Estado do Rio troca secretário de Saúde em plena pandemia

Atrasos e denúncias em obras dos hospitais de campanha motivaram saída de Edmar Santos,, que passa a compor conselho de notáveis

Redação
Novo secretário de Saúde do Rio com o governador (Foto: Divulgação)
Problemas na entrega dos leitos prometidos desde fevereiro levaram à queda do secretário estadual de Saúde do Rio de Janeiro. Em nota, o governo informou que a saída foi motivada “por falhas na gestão de infraestrutura dos hospitais de campanha para atender as vítimas da Covid-19”. Edmar Santos deixa o cargo na segunda-feira (18) e passa a dirigir uma “comissão de notáveis no enfrentamento à pandemia do coronavírus”,  como novo secretário extraordinário de Acompanhamento das Ações Governamentais Integradas da Covid-19.
Fernando Ferry,  diretor-geral do Hospital Universitário Gaffrée Guinle, é o novo secretário.  Clínico-geral e especialista em HIV-Aids, ele foi professor associado de Clínica Médica e Aids da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). A decisão foi anunciada após reunião de Ferry com o governador Wilson Witzel na tarde deste domingo.
Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UFRJ), Ferry foi professor de Histologia e Embriologia na Universidade Gama Filho, na Universidade de Barra Mansa e na UFRJ. O novo secretário também é graduado em Medicina Veterinária e Técnica Agropecuária pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Ele é doutor e mestre em Parasitologia Veterinária também pela UFRRJ.

Mais rigor na supervisão das obras de hospitais de campanha

Foi instalado na tarde desta segunda-feira (18/05) o Comitê de Supervisão dos Hospitais de Campanha, que dará suporte à Secretaria de Saúde na fiscalização da estrutura montada pelo Estado, em caráter emergencial, para o atendimento às vítimas da Covid-19.
Coordenado pelo vice-governador Cláudio Castro, o comitê tem a participação das seguintes secretarias: Governo, Casa Civil, Saúde, Infraestrutura e Obras e Defesa Civil, além da Procuradoria Geral do Estado e da Controladoria Geral do Estado.
O comitê vai fiscalizar em todos os aspectos os contratos com a organização social Iabas para administração dos hospitais de campanha do Maracanã, de São Gonçalo, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Casimiro de Abreu, Nova Friburgo e Campos dos Goytacazes.
A primeira reunião com a direção do Iabas foi realizada na noite desta segunda-feira. O comitê cobrou dos dirigentes da empresa explicações para os atrasos das obras de montagem dos hospitais, exigiu o cumprimento dos cronogramas estipulados e a entrega dos equipamentos previstos em contrato no prazo mais breve possível.

Plano de abertura de leitos em 48 horas

O superintendente do Iabas, Hélcio Watanabe, se retratou de alguns problemas nas obras e se comprometeu a apresentar um plano imediato e concreto de abertura de leitos em cada unidade em até 48 horas.
O comitê tem o objetivo de dar todo o apoio necessário à Secretaria de Saúde para que a gente possa superar este momento de crise. Não podemos deixar que existam leitos não utilizados nesses hospitais de campanha enquanto há gente morrendo de coronavírus”,  disse o vice-governador Cláudio Castro.
Foram formados grupos de trabalho para coordenar a fiscalização dos hospitais de campanha nas áreas de construção e manutenção dos hospitais; serviços terceirizados; locação de equipamentos; compra de equipamentos; recursos humanos e regulação de leitos. O contrato de gestão firmado com o Iabas para a administração desses hospitais, que já foi revisto, será usado como base para a cobrança de qualidade no atendimento às vítimas da pandemia do coronavírus.
Para auxiliar a Saúde, foram designadas equipes de engenharia da Secretaria de Infraestrutura, policiais e agentes da Operação Lei Seca e do programa Segurança Presente, auditores da Controladoria Geral do Estado, além de técnicos da Secretaria de Saúde, que vão exigir o cumprimento de especificações técnicas previstas em contrato.
Atualizado em 18 de maio de 2020 às 22h