Estimulação magnética ajuda a tratar Alzheimer

Rosayne Macedo

Com mais de um milhão de idosos vítimas no Brasil, o Mal de Alzheimer é a principal causa de demência, correspondendo de 50% a 70% do total de casos. A doença pode ser considerada como o “modelo” das demências e é a causa contra a qual é feito o diagnóstico diferencial.

Especialistas chamam a atenção para o tamanho e complexidade do desafio da demência, além das dificuldades de diagnóstico e tratamento da doença, que já afeta 35 milhões de pessoas em todo mundo.

O quadro torna-se ainda uma questão de saúde pública, ao considerarmos que são registrado por ano 7 milhões de novos casos – o que representa um novo caso a cada quatro segundos.
“Podemos dizer que, no envelhecimento normal, a memória fica mais lenta, enquanto nas demências, ela desaparece. Neste sentido, nas demências, a informação dificilmente é recuperada, detalhes não ajudam e há interferência nas atividades diárias”, explica Paulo Bertolucci, chefe do Setor de Neurologia do Comportamento da Escola Paulista de Medicina (Unifesp).
Um diagnóstico precoce das demências não só prolonga a saúde e a autonomia dos idosos, mas também possibilita a aplicação eficaz de novas intervenções terapêuticas, como a estimulação magnética transcraniana (EMT).

Estudos recentes mostram que a estimulação magnética tem grande eficácia no aumento da capacidade cognitiva (memória e atenção). Além disso, é uma estratégia reconhecida no tratamento da depressão, doença muito presente em pacientes que sofrem com demência.

No método, determinadas partes do cérebro são estimuladas por meio da variação de um campo magnético, modificando e equilibrando atividades cerebrais. É um procedimento não invasivo, indolor e seguro, que pode ser realizado no próprio consultório médico, com poucos efeitos colaterais.

No Brasil, a técnica é liberada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2006 e recomendada pelo Conselho Federal de Medicina para o tratamento de depressão e esquizofrenia desde 2012. No entanto, sua utilidade terapêutica para outros distúrbios neurológicos e psiquiátricos já vem sendo apontada em diversos artigos e pesquisas.

Dúvidas ainda cercam a doença

Diversas dúvidas e questões ainda cercam a Doença de Alzheimer. Por exemplo, nem sempre o primeiro sinal é a perda de memória. Como a doença é um transtorno neurodegenerativo, provoca declínio também em outras funções intelectuais, como raciocínio, senso crítico e discernimento.
Para o paciente planejar-se para uma atividade ou vestir-se de acordo com a estação se tornam tarefas bem mais difíceis. No entanto, os sintomas, a gravidade e a velocidade da doença variam em cada indivíduo.
Além disso, o problema não está necessariamente relacionado à hereditariedade. Em 95% dos casos, ele aparece de forma esporádica, após os 60 anos, e não tem relação estabelecida com a genética. Já o aparecimento precoce do Alzheimer em adultos de meia-idade costuma, sim, estar associado a fatores hereditários.
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