Epidemia de fake news favorece oportunistas

Grupos de whatsapp ainda usam imagens e notícias falsas sobre coronavírus. ViDA & Ação seleciona alguns serviços importantes para esclarecer a população

Rosayne Macedo

Durante as primeiras 24 horas do alerta máximo para a prevenção do coronavírus em todo o Brasil, uma enxurrada de notícias falsas começou a tomar conta de nossos feeds de notícias ou na palma da nossa mão. Rapidamente, o vírus da fake news se espalhou.

Uma das mensagens apócrifas, escrita em letras garrafais, que circulou no whattsapp, começava com a frase ‘COPIAR COLAR OS SINTOMAS DO CORONAVIRUS’ e ao final recomendava: ‘FAVOR ENVIAR ESTA MENSAGEM PARA FAMÍLIA, AMIGOS E COLABORADORES’. No conteúdo, bobagens como ‘Este novo vírus não é resistente ao calor e será morto a uma temperatura de apenas 26/27 Celsius. Odeia o sol.”

E em meio ao caos da ignorância imposto pelas fake news, estava montado o palco (ou seria o circo) para “especialistas” (ou oportunistas em busca de seus 15 segundos de fama?) no Covid-19 começarem a se manifestar. Teve até “especialista” que chegou a sugerir em grupo de mães que ninguém tomasse remédio para febre, um dos sintomas do vírus, citando e até printando recomendações médicas divulgadas em contextos anteriores!!!

A “especialista” ignora até mesmo uma das recomendações descritas inclusive pelo Ministério da Saúde: “Também é importante que as pessoas comprem antecipadamente e tenham em suas residências medicamentos para a redução da febre, como ibuprofeno e paracetamol, controle da tosse, como xaropes e pastilhas, além de medicamentos de uso contínuo” – veja mais aqui.

Serviços gratuitos (e úteis) para a população

De carona no corona, empresas aproveitaram para vender seus serviços. Recebemos no email da Redação do ViDA & Ação  avisos de propaganda desde empresas de tecnologia divulgando autocoleta domiciliar, teste rápido para detectar o Covid-19 e terapia online para tratar o pânico até operadora de celular ampliando internet na banda larga de casa, pontos públicos de Wi-Fi e planos móveis durante a quarentena. Pelo menos 80% dos mais de 100 emails que recebo diariamente com sugestões de pauta e releases têm como gancho o coronavírus.

Mas nem só de fake news, pânico e oportunismo vivem as redes sociais. Felizmente. Muitas pessoas compartilharam o guia preparado pelo jornal O Globo, tirando dúvidas sobre a doença. O material, em linguagem simples e design colorido e atraente, mostra como diferenciar os sintomas da Covid-19 com os de uma gripe comum e descobrir o que é verdade e o que é desinformação sobre o vírus. Veja aqui.

Outra iniciativa foi o aplicativo do SUS para comunicar informações sobre o COVID-19. O novo app promete ainda realizar uma triagem virtual, indicando se é necessário ou não a ida a hospitais. Testei, mas não tive muito sucesso – estava lento demais e travando, talvez pelo excesso de downloads. Saiba como baixar no Android  e no iOS.

Em vídeo no Canal Pensar Direito, o advogado Bruno Cabral tira dúvidas sobre o decreto do governador Wilson Witzel, direito do consumidor, impactos sofridos, relação de consumo, o que fazer diante de cancelamentos de viagens e eventos e outras informações. Ele lembra também que o Tribunal de Justiça do Estado do Rio suspendeu a tramitação de, com todos os prazos processuais suspensos, e seus funcionários vão trabalhar em regime de home office.

Uma das melhores postagens do dia foi, sem dúvida, o esclarecimento da neurocientista Claudia Feitosa Santana (@claudiafeitosasantana ) no canal “Casa do Saber” do YouTube, que abre esta matéria. “As pessoas estão reagindo de duas formas distintas que não ajudam: muitas pessoas negam o problema ou entram em pânico. Não precisamos entrar em pânico. O pânico é absolutamente inútil. A ciência hoje é completamente diferente do que era em outras epidemias”, afirma.

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A profecia

Para o jornalista Roberto Barbosa, “a pandemia do coronavírus está promovendo um revival de Raul Seixas”. Ele lembrou que circula pelas redes sociais e grupos de Whatsapp clipes e áudios com sua canção “O Dia em que a terra parou”. No Youtube, foram várias montagens diferentes (veja uma delas abaixo).

A letra faz um panorama imaginário das pessoas reclusas, como agora, nesses tempos de Coronavírus. Interessante observar que nos tempos sombrios da ditadura, Raul chegou a ser preso e torturado por conta da música “Sociedade alternativa”. Mas ele não era propriamente um subversivo. Raul Seixas, na verdade, era profético”, escreveu.