Febre amarela: campanha alerta para massacre de macacos no Rio

Rosayne Macedo

 

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O Rio de Janeiro já registra este ano a morte de 170 primatas na capital e 325 em todo o estado, sendo 53,5% vítimas de agressão humana, como espancamento e envenenamento. O número já ultrapassa a metade de todo o ano passado, quando foram encontrados 602 animais mortos, sendo 41% vítimas de agressão. Para conscientizar a população carioca sobre o perigo que a cidade corre se a matança dos macacos continuar, a Vigilância Sanitária do município lança nesta quarta-feira (21), no Parque da Catacumba, a campanha “O macaco não é só vítima, mas um grande aliado no combate à febre amarela”.

A Vigilância adverte que, além de serem vítimas de um massacre, o que é crime ambiental previsto em lei, os primatas são os sentinelas do vírus da febre amarela, já que o monitoramento desses animais facilita a detecção precoce da presença do vírus, evita a disseminação da doença e facilita a elaboração de medidas de controle e prevenção, como a vacinação e o combate ao vetor. Por meio desse monitoramento, realizado pelas equipes de zoonoses da Vigilância Sanitária, o vírus ainda não entrou no município. “Mas se a matança de primatas continuar, não haverá animais para serem monitorados, o que aumenta o risco de entrada do vírus”, diz a nota. No Estado do Rio de Janeiro, 34 pessoas já morreram com a doença e outras 43 ficaram doentes. Os novos dados foram divulgados na noite desta terça-feira (20).

Além de alertar sobre a matança dos animais, a campanha também orienta sobre a importância de não tocar em primatas encontrados mortos e acionar, imediatamente, os técnicos da área de zoonoses do órgão, por meio da central de atendimento 1746, para recolhê-los e evitar a contaminação de doenças virais que pode acontecer mesmo com o animal sem vida. A campanha conta com placas, cartazes e folhetos para serem distribuídos à população e afixados em parques e trilhas da cidade, orientando a não matar os animais e nem tocá-los, bem como informativo com orientações para profissionais que trabalham nesses locais.

Desde o início do ano, técnicos de zoonoses estão monitorando primatas encontrados mortos no município do Rio de Janeiro e ainda não encontraram ameaças à saúde da população. No entanto, o órgão alerta para a necessidade de quem encontrar ligar para o 1746 e solicitar o recolhimento de macacos e saguis por um dos técnicos, para que seja realizada a coleta adequada do material, de modo a não comprometer a realização do exame. Por isso é muito importante não tocar no animal morto ou caído.

Primatas não humanos frequentemente morrem por causas diversas, como traumas, doenças infecciosas e parasitárias. Mas a febre amarela é hoje o grande desafio para a saúde pública e essas ações do órgão, com a finalidade de detectar precocemente a circulação viral, enquanto apenas animais silvestres são acometidos, previnem que chegue aos seres humanos.

No dia de lançamento da campanha, haverá distribuição desse material no Parque da Catacumba, onde médicos veterinários vão orientar visitantes e moradores do entorno sobre o comportamento dos primatas e a importância de não agredi-los.

Fonte: SMS-RJ

2 Comments
  1. […] 325 em todo o estado, sendo 53,5% vítimas de agressão humana, como espancamento e envenenamento. Uma campanha foi lançada para conscientizar a população carioca sobre o perigo que a cidade corre… Casos no Rio e Brasil, segundo o Ministério da Saúde No período de 1º julho de 2017 a 6 […]

  2. […] Ao contrário do que ainda pensa muita gente, os macacos não transmitem a febre amarela silvestre para os humanos. Eles também são vítimas. E ainda são nossos sentinelas grátis! Ao receber a picada de um mosquito infectado na floresta, eles adoecem e, muitas vezes, morrem, indicando para os humanos que ali naquele local o vírus está circulando. “Em outros países, eles compram animais para fazer testes (para verificar a presença do vírus). Aqui temos de graça, mas estamos exterminando”, alerta Ricardo Lourenço, pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). Apenas este ano, 325 macacos morreram no Estado do Rio de Janeiro, em 53,5% dos casos, vítimas … […]

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