Em vez de fantasias, EPIs para ‘comissão de frente’ à covid-19

Costureiras de 16 escolas de samba do Rio começam a produzir capotes, aventais e máscaras para no tratamento de pacientes da Covid-19

Na escola de samba Unidos de Padre Miguel, trabalho de costureiras começa neste domingo (5) - Foto: Divulgação

Acostumadas a fazer fantasias para brilhar no Carnaval da Sapucaí, costureiras de 14 escolas de samba do Rio de Janeiro receberam uma missão diferente: confeccionar capotes, aventais e máscaras descartáveis para médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde que estão na linha de frente do combate ao novo coronavírus.

Para se ter uma ideia, só no Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, referência para tratamento da Covid-19, chegam a ser utilizados por dia 2 mil capotes – que são parte dos equipamentos de proteção individual (EPI). Por ser um material descartável, é necessária a reposição constante dos estoques.

A Prefeitura do Rio – que declaradamente vinha tendo embates com o mundo do samba – anunciou no sábado (4) que fez encomendas de capotes a duas escolas de samba – Unidos de Padre Miguel e Acadêmicos de Vila Isabel. As costureiras já começam a colocar a mão na massa neste domingo (5) e, já na segunda-feira (6), a primeira remessa será distribuída às unidades da RioSaúde, empresa pública municipal que coordena a ação.

Dois dias depois, a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) confirmou que também coordena uma ação com as 12 escolas do Grupo Especial, além da União da Ilha e Estácio de Sá (que desfilaram em 2020 na elite da folia), para produção de aventais para rede pública de saúde e máscaras para comunidades das agremiações no combate à covid-19. A coordenação da Liesa envolve também o contato com fornecedores que possam contribuir com os insumos para a produção.

Consultamos todas as escolas e a adesão foi unânime. É uma força-tarefa. Algumas já estão produzindo máscaras, doando cestas básicas e material de higiene pessoal. Todas vão participar da produção de máscaras e aventais”, disse o presidente da Liesa, Jorge Castanheira, ao site ‘Carnavalesco’.

RioSaúde coordena ação

A ideia de usar a mão-de-obra das costureiras do samba para produzir capotes para a rede municipal de saúde surgiu da dificuldade de comprar o material no mercado neste momento. O presidente da RioSaúde, Marcelo Roseira, espera ampliar o leque de ateliês de escolas de samba nesse apoio.

Essa é uma demonstração de capacidade criativa da empresa na gestão da saúde. Diante da dificuldade de conseguir a quantidade necessária de capotes no mercado, nos reinventamos em busca de soluções e encontramos acolhida já em duas escolas de samba, a quem muito agradecemos por entrar conosco nessa empreitada”, disse.

A Unidos de Padre Miguel recebeu no sábado (4) 18 rolos do tecido específico, descrito nas normas técnicas (TNT de gramatura 30), num total de cerca de 2 mil metros. A RioSaúde fornecerá a matéria-prima, além de máscaras e álcool em gel para que as costureiras façam a proteção e higienização das mãos antes de manusear o tecido.

Estamos colocando nosso principal ateliê à disposição, com seis a sete costureiras trabalhando, que são da própria comunidade. Elas já viram que o modelo é simples de fazer, então vamos conseguir costurar uma boa quantidade. Temos máquina industrial, poderemos cortar até 100 moldes por vez”, disse o presidente da Padre Miguel, Lenílson Leal.

Diretora executiva assistencial da RioSaúde, Eneida Reis assumiu a missão de procurar as escolas. O primeiro contato foi por meio do coordenador médico da UPA João XXIII, Fabiano Simplício, integrante da Unidos de Padre Miguel. “Segunda-feira receberemos mais tecido de uma empresa, que está fazendo uma doação e vamos levar para o barracão da Unidos de Vila Isabel, nossa outra parceira”, diz Eneida.

Para quem costura para o Carnaval, fazer os capotes será moleza. A escola sempre ajuda os cariocas com várias ações sociais e não ia deixar de abraçar essa causa”, disse o presidente da Vila, Fernando Fernandes, que colocará seis costureiras encarregadas da missão.

 

Pelo menos 70 costureiras serão envolvidas

Segundo Castanheira, a orientação para a confecção dos EPIs vem de médicos do Hospital do Fundão (UFRJ), da Fiocruz, além da Secretaria Municipal de Saúde, para identificar os insumos necessários e os modelos para produção. Algumas escolas vão utilizar seus barracões para produção, outras preferem usar pontos mais próximos das comunidades ou suas quadras. 7

Estamos buscando soluções para diminuirmos o impacto do vírus. A ideia é ter seis costureiras por escola (um total que poderá passar de 80 nas 14 escolas). A Liesa vai dar uma remuneração básica. Isso por 30 dias e vamos vendo a demanda e necessidade de todas. Já temos instruções de voluntários, médicos, que querem ajudar para desenvolvermos os aventais e máscaras”, explicou.

O presidente da Liesa frisou a importância do uso das máscaras, após a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde. “A máscara é uma forma de proteger a gente e as outras pessoas. Esse momento é crucial para trabalharmos juntos nessa força-tarefa e ajudarmos quem nos ajuda o ano inteiro. É o momento de darmos as mãos e sairmos dessa crise. Para não deixarmos a população sofrer um impacto maior. As escolas e os sambistas sempre são solidários”, afirmou Jorge Castanheira.

Com SMS-RJ e Site Carnavalesco

 

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