Estimulador promete aliviar a dor crônica e reduzir uso de remédios

Redação

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Cerca de 35% dos adultos ao redor do mundo sofrem com algum tipo de dor crônica, que perduram por três meses ou mais. No Brasil, estima-se que 60 milhões de pessoas sofram do problema e que 30 milhões (50%) tenham a rotina seriamente comprometida. Quem sofre de dor crônica, daquelas que consomem a pessoa por meses, às vezes anos, toparia fazer qualquer negócio para se ver livre do incômodo, certo? Agora imagina implantar uma espécie de “marcapasso”na coluna vertebral, que produza ondas elétricas mais rápidas que a dor, conseguindo assim, inibi-la?

É o que fez na última terça-feira (4) o ​farmacêutico ​Daniel Biasin, de 58 anos, na tentativa de por fim a quatro anos de sofrimento diário, com dores intensas nos pés, 24 horas por dia. Ele se tornou um dos primeiros brasileiros a receber o novo implante do Stimwave Freedom, primeira versão sem fio dos estimuladores medulares. A novidade chega ao Brasil e será apresentada em Campinas (SP), entre 7 e 9 de julho, durante o 4º Congresso da Sociedade Brasileira de Médicos Intervencionistas em Dor (Sobramid).

Veja como funciona o aparelho

Daniel nunca se ausentou da farmácia que dirige por conta da dor, mas já teve que sair mais cedo diversas vezes e não consegue andar com tênis ou sapatos por mais de 20 metros. Por causa isso, leva sempre um chinelo onde vai. Abalado emocionalmente, ele já teve episódios de esquecimento que atribui às muitas medicações que ​já ​tomou (analgésicos, corticoides etc).

O farmacêutico chegou a fazer uma operação nas vértebras, em 2013, por conta de fascite plantar e neuroma de Morton, lesão que acometeu o nervo do pé direito. Após a cirurgia, a dor melhorou parcialmente. Ele recebeu o diagnóstico de síndrome dolorosa complexa regional, que causa dor ao toque, com alteração da temperatura e coloração da perna. Foi então submetido a um bloqueio simpático lombar. Também passou por outra série de procedimentos no pé, como radiofrequência, aplicação de ultrassom, mas nada ofereceu uma evolução satisfatória.

A cirurgia para implante do novo dispositivo foi realizada na clínica Singular, em Campinas, o primeiro centro brasileiro de tratamento da dor a conquistar o “International Pain Excellence Award”, um reconhecimento à excelência no tratamento da dor, concedido pelo Instituto Mundial da Dor (World Pain Institute – WIP). “Nesses casos de dores neuropáticas o eletrodo tem grande indicação”, afirma o anestesista Charles de Oliveira, um dos primeiros brasileiros a receber o título fellow of interventional pain practice (FIPP). Para obtenção é preciso se submeter a uma prova escrita, com 100 questões; outra, oral (discutir dois casos); e realizar quatro procedimentos.

Saiba mais sobre o dispositivo

O pequeno dispositivo emite sinais na região onde está implantado na coluna vertebral. Os aparelhos são 95% menores que os tradicionais, requerem uma cirurgia muito menos invasiva e permitem a realização de exames como ressonância magnética. Eles causam uma sensação tátil, como um toque ou formigamento. A técnica promete diminuir sensivelmente o uso de medicamentos.

Geralmente implantados sob anestesia local e sedação, os estimuladores medulares tradicionais são compostos por um eletrodo, bateria e uma extensão que une esses componentes. O eletrodo é inserido na coluna vertebral e a bateria fixada mais superficialmente, próximo ao osso ilíaco, no final da coluna — da mesma forma que é instalada a de um marcapasso. A versão wireless, 95% menor, possui apenas o sistema de eletrodos.

Os impulsos são emitidos por um gerador acoplado a um cinto externo, que é posicionado sobre uma pequena antena implantada no corpo do usuário. Como não há a necessidade de estabelecer ligações diretas entre o gerador e os eletrodos, é possível colocar terminais também nos nervos periféricos, próximo à região onde a dor ocorre — e não somente na coluna.

Outra vantagem da nova versão é a bateria, também externa, que elimina os riscos associados aos materiais que seriam implantados no corpo do paciente e não impede a realização de exames de ressonância magnética. Cada conjunto vem com duas, para que uma possa ser carregada na tomada enquanto a outra está em uso, eliminando a necessidade de interromper as atividades até o processo ser completado. Ambos os tipos de neuroestimuladores vêm com controles remotos para o usuário fazer os ajustes de acordo com a sua necessidade.

Principais indicações

– Neuropatia diabética

– Dor do membro fantasma

– Angina (dor no peito) refratária

– Dor secundária da doença vascular periférica

– Neuralgia pós-herpética

– Síndrome pós-laminectomia

Contraindicações

– Pessoas com infecção sistêmica ou que usam anticoagulantes.

Cirurgia

– Cerca de 1 hora de duração, com anestesia local e sedação

– O paciente é liberado no dia seguinte e pode retomar as atividades normalmente

– A única recomendação é evitar movimentos de rotação intensos, como os realizados em práticas esportivas, nas três primeiras semanas após o procedimento.

-Antes do procedimento há um período de testes obrigatório, de 3 a 7 dias, para que o usuário verificar se consegue adaptar-se ao aparelho.

– A bateria tem autonomia de 24 horas, com vida útil de 10 anos.

Sobre o evento

As principais referências nacionais e internacionais no tratamento de dor crônica estarão reunidas durante o 4ª Congresso da Sociedade Brasileira de Médicos Intervencionistas em Dor (Sobramid), em Campinas, entre 7 e 9 de julho. A programação conta com mais de 50 atividades, entre as quais as apresentações de 13 palestrantes estrangeiros e a realização de nove procedimentos cirúrgicos ao vivo, que acontecem no dia 6 de junho, véspera da abertura do evento.

Mais informações: https://www.congressosobramid.com.br/

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