Febre amarela: Ministério da Saúde reafirma que não há surto

Vacina-contra-febre-amarela

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Em nota divulgada à imprensa nesta segunda-feira (29), o Ministério da Saúde volta a afirmar que não há um surto de febre amarela no Brasil, mas sim uma endemia e que o surto da doença em 2017 foi encerrado em setembro. O texto critica matéria divulgada pelo jornal ‘Folha de S. Paulo’ , dizendo que a reportagem “Ministro errou feio ao anunciar fim do surto de febre amarela” confunde os conceitos de surto e de endemia. “O fim do surto (anunciado como tendo ocorrido em setembro de 2017), no entanto, não significa o fim da doença e o surgimento de um novo aumento de casos. Afinal, o país é endêmico para a doença”, destaca a nota.

E explica: “O Brasil é endêmico para febre amarela silvestre, ou seja, o vírus é ativamente acompanhado em 21 estados, onde a vacina contra a doença faz parte do calendário regular de vacinação.  A doença, ao longo dos anos, apresenta ciclos de surtos, como aconteceu em 2017, quando foram confirmados 779 casos e 262 mortes pela febre amarela. Surtos são definidos por critérios técnicos e independe de opiniões e de avaliações políticas. Assim, o surto de 2017 foi encerrado em setembro, após 90 dias sem o registro de casos novos”.

O Ministério também listou as principais medidas que vêm sendo tomadas para o enfrentamento da doença no país desde o ano passado (veja abaixo). E diz quem em conjunto com estados e municípios está realizando uma das maiores campanhas mundiais de vacinação contra febre amarela, quando se pretende imunizar mais de 20 milhões de pessoas. “O monitoramento é constante para avaliar novas potenciais áreas de risco e proteger a população suscetível”, ressalta.

Na nota, a pasta lamenta o número de mortes por reações adversas à vacina da febre amarela – três já confirmadas e outras três sendo investigadas. “O Ministério da Saúde lamenta que os ditos especialistas que surgem em momentos de crise esqueçam que a vacina contra febre amarela também pode levar a riscos, como vimos três mortes confirmadas neste ano e outras três sendo investigadas. Não é recomendável, portanto, expor pessoas a um risco sem necessidade”.

1 – Reduziu o tempo de análise de carcaças de macacos de semanas para apenas nove dias;

2 – Adquiriu, em maio de 2017, 20 milhões de seringas para vacinar rapidamente um grande número de pessoas, quando necessário;

3 – Reuniu estoque de vacina para vacinar toda a população não imunizada no país;

4 – Desde julho, tem planejado e executado com os estados e municípios estratégias de vacinação da população em novas área de risco. Entre os dias 5 e 7 de dezembro, reuniu nesse grupo representantes da OMS e Opas.

 

Vacina deve ser aplicada 10 dias antes da viagem

Ainda nesta segunda-feira, o Ministério da Saúde reforçou a orientação de vacinação contra a febre amarela para todos os viajantes que irão visitar alguma área de recomendação de vacina. Para garantir a proteção, a dose deve ser aplicada com, pelo menos, 10 dias de antecedência à viagem, tempo necessário para o organismo produzir os anticorpos contra a doença. Integram a Área com Recomendação de Vacinação cidades de 20 estados e o Distrito Federal. Para quem vai se deslocar no período do Carnaval para uma dessas áreas, a recomendação é buscar a imunização até o fim de janeiro.

Confira a lista dos municípios com recomendação de vacinação

Cuidados redobrados para regiões de mata

Os casos de febre amarela registrados no país permanecem no ciclo silvestre da doença, ou seja, a febre amarela é transmitida apenas pelos mosquitos encontrados no ambiente silvestre, dos gêneros Haemagogus e Sabethes. O último caso de febre amarela urbana foi registrado no Brasil em 1942. Portanto, os cuidados devem ser redobrados para os viajantes que se deslocarem para zonas rurais e áreas de mata.

Para garantir a vacinação de quem vai viajar para essas regiões, o Ministério da Saúde distribui, mensalmente, doses da vacina para todas as unidades da federação. Desde 2017 até o momento, foram encaminhadas cerca de 57,4 milhões de doses da vacina. Para os estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia foram enviados cerca de 48,4 milhões de doses da vacina febre amarela, com objetivo de intensificar as estratégias de vacinação de forma seletiva, sendo 18,3 milhões (SP), 10,7 milhões (MG), 12 milhões (RJ), 3,7 milhões (ES) e 3,7 milhões (BA).

Dose única

É importante lembrar que quem já tomou a vacina ao longo da vida não precisa repetir a dose. Desde abril de 2017, o Brasil adota o esquema da dose única, recomendado desde 2014 pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Estudos comprovaram que uma dose é suficiente para proteger durante toda a vida.

A vacina para a febre amarela é a medida mais importante para prevenção e controle da doença, e confere proteção entre 90% e 98%, além de ser reconhecidamente eficaz e segura. Entretanto, assim como qualquer vacina ou medicamento, pode causar eventos adversos.

Para algumas populações, a vacina é contraindicada, como pessoas com alergia grave ao ovo; portadores de doença autoimune; pacientes em tratamento com quimioterapia/radioterapia; crianças menores de seis meses de idade e pessoas que vivem com HIV/Aids (com contagem de células CD4 menor que 350 células/mm3). Para essas pessoas, a prevenção pode ser feita com uso de repelentes e roupas de manga comprida, além de evitar locais com evidência de circulação do vírus.

Outros grupos devem ser vacinados somente se estiverem em áreas de risco, e antes devem ser avaliados por um serviço de saúde para definir se há necessidade de vacinação. É o caso das gestantes, mulheres que estão amamentando, idosos, pessoas que vivem com HIV; pacientes que já terminaram o tratamento com quimioterapia/radioterapia e pessoas que fizeram transplante.

Por isso, a orientação é que a população siga rigorosamente as orientações do Calendário Nacional de Vacinação e mantenha a caderneta de vacinação atualizada, que deve ser guardada junto aos demais documentos pessoais.

No caso de perda da caderneta, o Ministério da Saúde recomenda ao cidadão que procure o posto de saúde onde habitualmente recebe as doses para resgatar o histórico de vacinação e fazer a segunda via do documento. Caso isto não seja possível, a recomendação é colocar a vacinação em dia, de acordo com a faixa etária e demais indicações.

Dose fracionada

Nesta quinta-feira (25), começou a campanha para vacinação contra febre amarela em municípios dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, com a utilização da dose fracionada. No estado da Bahia, a data será no dia 19 de fevereiro. Ao todo, 77 municípios adotarão a estratégia de fracionamento. Confira a lista das cidades da campanha de vacinação com dose fracionada

A adoção do fracionamento das vacinas é uma medida preventiva e recomendada pela OMS quando há aumento de epizootias (morte de macacos) e casos de febre amarela silvestre de forma intensa, com risco de expansão da doença em cidades com elevado índice populacional. A dose fracionada tem apresentado a mesma proteção que a dose padrão. Estudos em andamento já demonstraram proteção por pelo menos oito anos e novas pesquisas continuarão a avaliar após esse período.

Fonte: Ministério da Saúde, com Redação

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