação e até um termômetro que mostra como está o saldo dos bancos de sangue da cidade.

A campanha também conta com divulgação em impressos, painéis digitais localizados em pontos estratégicos da cidade, banners em portais, peças online no Youtube e em telas instaladas em academias e edifícios residenciais e comerciais, além de posts nas redes sociais da Unimed Curitiba.

Acesse www.redbank.life e conheça a campanha completa.

Para doar sangue é precis…

Doar sangue não oferece riscos ao doador porque nenhum material usado na coleta é reutilizado, eliminando assim qualquer possibilidade de contaminação. Além disso, é um procedimento simples e rápido que permite abonar o trabalho no dia da doação. E você, já doou sangue? Sabe o que é necessário para se tornar um doador?

  • Estar em boas condições de saúde;
    Apresentar documento oficial com foto;
    Estar descansado, bem alimentado e hidratado;
    Não estar em uso de medicamentos;
    Ter dormido pelo menos seis horas;
    Não praticar exercícios físicos nas 12 horas anteriores à doação;
    Evitar fumar duas horas antes da doação.

A pessoa estará impossibilitada de doar sangue se estiver

  • Com anemia, pressão alterada, arritmia cardíaca ou febre;
    Grávida ou amamentando há menos de 12 meses;
    Ingerido bebida alcoólica há menos de 12 horas da doação;
    Com menos de 50 quilos;
    Tido hepatite depois dos 10 anos de idade ou malária;
    Feito tatuagem no último ano.
Para doar sangue é necessário preencher alguns requisitos, como ter entre 16 e 69 anos no dia da doação, ter mais de 50 Kg. É necessário ainda levar um documento oficial com foto (carteira de identidade ou de motorista, passaporte, etc) e repousar na noite anterior. Caso já tenha almoçado, terá que aguardar duas horas para poder fazer a doação. É necessário não ingerir comida gordurosa algumas horas antes. Menores de 18 anos precisam de autorização dos responsáveis legais e idosos só poderão doar caso já tenham feito anteriormente.
Quem teve alguma doença respiratória anteriormente deverá aguardar uma semana após o fim dos sintomas. Pessoas que fizeram tatuagem ou colocaram piercings e mulheres em fase de amamentação deverão aguardar um ano para poder doarsangue. Já quem tenha alguma doença transmissível não poderá participar. Os doadores poderão receber declaração e atestado médico para apresentar no trabalho.
Da Redação, com Assessorias

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