É hora de trocar de plano de saúde?

Benefício pode pesar no bolso após ANS autorizar cobrança de reajuste suspenso em 2020. Entenda a questão e conheça algumas alternativas

Plano de saúde é o terceiro maior desejo do brasileiro, indica pesquisa do Ibope, mas em ano de pandemia, com crise na área da saúde e reflexos negativos na economia, com comprometimento de renda de boa parte da população, os brasileiros têm mais um motivo para se preocupar. 2021 mal começou e com ele o boleto do reajuste do plano de saúde. A partir de janeiro, os beneficiários dos planos de saúde serão cobrados pelos reajustes congelados ao longo do ano passado.

Em razão da pandemia da Covid-19, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) suspendeu os reajustes anuais e por mudança de faixa etária de planos de saúde que seriam efetuados no período de setembro a dezembro de 2020. Fora o aumento na mensalidade de janeiro, os usuários terão de pagar pelo período em que esse reajuste estava suspenso, de forma separada e em até 12 meses.

O reajuste aumenta significativamente os valores das parcelas, o que afeta diretamente o bolso dos usuários desses planos. As operadoras de planos de saúde divulgaram reajustes que chegam a 25%, alguns quase dobrando o valor da mensalidade. Esse aumento não poderia ter chegado em pior momento, quando os casos de Covid-19 voltaram a subir no país, e notificação da segunda onda da infecção.

Entenda os reajustes e como tentar reduzir a conta

Os reajustes obedecem limites e regras estabelecidos previamente em contratos, mas em geral fica em 8,14% sobre os planos individuais e de 15% sobre os planos coletivos, que simbolizam 81% dos usuários. De acordo com Alessandro Acayaba de Toledo, advogado especializado em Direito na Saúde, o reajuste médio aplicado pelas administradoras nos contratos que venceram em 2020 e estão sendo aplicados somente em 2021 ficou em 15,3%, após as negociações com as operadoras, e o valor médio pago pelos beneficiários é de R$ 837.

Houve um adiamento dos reajustes que seriam realizados para compensar os gastos das operadoras no período anterior. Com isso, neste ano podemos ter a cobrança de dois reajustes anuais, o que depende da data base da sua aplicação a ser considerada pelas operadoras”, explica o advogado, que também é presidente da Associação Nacional das Administradoras de Benefícios (ANAB).

A entidade orientou as empresas do segmento a criarem alternativas para os consumidores. Até o momento, há pelo menos 20 novos produtos criados para atender aquele consumidor que deseja manter o benefício, mas com preços mais acessíveis após o reajuste que está sendo aplicado em 2021. Segundo ele, a redução dos valores normalmente se dá pela oferta de redes credenciadas de alcance regional, com foco em necessidades locais; e também por parcerias com operadoras verticalizadas – que possuem seus próprios locais de atendimento ao paciente.

As nossas empresas associadas estão atuando para orientar os consumidores a fazerem seus cálculos e optarem por alternativas muito próximas ao produto que já dispunham e, assim, manter o plano de saúde, que é tão importante, sobretudo em meio a uma pandemia”, destaca Alessandro.

O que olhar na hora de contratar um plano de saúde

Antes de contratar outro plano de saúde é importante o consumidor saber que há três tipos de planos: plano individual ou familiar, plano coletivo empresarial e plano coletivo por adesão. O consumidor deve avaliar as características de cada plano, como preço, cobertura e solidez da operadora. Caso sua opção seja a contratação de plano coletivo, haverá necessariamente uma pessoa jurídica que defenda seus interesses, a empresa, a entidade de classe ou uma administradora de benefícios.

O consumidor deve levar em consideração o custo do plano e fazer comparações, conferir a cobertura, a área de abrangência e a rede médica hospitalar mais adequada ao seu perfil de utilização. Todos os planos de saúde têm regras estabelecidas pela ANS. Os planos individuais possuem o percentual de reajuste definido pelo órgão regulador e os planos coletivos obedecem à livre negociação entre as partes jurídicas, dentro dos limites e regras estabelecidos previstos em normas e nos contratos firmados entre a operadora e as Empresas, Associações de Classe ou Sindicatos, devendo ser comunicado à ANS.

Das mais de 210 milhões de pessoas que residem no Brasil, 47,1 milhões possuem um plano de saúde privado – pouco menos de 25% da população. Os planos são divididos em três categorias: coletivo empresarial, coletivo por adesão e individual ou familiar. Na prática, os planos de saúde são destinados a dois públicos: pessoas físicas, aqueles que contratam o plano por conta própria, e pessoas jurídicas, aquele em que o plano é um benefício oferecido pela empresa em que trabalham ou entidade de classe a que pertençam.

Atenção à faixa etária é importante

Além dos reajustes anuais, pode haver também para alguns beneficiários o reajuste por mudança de faixa etária, que contabiliza o uso mais frequente do plano à medida que a pessoa tem idade avançada. As idades em que devem ocorrer aumento de mensalidade variam conforme a data de aquisição dos planos. Nos contratos celebrados até janeiro de 1999, prevalece o que foi estabelecido na época. Planos a partir de janeiro de 1999 até 1º de janeiro de 2004 possuem 7 faixas, sendo a primeira faixa entre 0 a 17 anos e a última faixa com 70 anos ou mais.

Contratos firmados após 1º de janeiro de 2004 contém 10 faixas, sendo a primeira entre 0 a 18 anos e a última com 69 anos ou mais. A Resolução Normativa ANS nº 63/2003 determina que o valor fixado para a última faixa etária não pode ser superior a seis vezes o valor da primeira faixa (0 a 18). O contrato do plano de saúde tem que conter o percentual de aumento previamente estabelecido para cada mudança de faixa etária.

As regras de reajuste por variação de faixa etária são as mesmas para os planos de saúde individuais, familiares ou planos coletivos empresariais ou por adesão – que são voltados para profissionais associados a instituições de classe ou sindicatos.

Outros esclarecimentos importantes

– Caso o beneficiário tenha cancelado o plano após setembro de 2020, ele receberá a cobrança do valor referente à diferença que deixou de ser cobrada no ano passado.

– O consumidor deve receber um extrato com os esclarecimentos do que está pagando, especialmente com relação ao reajuste.

– Se o contrato prever utilizar outros meios de pagamento, como cartão de crédito, o mesmo poderá ser usado para pagar o saldo devedor referente ao reajuste de 2020 postergado.

– Ainda não foi esclarecido pela ANS se os reajustes de 2021 serão também adiados, para evitar que os beneficiários tenham dois reajustes acumulados para o mesmo ano, logo após a crise econômica gerada pela pandemia. As administradoras sugerem que essa hipótese seja considerada pela ANS.

– O cálculo do reajuste considera, entre vários fatores, a sinistralidade, ou seja, o quanto a mais do que o previsto os beneficiários usaram de serviços de saúde, a inflação médica, que tem sido até 4 vezes maior do que o IPCA por conta dos equipamentos importados, e os novos procedimentos e medicamentos incluídos obrigatoriamente nos planos pela ANS.

Telemedicina e healthtechs são alternativa

Sem investimentos que tornem a saúde pública um serviço de qualidade e um privado assistencial com preços muitos altos, a população recorre ao atendimento particular. Mas mesmo em clínicas com atendimento popular, onde uma consulta gira em torno de R$ 200,00, o valor ainda fica caro para grande parte da população. Para atender esse público, as empresas que desenvolveram serviços de Telemedicina ganharam destaque. Com um atendimento online, evitando deslocamentos e risco de contágio, e ainda, com preços acessíveis, o atendimento virtual virou uma realidade para grande parte dos brasileiros.

Nesse cenário, as healthtechs passam a ter um papel de destaque, uma vez que oferecem serviços de qualidade com preços mais competitivos em relação às grandes operadoras. A Sami, por exemplo, uma operadora de planos de saúde que nasceu 100% digital, oferece planos voltados para empresas de pequeno porte e profissionais liberais de São Paulo com mensalidades a partir de R$ 172 (valor para a faixa etária de 0 a 18 anos. Para pessoas de 19 a 38 anos os valores ficam entre R$ 198 e R$ 287).

Já o Grupo de Telemedicina Iron, apresentou um aumento de 25% na procura por atendimento nos últimos dois meses, todos relacionados a suspeita de Covid19. “Com as festas de final de ano, a tendência é que tenhamos um aumento de 30% ainda em Janeiro e Fevereiro por conta das aglomerações”, explica Jorge Ferro, CEO da Iron.

Segundo ele, cada vez mais, aumenta a certeza de que o serviço do atendimento médico online veio para ficar. Além dos casos emergenciais, a Telemedicina é aliada na continuidade de tratamentos essenciais para a população. “Do ponto de vista social, a telemedicina tem um significado maior ainda, uma vez que mudou a forma de entregar saúde trazendo maior equidade e democratização do cuidado”, finaliza o empresário.

Solução para planos empresariais

Segundo informações da ANS, 67,5% da saúde suplementar no Brasil são formadas por planos coletivos empresariais. Diferente dos individuais, o reajuste dos planos coletivos com mais de 29 pessoas é calculado com base na livre negociação entre operadoras e contratantes. E isso pode ser uma dor de cabeça para as empresas neste início do ano.

Pipo Saúde promete otimizar e facilitar a relação do RH de empresas com planos e auxílios de saúde. Diferentemente de uma simples corretora de saúde, a startup de gestão de benefícios pode ser considerada como uma empresa aliada do departamento de recursos humanos, resolvendo tanto a compra quanto a gestão de benefícios. “A empresa auxilia na contratação de um plano que supra as necessidades do colaborador, assim, as operadoras aumentam os valores de reajuste por uso de serviços extras em ocasiões específicas”, explica a CEO Manoela Mitchell.

Além de negociar com os planos, a empresa promove a importância de ter um benefício que se adeque às necessidades dos funcionários para evitar gastos e aumentos desnecessários. Afinal, esse é o momento certo de fazer a troca e evitar um reajuste abusivo? Como escolher o novo plano de saúde empresarial? A startup fez um levantamento dos principais pontos de gastos com planos de saúde empresariais.

Maioria dos usuários de planos vem de empresas

Um fato conhecido por muitos é que a saúde é o segundo maior custo nas empresas, ficando atrás apenas da folha de pagamento. Em 2010, o então CEO da Starbucks, Howard Schultz disse: “Nós gastamos mais com saúde do que com café!”. O que é um benefício essencial e indispensável para o funcionário, muitas vezes pode ser uma dor de cabeça para as empresas. Mas por que será que apesar de inúmeros esforços os custos da saúde nas empresas continua subindo tanto?

Quando pesquisamos o porquê desse aumento nos deparamos com ações que podem ser feitas para que o custo diminua, mas não os reais motivos. O valor do reajuste sofre alterações tendo como base a utilização dos serviços pelos colaboradores, ou seja, quanto mais os funcionários utilizam o benefício, mais o preço sobe. Isso é chamado de sinistralidade dos planos de saúde. Além disso, a variação do custo médico hospitalar (VCMH), também conhecida como inflação médica, é a medida usada pelas operadoras de planos e seguros de saúde para aplicar o reajuste anual nos contratos com as empresas.

Segundo o Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) o valor mais recente desse índice foi de 14,2% (calculado em Setembro/2019), que ficou muito acima da inflação no período, de 2,9%. Em relação a distribuição dos custos em saúde, as internações hospitalares lideram a composição dos custos com assistência à saúde, sendo geralmente responsáveis por 50 a 60% do sinistro. A outra metade da conta é dividida entre:

Exames Subsidiários (15-20%) – como exames de laboratório, exames de imagem – Ultrassom, Tomografia, Ressonância magnética, entre outros;
Consultas ambulatoriais (8-10%);
Pronto-Socorro (8-10%) – Visitas à emergência podem desencadear exames e procedimentos que podem ser agrupados na mesma conta;
Terapias (2-5%);
Outros (2-5%) – Procedimentos e pequenas cirurgias ambulatoriais.

O papel das administradoras de benefícios

A ANAB reúne 80% do mercado de administradoras de benefícios empresariais e por adesão, fazendo a gestão e comercialização de planos de saúde coletivos, em que o benefício é vinculado a alguma empresa ou entidade de classe a que o consumidor pertença. De acordo com a ANS, há 168 administradoras de benefícios cadastradas no país e 6,2 milhões de clientes possuem planos da modalidade coletivo por adesão, sendo que cerca de 3 milhões contam com a atuação de uma administradora de benefícios.

De 2012 a 2020, as administradoras atuaram em defesa do consumidor de plano de saúde na negociação dos reajustes anuais com as operadoras, justamente por representarem grupos maiores de beneficiários, tendo maior poder de barganha. Levantamento da ANAB aponta que, nos últimos oito anos, a diferença entre o valor pedido pelas operadoras para o reajuste anual e o efetivamente cobrado dos clientes das administradoras de benefícios foi de R$ 6 bilhões. Uma redução de 54%, gerando uma economia mensal por beneficiário de R$ 131, mostrou o estudo.

Com Assessorias

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