Doula na hora do parto ajuda a reduzir taxas de cesárea

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Neste Dia Nacional da Gestante, celebrado em 15 de agosto, vamos falar dos cuidados que cercam as grávidas no momento mais importante: o parto. Dos mimos que geralmente recebem durante os nove meses de gestação até a mesa fria de uma sala de cirurgia, onde nasce boa parte dos bebês que vêm ao mundo, em meio a dúvidas e incertezas especialmente daquelas ‘mãerinheiras’ de primeira viagem. A gravidez é um momento único e de alegria na vida de um casal, mas pode ser também uma fase delicada do ponto de vista emocional, de constante angústia, ansiedade e insegurança, especialmente na hora do parto. Por isso, o apoio da família e amigos se torna essencial.

Antigamente, o suporte na hora do parto era feito por mulheres mais experientes como mães, irmãs mais velhas ou vizinhas – pessoas que já vivenciaram esta situação. Mas este tipo de convívio e comprometimento reduziram bastante nos últimos anos. Atualmente, o parto está sob responsabilidade da esfera médica e cada integrante da equipe especializada possui uma função, e sem total dedicação à futura mamãe.

Esse ambiente mais, digamos, impessoal e menos afetivo na hora de dar à luz se explica pelo alto índice de cesáreas. Hoje, cerca de três milhões de partos anuais são realizados no Brasil  e mais de 50% com intervenção cirúrgica. Na rede privada, o número de cesáreas chega a 84%, enquanto na rede pública o percentual é menor: 40%. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que as taxas sejam de 10% a 15%.  A prática vai ao encontro das diretrizes do programa Humaniza SUS – Política Nacional de Humanização do Governo Federal.

Diante deste cenário, quem se responsabiliza por cuidar do conforto e do emocional da gestante na hora H? Essa lacuna pode e deve ser preenchida pela doula. Pesquisas recentes apontam que a atuação da doula no parto pode reduzir em 50% as taxas de cesárea; 20% a duração do trabalho de parto; 60% os pedidos de anestesia; 40% o uso da ocitocina sintética (hormônio artificial que promove contrações); e 40% o uso instrumentos como o fórceps e o vácuo extrator.

Recentemente, o Ministério da Saúde lançou uma lista de recomendações para humanizar o parto normal e reduzir as intervenções, que incluem a presença de doulas e de acompanhante, além de métodos de alívio para a dor, como massagens, banhos quentes e imersão na água, e de permitir à mulher a posição que ela preferir durante o parto.

“As recomendações do Ministério apenas reforçam a importância do trabalho das doulas no atual cenário do país e da liberdade de escolha das grávidas. Um parto saudável depende do bem estar das pessoas envolvidas”, afirma Janaína Gentili, formada em doulagem pelo Grupo de Apoio à Maternidade Ativa e personal organizer de quarto infantil.

A especialista destaca que o trabalho busca humanizar o parto e amenizar a indiferença do atendimento hospitalar. “A assistência pode ser feita desde a organização do quarto infantil, da mala da maternidade, do plano de parto, até a amamentação. Na hora do parto, por exemplo, ajudamos na escolha de posições que possam reduzir as dores e aplicamos técnicas que aumentam a dilatação. Para evitar anestesias, as opções são exercícios, massagens relaxantes e banhos”, explica.

Janaína, que é advogada, especializada em Direito Cível, membro do IBDFAM e trabalha com mulheres usuárias do SUS, bem como as da rede privada na cidade do Rio de Janeiro, reforça: “Apesar de lidar diretamente com a grávida, a doula não realiza qualquer procedimento médico ou exames. Não substituímos qualquer equipe obstétrica”.

Seu objetivo é dar total apoio a mãe e ao bebê, mas acaba sendo também um suporte ao acompanhante escolhido livremente, pela mulher grávida. Neste período, atua como uma interface entre a equipe de atendimento e o casal, esclarecendo os termos técnicos de difícil entendimento e orientando sobre o que deve esperar antes, durante e após o parto.

Como lidar com a gestação de forma mais tranquila

A maternidade é um momento único na vida de cada mulher, tanto para as mães de primeira viagem, quanto para as que já viveram essa experiência. Na maioria das vezes, a gravidez é descoberta por meio de um simples teste de farmácia e, na sequência, uma explosão de sentimentos já inunda o coração da futura mamãe. Tudo vai se transformando, o rostinho do bebê começa a habitar os sonhos, o corpo demonstra alterações visíveis, hormônios em plena ebulição, as dúvidas começam a surgir, as incertezas e medos começam a aparecer.

O ideal nesse momento é manter a calma e procurar profissionais qualificados, que orientem a futura mamãe, além de se concentrar no que será preciso fazer. “Após anunciar a chegada do bebê, é indispensável que a gestante inicie o mais precocemente possível o pré-natal. É necessário acompanhar a gravidez de perto desde o início pois, quando temos a presença de especialistas que acolham de forma integral, o caminho até o nascimento se torna mais prazeroso e conseguimos evitar complicações”, orienta Francine Branco, supervisora da Promoção à Saúde do Sepaco Autogestão.

É nessa fase que a gestante compreende a importância e a responsabilidade que está chegando, junto com a nova vida que está dentro de si, totalmente dependente de seus cuidados. Agora, dois corações batem juntos ligando duas vidas que, por um tempo, serão apenas uma, conectadas pelo cordão umbilical. “A gestação dura, em média, entre 39 e 42 semanas justamente para a mulher se preparar para tudo que está por vir: o cuidado com a alimentação saudável, preparo para o parto, exercícios próprios para cada fase gestacional e cuidados com o recém-nascido. Neste período, é comum buscar ajuda de profissionais habilitados”, explica Francine.

Pensando nessas mamães, o Hospital Sepaco, membro do Programa Parto Adequado, disponibiliza em seu site o espaço Sou Gestante, que traz respostas às inúmeras dúvidas dos temas ligados a este momento único e marcante na vida da mulher. No portal, também há diversas dicas importantes do que é ou não recomendado neste período, ensina a lidar com os bebês nas primeiras semanas, além de informações sobre o Curso de Orientação à Gestante e a Visita Assistida à Maternidade.

Fonte: Grupo de Apoio à Maternidade Ativa e Hospital Sepaco, com Redação

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