É possível prevenir o câncer com exercício físico

Após diagnóstico, paciente não deve interromper atividade física, para garantir resultados no tratamento

Rosayne Macedo

Com a correria do dia a dia, as pessoas estão dando menos atenção à quantidade de exercícios físicos que o corpo necessita.  Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2015, divulgados no ano passado, mostraram que menos de 40% dos brasileiros costumam fazer algum exercício físico com regularidade. O resultado disso vai muito além de problemas como obesidade e doenças cardiovasculares. Não praticar atividade física pode contribuir, inclusive, para o desenvolvimento do câncer.

O alerta para lembrar os dias mundiais da Atividade Física (6 de abril), da Saúde (7 de abril) e de Luta contra o Câncer (8 de abril) é ancorado em estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS). Os dados mostram que 80% dos casos de surgimento de tumores malignos estão relacionados ao nosso modo de vida. E o sedentarismo é um dos principais protagonistas destas estatísticas. Pesquisa realizada recentemente pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) aponta que a prática frequente de atividade física pode reduzir o risco de desenvolvimento de 26 tipos de câncer.

A recomendação da OMS é que pessoas de 18 a 64 anos pratiquem pelo menos 150 minutos de exercícios moderados por semana – ou, em média, pouco mais de 20 minutos por dia. Isso significa que pequenos ajustes na rotina, como caminhar pequenas distâncias, aderir à bicicleta como opção de transporte ou subir e descer escadas ao invés de usar o elevador, podem colaborar para afastar a grande maioria dos fatores de risco que levam ao surgimento da doença.

Sedentarismo, sobrepeso/obesidade e consumo excessivo de gorduras podem ser classificados como ‘vilões’ que respondem, em especial, pela elevação no risco de desenvolvimento de tumores que afetam intestino, endométrio, próstata, pâncreas e mama” (Daniel Gimenes, oncologista do Centro Paulista de Oncologia (CPO) – Grupo Oncoclínicas).

6 bons motivos para iniciar uma atividade física

‘Suporte extra para combater o inimigo’ 

O incentivo à prática constante de exercícios físicos e ingestão de alimentos saudáveis surge não apenas como iniciativa essencial para frear os índices aumentados da doença como também forma de potencializar o processo de tratamento para pessoas com câncer. “Uma série de estudos científicos sugere que indivíduos que praticam atividade física e seguem uma dieta equilibrada têm melhores respostas às terapêuticas e, portanto, apresentam taxa de sobrevivência maior taxas de sobrevivência maior cinco anos após o diagnóstico”, afirma o oncologista do CPO.

Para o Dr. Daniel, é preciso lembrar o diagnóstico de câncer não deve ser atrelado à interrupção da prática de exercícios físicos, um dos mitos que cerca a doença. O movimento regular do corpo exerce um papel preponderante para a saúde do paciente e evolução positiva do tratamento. “É importante oferecer a oportunidade de 150 minutos de atividade física semanal, ou seja, 20 minutos por dia. A prática faz com que sejam eliminadas do sangue as moléculas de gordura, chamadas de lipídios, que servem como forma de alimento para as células tumorais. Isso significa que os exercícios dão um suporte extra para que o corpo possa combater o inimigo, reduzindo suas chances de crescimento”, afirma o Dr. Daniel.

Exercícios evitam recidiva da doença

Ainda de acordo com ele, tais benefícios oncológicos derivados de exercícios contribuem para a diminuição no risco de recidiva da doença. “Ao colaborar para o controle e redução de peso, o paciente estará também reduzindo as chances de retorno do tumor, já que o sobrepeso e a obesidade são fatores que levam à maior chance de recidiva”, frisa o Dr. Daniel.

Outro ponto importante é que a atividade física pode proporcionar a melhora da autoestima. Contudo, o especialista lembra que a prática não substituí o uso de medicamentos específicos para controle da doença, devendo ser entendido como um aliado.

Consideramos os exercícios como um complemento dos tratamentos convencionais de quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia e/ou cirurgia”, afirma o especialista.

Caminhada, corrida, bicicleta, dança e yoga

Essa melhora nos índices de resposta contra tumores pode ser obtida a partir de mudanças leves na rotina com a adoção de atividades aeróbicas simples, como caminhada, corrida, bicicleta e dança, por exemplo. Outras formas de movimento do corpo como a yoga também são recomendadas. “A prática de movimentos libera substâncias como a endorfina, hormônio responsável pela sensação de bem-estar, além de contribuir efetivamente para a redução das dores crônicas, fadiga, estresse e melhora no sono”, diz o oncologista do CPO.

Dr. Daniel destaca que, embora a atividade física seja importante durante o tratamento de câncer, é essencial que seja praticada respeitando as limitações individuais. “Se a pessoa está sedentária durante anos, não é recomendado que comece com um treino pesado. Todo movimento é benéfico ao corpo e cabe à equipe multidisciplinar envolvida nos cuidados com o paciente orientar sobre as opções adequadas conforme o histórico pessoal, finaliza.

Resposta é ainda maior no câncer de mama

Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontam que serão registrados 600 mil novos casos diagnósticos da condição em 2018. Entre eles, está o de mama, neoplasia que mais atinge a população feminina no Brasil. Estima-se que em 2018 serão registrados 60 mil novos casos da doença, o que faz do câncer de mama o mais prevalente entre as brasileiras, correspondendo a 28% de todos os casos diagnosticados da condição.

Segundo Daniel Gimenes, é preciso lembrar que mesmo após o diagnóstico de câncer de mama, os exercícios físicos exercem um papel preponderante para a saúde da mulher e evolução positiva do tratamento. “O incentivo à prática constante de atividades físicas e ingestão de alimentos saudáveis surgem não apenas como iniciativas essenciais para frear os índices aumentados da doença como também forma de potencializar o processo de tratamento para mulheres com câncer de mama. Pesquisas científicas sugerem que indivíduos com esse perfil apresentam taxas de sobrevivência maior ao câncer cinco anos após o diagnóstico”, diz o especialista.

Prevenção: benefício de mãe para filha

Uma análise realizada por pesquisadores norte-americanos, divulgada pelo jornal científico Carcinogenesis, lançou luz sobre mais um dos benefícios da prática de atividades aeróbicas à saúde. Segundo o estudo liderado pelo Memorial Sloan Ketterin Cancer Centre (NY), Universidade do Colorado e Universidade de Michigan, a prática constante de exercícios promove uma alteração nas células que também é transmitida de mãe para filha que leva à redução no risco de desenvolver câncer de mama. Isso significa que, mesmo sem praticar exercícios, as “herdeiras” recebem uma importante contribuição genética “fitness” que contribui para evitar o surgimento de tumores malignos.

Para chegar a essa conclusão, os especialistas realizaram testes em famílias de ratos, considerando o histórico de dois grupos: fêmeas provenientes de mães com alto desempenho nas esteiras de exercícios e fêmeas de mães com baixo desempenho aeróbico. O resultado das análises apontou que os animais cujo histórico familiar estava relacionado ao menor desempenho em atividades físicas tinham quatro vezes mais propensão a desenvolver câncer de mama e, diante do surgimento da doença, também tiveram maior número de tumores. Eles também tendiam a apresentar a condição mais cedo em comparação aos ratos de famílias ‘fitness’

“O estudo considerou apenas a análise de ratos, mas as descobertas relacionadas aos benefícios dos movimentos aeróbicos como herança genética que reduz os riscos de câncer de mama não apenas para a pessoa, mas para seus descendentes diretos também, aponta para uma nova Era no entendimento do valor dos exercícios físicos. Esses efeitos sobre a herança de saúde guardada em nosso DNA”, ressalta o Dr. Daniel.

Fonte: Centro Paulista de Oncologia (CPO) – Grupo Oncoclínicas

 

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