Lactose: será que você tem mesmo intolerância?

Rosayne Macedo

LACTOSE

Em 2015, fiz uma dieta detox e uma das recomendações da nutricionista foi eliminar a lactose, junto com o glúten. De lá para cá, passei a dar preferência ao leite sem lactose, o que, na minha opinião, é até mais saboroso que o leite comum, especialmente o desnatado, que costumava usar. Se tenho ou não intolerância, só um exame poderia confirmar. Mas o fato é que consumir produtos sem lactose me ajudaram a regular melhor o meu intestino, reduzindo o desconforto abdominal.

No final de janeiro, a Anvisa divulgou normas para as empresas informarem a presença de lactose nos rótulos. Dados apontam que mais de 40% da população mundial possuem algum nível de intolerância à lactose e isso reforça a importância de passar por uma avaliação médica para identificar se a pessoa precisa mesmo restringir o alimento ou não.

Geralmente diagnosticada na infância, a intolerância à lactose – o açúcar presente no leite de origem animal – também pode se desenvolver em adultos. Os sintomas variam para cada indivíduo, assim como a intensidade. O desconforto costuma aparecer até duas horas após a ingestão da substância e o motivo é o fato de que muitos, após uma determinada idade, diminuem a produção de uma enzima chamada lactase, que atua diretamente na digestão da lactose. De um modo geral, os intolerantes à lactose podem experimentar dores abdominais, diarreia, náuseas, vômito e distensão abdominal.

Mas como saber se, de fato, você sofre de intolerância e, portanto, deve cortar alimentos com lactose do cardápio? A rede Lafe está realizando, desde janeiro, um exame que permite descobrir se você sofre do problema. O teste é realizado pela comparação de dois exames de sangue: o primeiro é coletado em jejum e o segundo, duas horas após a ingestão de um copo de leite, dentro do próprio laboratório. O exame avalia a alteração na taxa de glicose. Nos indivíduos intolerantes, a taxa não sofre alteração. Isso acontece porque a lactose, quando digerida pelo organismo, é quebrada em duas enzimas: a glicose e galactose. O exame custa apenas R$ 35 e pode ser feito nas unidades Gávea, Ipanema I, Tijuca, Botafogo, Leblon, Nova Iguaçu I e Icaraí (Niterói).

Sheila sentia a barriga distendida com o leite. Cortou a lactose e hoje se sente melhor (Foto: Acervo pessoal)
Sheila sentia a barriga distendida com o leite. Cortou a lactose e hoje se sente melhor (Foto: Acervo pessoal)

‘Cortei a lactose e não passou mal mais’

Após se submeter a um teste rápido na rede de laboratórios Lafe, a enfermeira Sheila Maron Sauer, de 27 anos, descobriu que sofria de intolerância à lactose no início do ano passado. “Passei a vida inteira bebendo muito leite (todos os dias) e comendo seus derivados! Sempre sentia a minha barriga fazendo uns barulhos (borborigmo), mas não achava que tivesse alguma coisa de errado com isso! Achava que era normal! Ao final de 2015, comecei a sentir minha barriga muito estufada e comecei a ter episódios de diarreia! Até que, por conta de muito trabalho, passei uma semana sem beber leite, pois não tinha tempo para ir ao mercado para comprar”, conta ela.

Quando teve uma folga, ela comprou e tomou. “Foi o pior dia da minha vida! Tive muita diarreia e vômito! Ali, vi que tinha algo de errado! Marquei uma consulta com a gastro. Fui diagnosticada no início de 2016. Ela me passou uma medicação, que poderia ser usada quando eu fosse comer algo com lactose. No começo, a medicação fazia efeito: tomava o remédio, comia e tudo certo! Mas com o tempo, mesmo com a medicação, estava sentindo os sintomas de barriga muito distendida, muitos gases, diarreia e muitas dores na barriga”, relembra.

Foi aí que ela procurou a clínica da Patrícia Davidson, em dezembro 2016, e conheceu a nutricionista Gabriela França. “Fizemos uns testes na primeira consulta e a intolerância a lactose apareceu! A Gabriela foi ótima, pois me orientou com outros alimentos que poderia comer, que eu não fazia ideia, pois sempre fui muito apegada às coisas que gostava. Não procurava experimentar outros alimentos e tinha uma alimentação nada saudável!”, conta Sheila.

No começo foi difícil. “Montamos o meu plano alimentar e precisei mudar completamente a alimentação, retirar meus alimentos preferidos e começar uma alimentação completamente diferente da que estava habituada! Mas a força de vontade é tudo! Abri a minha mente e comecei a experimentar tudo novo e a retirar todos os alimentos que me faziam mal! Hoje em dia sou outra pessoa! Minha alimentação melhorou muito e não passo mal mais! E não tenho mais vontade de comer nada do que comia antes, pois me adaptei com os novos alimentos. Logo eu, que nunca me imaginei tão saudável assim.”

Como ocorre a intolerância

A nutricionista Nathalia Soares, da Clínica Dermais, explica que a lactose é o açúcar – ou seja, o carboidrato – predominante no leite e em outros produtos lácteos, como queijo, iogurte e requeijão. “Ela é um dissacarídeo formado por uma molécula de glicose e por uma molécula de galactose, que para ser digerida (“quebrada”) no organismo precisa de uma enzima chamada lactase”.

“Algumas pessoas apresentam a incapacidade de digerir a lactose que pode ser parcial ou total, nesses casos apresentam intolerância à lactose por não possuir a enzima responsável por fazer essa “quebra”. Para essas pessoas é vantajoso o uso de alimentos “sem lactose” ou “lac free”, pois terão o benefício de não apresentar os sintomas da intolerância a lactose, que são tipicamente abdominais como: flatulência, desconforto abdominal, diarréia, náusea, borborigmo, vômito e constipação, que ocorrem de 30 minutos a duas horas após o consumo”.

Ela lembra ainda que os alimentos que encontramos como, o leite e produtos lácteos “sem lactose”, na verdade apresentam a adição da enzima lactase em sua composição que então fará a “quebra” da lactose, porém essa quebra não é 100%. “Para quem tem uma deficiência total da lactase não deve consumir, pois apresentará os sintomas típicos da intolerância”, ressalta a nutricionista.

Se o objetivo é não consumir o carboidrato (lactose) desses alimentos e produtos, não vale a pena cortar a substância. “Isso porque você estará consumindo carboidrato da mesma forma, só que previamente digerido pela enzima presente no produto! Então fiquem de olho se de fato tem vantagem ou não para você consumir esses produtos, porque eles, inclusive, são mais caros”, aconselha.

Nutricionista tira dúvidas

Gabriela França, da clínica da nutricionista Patricia Davidson, esclarece alguns mitos que cercam o assunto:

1 – Quais os riscos de uma dieta sem lactose quando não há intolerância?

Não há riscos, na verdade a lactose é o carboidrato do leite, ou seja, um tipo de açúcar do leite. Para absorver esse açúcar, nosso organismo precisa quebrá-lo em moléculas menores, permitindo a absorção. Os intolerantes à lactosenão possuem a enzima lactase, responsável por essa quebra da lactose. Assim, não é possível absorver a molécula, por ela ser muito grande, o que pode causar estufamento e dor abdominal, entre outros sintomas. Consumir produtos sem lactose não faz mal nem traz prejuízos para saúde, pois o que a indústria faz com os produtos não é a retirada da lactose, mas a quebra dessa lactose em partículas menores para você absorver! É importante ressaltar que após os 5 anos de idade, nosso corpo diminuiu muito a produção da enzima lactase, por isso é muito comum as pessoas terem a intolerância à lactose.

2 – O que a ausência de lactose pode causar ao organismo em pessoas saudáveis?

A diminuição da lactase já é algo que acontece normalmente no nosso corpo. Mas se você para de consumir a lactose, diminui, sim, a produção da enzima, provocando um maior desconforto. O que acontece é que nós, seres humanos mamíferos, somos os únicos que continuamos a consumir leite depois do desmame e isso, fisiologicamente, não é bom para o corpo. Dependendo da quantidade de leite que você consome, o seu corpo não consegue produzir tanta lactase e por isso, a maioria das pessoas tem problema com lactose e não sabe, achando normal conviver com essa intolerância.

3 – Assim como o glúten, a lactose pode ser retirada do plano alimentar sem orientação médica? Quais são os benefícios de uma dieta sem lactose?

Você pode, sim, consumir produtos sem lactose, sem problemas. Isso não traria prejuízo na saúde, pelo contrário, pois pode diminuir a produção de gases, a má digestão, empachamento e dor abdominal, melhorando a qualidade de vida!

4 – Retirar a lactose pode ajudar no emagrecimento?

Pode ajudar a desinchar, diminuir o empachamento e com isso, dar a impressão de emagrecimento, pois a região abdominal desincha. No meu ponto de vista, não há problema em consumir produtos sem lactose, mesmo quem não tem diagnosticado o problema, pois algum grau de intolerância qualquer pessoa vai ter. E isso, só pode ser avaliado com uma consulta e exames específicos.

5 – E o teor de cálcio no leite sem lactose?

Em relação ao cálcio no leite, nós não conseguimos absorvê-lo todo, pois há pouca biodisponibilidade para a absorção. Absorvemos cerca de 30% do cálcio total contido no leite. Já nos vegetais verdes escuros, como o brócolis, temos absorção de cerca de 60% do cálcio, o dobro do leite de vaca! E se pensarmos que ao retirar a lactose melhoramos a dibiose intestinal, ou seja, o seu organismo passa a absorver melhor os nutrientes, não dá para dizer que a retirada da lactose pode diminuir a absorção do cálcio, pois para mim acontece o contrário: a retirada da lactose melhora a dibiose, contribuindo para a absorção dos nutrientes, inclusive do cálcio!

Itambé lança nova linha de produtos com mais proteína

Com o aumento de adeptos de um estilo de vida saudável, preocupados cada vez mais com uma alimentação equilibrada, crescem nos supermercados os espaços destinados nas gôndolas a produtos sem lactose. A Itambé, por exemplo, lançou a linha Itambé PRO de leite UHT, com alto teor de proteína (até 13g/200ml) e zero lactose, a única do segmento desenvolvida e fabricada no Brasil.

“O consumo de proteínas é essencial para a manutenção da saúde em todas as fases da vida. Importante não só para a formação de pele, tecidos e cabelo, as proteínas também atuam na saciedade, gerenciamento de peso e ainda na composição corporal, principalmente para quem pratica atividade física de forma regular”, explica a marca.

A novidade faz parte da estratégia da Itambé de ampliar seu portfólio e atender ao público fiel à linha de produtos sem lactose, mas que também busca consumo extra de proteína. Os produtos podem ser consumidos como aliados para completar o café da manhã, lanches entre as refeições e antes ou depois de atividades físicas. E podem ser encontrados nas versões Leite UHT Desnatado 1L (13g de proteína por 200ml), Leite UHT Semidesnatado 1L (13g de proteína por 200ml).

Além da linha PRO, a Itambé tem a linha Nolac, que é uma das mais completas do mercado de produtos sem lactose, com mais de 20 itens. como Requeijão Light, Iogurte Grego (versões tradicional e zero), Iogurte Natural (Integral e desnatado), Iogurte com sabor, Leite Condensado, Creme de Leite, Leite UHT (Integral, Semidesnatado e Desnatado) e leite fermentado.

Fonte: Rede Lafe, Clínica Patricia Davidson, Clínica Dermais e Itambé

 

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