Escolha de modelo plus size para capa de revista abre polêmica

Médico que operou André Marques e Leandro Hassum critica exposição de imagens de obesos mórbidos quem, segundo ele, funciona como estímulo e incentivo ao descuido com a saúde

Redação
tess-holliday A modelo plus size Tess Holiday foi escolhida para capa da Cosmopolitan de outubro (Foto: Reprodução de Internet)

Em tempos de empoderamento feminino e de combate a combate à gordofobia, surge uma nova polêmica. A Revista Cosmopolitan, do Reino Unido elegeu a modelo plus-size Tess Holliday para estampar a capa do mês de outubro. A decisão tem recebido uma avalanche de críticas pela escolha de uma mulher de 130 kg e igual onda de defesa do direito e importância da representatividade de mulheres acima do peso.

Para além da questão estética, da moda e de comportamento; há uma preocupação no âmbito da saúde. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) são 400 milhões de obesos no mundo, número que vem crescendo ano após ano, configurando uma epidemia.

Responsável pelo tratamento dos atores André Marques e Leandro Hassum, o especialista em tratamento de obesidade eautor do livro referência ‘Obesity Surgery’, alerta que é importante haver representatividade na mídia, mas é preciso tomar cuidado para que imagens de obesos mórbidos não sejam usadas como estímulo e incentivo ao descuido com a saúde. Ele comparou o caso à restrição da propaganda de cigarros no Brasil, que ajudou a reduzir o número de fumantes;

“Há até pouco tempo, a imagem associada a um ‘homem viril e forte’ era em cima de um cavalo, barba por fazer e fumando um cigarro de marca famosa. Nós, profissionais de saúde, mostramos como esse conceito fazia mal para milhões de pessoas e nossa campanha deu certo. Propagandas de cigarro mostrando pessoas saudáveis, atléticas e cheias de disposição foram banidas. Vale lembrar que o ator da publicidade em questão morreu de câncer de pulmão”, destaca.

Referência no Brasil em cirurgia bariátrica, o médico, que acompanha o sofrimento de milhares de pessoas em decorrência dos problemas que a obesidade mórbida acarreta, destaca ainda que liberdade e a imagem que cada um quer ter de si próprio é um valor que ninguém pode interferir.

“Se a capa tem esse sentido, tudo bem. Mas a ‘menina obesa’ da revista de moda é jovem e provavelmente ainda não desenvolveu doenças importantes associadas à obesidade (ou nunca investigou). A imagem de uma pessoa obesa nunca deve ser associada à saúde, porque está diretamente relacionada a uma possibilidade grande de doenças futuras”, afirma. Doenças como diabetes, hipertensão, câncer e cardiopatias.

O médico ressalta ainda que, tão importante quanto discutir o rompimento de padrões de beleza limitantes e incentivar os pacientes a buscar a autoestima e aceitação pessoal, é o cuidado com a saúde: “Como cidadão, respeito e admiro todos os tipos de beleza e incentivo minhas pacientes a buscar a autoestima e aceitação pessoal. Mas como médico, tenho que orientar e mostrar as consequências de ser obeso mórbido… E elas são terríveis”.

Mortes por obesidade triplicam no Brasil em 10 anos

O número de brasileiros mortos por complicações diretamente relacionadas à obesidade triplicou em um período de dez anos no país, revela levantamento inédito feito pelo Estadão Dados com base em informações do Datasus. Em 2001, 808 mortes tiveram a doença como uma das causas. Em 2011, último dado disponível, o número passou para 2.390, crescimento de 196%.

Há quase 25 anos, ao sair da faculdade, Cid Pitombo foi para os Estados Unidos se especializar em cirurgia laparoscópica. Voltou ao Brasil cinco anos depois para aprender sobre cirurgias da obesidade e, ao final do mestrado e doutorado, rodou grandes centros de cirurgia bariátrica nos EUA. Logo percebeu que os conhecimentos sobre laparoscopia e obesidade eram uma área a ser explorada.

Juntou-se aos grandes nomes da cirurgia bariátrica, experimentou diferentes técnicas, operou e deu aulas em diversos países e se tornou referência no Brasil em cirurgia bariátrica por videolaparoscopia, técnica que utiliza em todas as unidades em que opera. O procedimento é menos invasivo e proporciona recuperação mais rápida do paciente.

 

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