É infarto ou injúria miocárdica?

Cardiologistas discutem quarta denominação para o infarto do miocárdio. Evento traz novidades tecnológicas no tratamento das doenças do coração

Redação

Algumas doenças e tratamentos podem “machucar” o coração, como a miocardite, a pneumonia e a quimioterapia. Recentemente, a Sociedade Europeia de Cardiologia publicou a 4ª Definição Universal do Infarto do Miocárdio. Essa nova classificação auxilia a diferenciar a injúria miocárdica do infarto. Mas o que muda com a essa nova definição na rotina dos médicos cardiologistas?

O tema é um dos destaques do 36º Congresso de Cardiologia da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro (Socerj), de 8 a 10 de maio, no Centro de Convenções SulAmérica, na Cidade Nova. O evento reúne dois mil especialistas, entre eles médicos de São Paulo e do interior do Estado do Rio.

“A injúria miocárdica é uma lesão cardíaca que se difere do infarto. Ela aparece em outros cenários de doenças como miocardite, insuficiência cardíaca aguda, arritmias, embolia pulmonar, entre outras.  O tratamento depende da causa. Cada paciente terá um tratamento diferente conforme a doença que causa a injúria. Como a sensibilidade do diagnóstico de infarto hoje é mais refinada, foi preciso criar uma quarta definição para o problema para que a injúria cardíaca não fosse entendida como um infarto”, explica o presidente do Congresso,  Claudio Catharina.

Como tratar a insuficiência cardíaca, que afeta tantas pessoas no mundo? Como ficará a relação entre médico e paciente com a inteligência artificial? Como ser cardiologista no século XXI? Essas também são algumas das questões que serão respondidas por especialistas no evento. O uso de dispositivos móveis relacionados ao monitoramento da saúde por meio de aplicativos e gadgets, e as redes sociais usadas para promoção da saúde também estarão em pauta no evento.

Diretor científico da Socerj, Claudio Tinoco vai abordar os grandes desafios que se abrem para o médico. “É importante acompanhar os avanços da inteligência artificial, debater a privacidade do paciente e do médico nesse contexto, assim como a medicina de precisão com medicamentos customizados ao paciente, a robótica, a genética e, o que considero o maior desafio da nossa especialidade, como manter a medicina essencialmente uma atividade humana”, pondera.

A mesa-redonda Cardiologia 4.0 e o mundo digital debaterá o uso de dispositivos móveis relacionados ao monitoramento da saúde por meio de aplicativos e gadgets, as redes sociais usadas para promoção da saúde e como o videogame pode ser um fator positivo para o coração. Na ocasião, o cardiologista Fabrício Braga vai abordar os principais aplicativos usados para a prática da atividade física como o Qardio, que monitora a saúde do coração, e o Strava, usado para rastrear exercícios de corrida e ciclismo, ambos têm como principal vantagem a acessibilidade e a possibilidade de acompanhar sua evolução.

Novo tratamento para fibrilação atrial

Quem tem fibrilação atrial, o tipo de arritmia mais comum da prática clínica, e teve infarto deve tomar diferentes combinações de medicamentos para afinar o sangue e impedir eventos isquêmicos e tromboembólicos. No entanto, essas medicações aumentam muito o risco de sangramento.
Apresentado em março no Congresso Americano de Cardiologia, o estudo Augustus, publicado no mesmo período no New England Journal of Medicine, vai mudar a orientação do tratamento de fibrilação atrial, o tipo de arritmia mais comum. O médico Renato Lopes, investigador principal do estudo e professor da divisão de cardiologia da Duke University Medical Center, fala pela primeira vez sobre essa pesquisa na Conferência de Abertura e no Simpósio Socerj/Duke Univeristy.

Novas drogas que reduzem risco cardíaco

As novas drogas no tratamento da diabetes e a redução do risco cardíaco são temas que englobam a Jornada de Cardiometabolismo. Uma das consequências da diabetes é a doença cardíaca e uma das novidades a serem debatidas é o tratamento com inibidores de SGLT2 e análogos de GLP1, que diminuem a incidência do infarto e da insuficiência cardíaca nos pacientes diabéticos. Essas duas classes de tratamentos estão disponíveis no Brasil, mas ainda não no SUS.

Dr. Renato Lopes também vai abordar seu recente estudo publicado no JAMA que descobriu que apenas 8,5% das diretrizes americanas e 14,2% das europeias provêm de estudos de nível de evidência A.

Além disso, haverá debates sobre as novas diretrizes de hipertensão – brasileira, americana e europeia, que apresentam pontos em comum e divergências. Enquanto a diretriz americana recomenda o tratamento de forma mais precoce, a europeia e a brasileira divergem. Trata-se de um dilema mundial, uma vez que os estudos ainda são conflitantes.

Fonte: Socerj, com Redação

 

 

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