Pele também sofre os danos causados pelo estresse: entenda esse efeito

Dermatologista explica os efeitos nocivos do estresse à pele, que pode causar ou agravar casos de psoríase, acne e dermatite atópica

Redação
Imagem de Sharon McCutcheon por Pixabay

Uma pesquisa conduzida por psicólogos e psiquiatras em Nova York, Texas e no Canadá avaliou o impacto da pandemia do novo coronavírus e o isolamento social na saúde mental de mais de 6,8 mil pessoas. O estudo aponta que 28% relatam ansiedade elevada e 22% apresentam sintomas depressivos significativos causados pelo estresse.

Caracterizado por um estado de alerta, que provoca reações físicas e emocionais, o estresse não é apenas um estado emocional, mas um importante mecanismo fisiológico de sobrevivência. O problema acontece quando esse estado se torna crônico, o que torna o organismo mais vulnerável a doenças.

Além de aumentar o risco de problemas cardiovasculares, como hipertensão e infarto, e afetar o sistema imunológico, o estresse traz efeitos negativos na pele. Picos de estresse podem ser o gatilho para o surgimento ou agravamento de problemas como a dermatite atópica, psoríase, urticária, vitiligo, acne e até mesmo enfraquecimento e queda de cabelo.

Há ainda estudos que relacionam o estresse com o envelhecimento precoce. Olheiras, bolsas debaixo dos olhos, rugas. É na pele que aparecem as primeiras consequências visíveis do estresse prolongado. Outro agravante é que o estresse não vem sozinho. Sono de baixa qualidade e alimentação ruim tendem a vir acompanhados desse quadro.

São alterações que modificam a produção hormonal e a barreira protetora da pele, tornando-a mais suscetível a alergias, assim como também pode afetar a produção das glândulas sebáceas e agravar a acne”, exemplifica a dermatologista Hellisse Bastos (foto abaixo).

A médica dermatologista Hellisse Bastos lista os tipos de doenças de pele que podem ser causadas por estresse (Foto: Divulgação)

Como o hormônio do estresse age prejudicando a pele

Uma pesquisa publicada na revista científica Inflamm Allergy Drug Targets mostrou que a liberação constante de cortisol causada pelo estresse crônico pode causar atrofia cutânea e a diminuição do número de fibroblastos, colágeno e elastina. Os fibroblastos são as células responsáveis pela síntese de substâncias como colágeno e elastina, responsáveis pela elasticidade aos tecidos, causando a firmeza da peleproteína.

A diminuição de fibroblastos e do colágeno também reduz a resistência, não só da pele, mas também dos demais tecidos que se tornam flácidos. As pálpebras são as áreas mais afetadas do rosto, devido a sua anatomia, já que a pele mais fina do corpo está na pálpebra”, explica Ana Carolina Chociai, cirurgiã plástica que atua na área de rejuvenescimento facial.

Cirurgiã plástica Ana Carolina Chociai explica os estragos que o hormônio do estresse provoca na pele (Foto: Divulgação)

O hormônio do estresse também está associado ao aparecimento de rugas. “O aumento na liberação de adrenalina ocasiona menor reparação celular, assim como geram mais radicais livres, ambos associados ao processo de envelhecimento”, pontua a dermatologista. 

Área dos olhos é afetada, causando envelhecimento precoce

Com o envelhecimento natural, e agora impulsionado pela pandemia, a perda de colágeno da região dos olhos promove um aspecto flácido das pálpebras que pode ser corrigido e postergar uma blefaroplastia. O procedimento prevê uma abordagem completa dos tecidos moles periorbitários (olheiras) tratando além da pele, músculos e ligamentos que também perdem a elasticidade e a firmeza durante o processo de envelhecimento”, explica a especialista.

Segundo ela, uma blefaroplastia entre os 40-50 anos implicará em necessidade de um novo procedimento ao longo da vida, tendo em vista que a expectativa de vida só aumenta e a recidiva de flacidez é certa, o laser permite um tratamento seguro e eficaz contra a flacidez das pálpebras”, completa a cirurgiã.


Espinha na fase adulta? Você pode estar estressado



Dermatologista explica como situações de tensão podem atingir a pele

Coceiras pelo corpo, vermelhidão, aparecimento de espinhas, caspa. Você sabia que todas essas alterações podem aparecer devido ao estresse? Segundo a dermatologista Gina Matzenbacher, da Clínica Leger, situações de estresse são gatilhos para o aparecimento de dermatites e acne.

“A dermatite seborreica, atópica e a disidrose são as mais comuns em situações estressantes, apesar de existirem outras”, comenta. Por estarem diretamente relacionadas ao fator psicológico, os casos de lesões na pele cresceram muito durante o período da quarentena.

Se você já sofreu ou sofre com essas situações, a doutora Gina dá dicas de como tratá-las. Confira a seguir:

Situações de estresse podem causar dermatites na pele? Por quê?

Sim, algumas situações de estresse podem causar dermatites na pele, inclusive o estresse é o principal gatilho de algumas dermatites. As que mais vemos no consultório é a dermatite seborreica, vulgarmente conhecida como caspa, que pode acontecer no couro cabeludo, no rosto, no tronco anterior e nas costas. Outra dermatite comum com o estresse é a dermatite atópica, que é mais frequente em crianças, podendo surgir nos primeiros meses de vida. E outra situação que é bem comum, e às vezes as pessoas não sabem que é proveniente do estresse, é a disidrose, que são pequenas vesículas que se rompem, formando leves escamações. Podem coçar ou não, depende de cada indivíduo.

Como essas alergias podem se manifestar em cada região do corpo?

A dermatite seborreica, a dermatite atópica e a disidrose são as mais causadas pelo estresse do nosso dia a dia, apesar de existirem outras. A seborreica acontece no couro cabeludo, na região das sobrancelhas e dos cílios e na área nasal. No homem, é comum na região da barba. Também pode acontecer dentro do ouvido ou atrás da orelha. A dermatite atópica aparece na criança principalmente nas bochechas, barriga, braços e pernas. No adulto, ela é mais comum nas dobras do braço e atrás dos joelhos. E a disidrose acontece nas palmas das mãos e plantas dos pés.

Quais os tratamentos indicados nessas situações? Existe um tratamento específico para cada tipo de dermatite?

Os tratamentos variam de acordo com o diagnóstico e são completamente diferentes para cada tipo e cada caso. Para a dermatite seborreica, são indicados xampu e loções anticaspa. Na dermatite atópica, o foco maior são os anti-inflamatórios tópicos e a hidratação. O banho com sabonete é um dos piores inimigos da dermatite atópica. Para tratar a dermatite disidrótica, são aconselhados anti-inflamatórios tópicos em casos coceira, e apenas hidratação, quando não há coceira.

O inverno pode fazer com que essas alergias piorem? Como se proteger?

O inverno tem forte relação com a dermatite atópica, já que o frio piora as lesões, especialmente por causa dos banhos mais quentes e da menor exposição ao sol. Mas a principal relação é com a dermatite seborreica. Independentemente de situações de estresse, a caspa piora no frio. Para se proteger no inverno, é importante aumentar a hidratação do corpo, diminuir o uso de sabonetes, porque eles ressecam a pele, e procurar fazer banhos mais curtos e com água morna, mais para fria. Quem tem caspa deve usar xampu específico diariamente.

É verdade que cravos e espinhas, comuns na adolescência, podem surgir na fase adulta por excesso de tensão? Qual o tratamento indicado? Como prevenir que isso aconteça?

A acne é uma doença que tem relação com estresse. Isso acontece por causa da liberação do cortisol, que é o hormônio do estresse. E o cortisol tem relação na gênese da acne. Por essa situação, a acne piora com o estresse não só em adolescentes, mas principalmente na vida adulta, principalmente entre mulheres. Vale lembrar que a acne é uma doença multifatorial e que o estresse vai agir na piora do quadro. A prevenção é manter o tratamento da pele, seja oleosa ou acneica, com produtos orientados pelo dermatologista. Quanto ao estresse, em alguns casos a psicoterapia está associada ao tratamento.

Efeitos do estresse no cabelo

No cabelo, por exemplo, o cortisol em excesso promove a vasoconstrição das raízes, encurtando a fase de crescimento capilar devido à falta de sangue e nutrientes para os fios, um processo conhecido como eflúvio telógeno. É em picos de estresse que também ocorrem danos permanentes às células produtoras de melanina (pigmento do cabelo) e a perda da cor dos cabelos pode ser permanente, segundo pesquisa conduzida em Harvard e publicada na edição de janeiro na Nature.



Neste momento, trabalhamos em equipe para a manutenção integrada da saúde do paciente. No caso dos cabelos, o primeiro passo quando se verifica a queda de cabelo é marcar uma consulta com o médico dermatologista que fará a tricoscopia e o diagnóstico, já que muitas doenças podem resultar na queda dos fios”, comenta Chociai.

PREVENÇÃO – Com o avanço da tecnologia e da medicina voltada à beleza, hoje é possível buscar tratamentos para prevenir o envelhecimento e buscar o rejuvenescimento com aspecto natural. Dentre os procedimentos utilizados com esse objetivo existem as já conhecidas aplicações de ácido hialurônico, bioestimuladores de colágeno e também tecnologias novas como o laser de ultra performance.

Segundo a médica Ana Carolina Chociai, o ideal é durante uma consulta realizar uma avaliação minuciosa de todas as camadas da face, desde a estrutura óssea até a pele. “Atualmente temos várias opções de tratamento de rejuvenescimento e mesmo estratégias pré-envelhecimento, chamadas de beautification ou positive aging. A indicação depende de cada caso e dependerá da avaliação médica”, completa.

PESQUISA E TECNOLOGIAS – A cirurgiã de Curitiba é também pesquisadora e precursora de uma técnica lançada neste ano que busca o rejuvenescimento da região das pálpebras sem cirurgia. O estudo apresentado e publicado na revista científica Lasers in Surgery and Medicine servirá como base para aplicação da técnica batizada de Eyelift em todo o mundo.

3 doenças de pele causadas pelo desequilíbrio emocional

Dra Hellisse Bastos destacou algumas doenças que podem se desencadear desse desequilíbrio emocional:

Psoríase

Reconhecida por lesões avermelhadas e descamativas, a Psoríase é uma doença inflamatória que tem o estresse como fator agravante. “O fator genético é, geralmente, a causa das lesões, mas é ao se submeter a níveis de estresse constantes que as crises da doença podem surgir”, elucida Dra. Hellisse Bastos. 

Dermatite atópica

Nessa condição, a camada protetora da pele é alterada, o que causa sintomas como infecções cutâneas, alergia e coceira. No quadro de estresse, essa barreira protetora sofre ainda mais baixas, já que há redução na produção e diferenciação das células que compõem essa camada protetora, favorecendo a doença, aponta a dermatologista. 

Acne

No caso da acne, o aumento de Cortisol causa alteração nos hormônios androgênios, que acabam acionando as glândulas sebáceas, que por sua vez, liberam óleos na pele e causam espinhas e cravos. “Além disso, um Cortisol alterado associado a uma má alimentação, também são catalisadores do problemas. Cuidados como evitar espremer e lavar o rosto com os produtos adequados devem ser tomados. Caso a situação se agrave, o dermatologista deve ser acionado para um tratamento mais profundo da causa”, aponta Dra. Hellisse Bastos.

Fonte: médica dermatologista Hellisse Bastos

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