Fim de ano e verão: Fiocruz alerta sobre risco de nova onda de Covid

Pesquisadores destacam também exigência de imunização para entrada no Brasil e uso de passaporte de vacinas em locais públicos

Movimentação de pessoas no centro da cidade no primeiro dia de flexibilização do uso de máscaras ao ar livre no Estado do Rio de Janeiro (Foto: Agência Brasil)

A nova edição do Boletim do Observatório Covid-19 Fiocruz , divulgada nesta sexta-feira (26/11), alerta para a importância de manter os cuidados durante as comemorações de final de ano e das festas de verão para evitar uma nova onda de Covid-19, como vem ocorrendo em alguns países da Europa. Diante desse cenário, apesar da queda no número de casos da doença em todo o país, os pesquisadores recomendam cautela e o monitoramento de quaisquer possíveis sinais de recrudescimento da pandemia.

Eles ressaltam também a necessidade de continuar avançando com a vacinação (primeira e segunda doses, e o reforço vacinal) e ainda defendem medidas como a exigência de imunização contra Covid-19 para entrada no Brasil, como recomendado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa. Outras medidas são o uso de passaporte de vacinas em locais públicos, o controle da situação vacinal e a testagem de viajantes no país.

“É importante reforçar a atenção com os níveis de transmissão devido à proximidade da temporada de festas e férias, quando pode haver decisões relevantes quanto à flexibilização de algumas medidas que, equivocadamente, poderiam estar apoiadas em dados de notificação com atrasos ou sujeitos a represamento e/ou não disponibilizados de modo oportuno”, afirmam os pesquisadores no Boletim.

Alerta sobre nova onda na Europa

A exemplo da edição anterior, o estudo da Fiocruz chama atenção para a nova onda de transmissão da Covid-19 em países europeus, que tem impactado principalmente locais com baixa cobertura vacinal e populações não vacinadas.

“Os dados são fundamentais para que o país possa estar preparado para identificar rápida e precisamente quaisquer possíveis surtos locais ou mesmo o retorno de altas taxas de transmissão da doença, como vem acontecendo em alguns países da Europa”.

Outra preocupação é a possibilidade de espalhamento de novas variantes nesses países, acompanhada pela grande mobilidade internacional. O alerta é importante para a América do Sul, que vive um momento de baixa transmissão.

O recomendado seria manter bom controle sanitário dos viajantes e prever a restrição de entradas, seja pela exigência de passaporte de vacinação, seja de testes negativos, conforme o que já vem sendo feito por vários outros países.

“As vacinas não bloqueiam completamente a transmissão, mas contribuem para reduzir os casos críticos, graves, internações e óbitos. Por isso, é importante continuar avançando para que a população complete o esquema vacinal de forma a continuar aumentando a cobertura vacinal”, observam os cientistas.

Ainda de acordo com o Boletim, ‘”a hipótese de que a proteção por ela conferida diminui com o decorrer do tempo tem levado à necessidade do reforço vacinal de forma mais generalizada na população adulta”. E faz um alerta: “Não priorizar esse reforço pode expor a risco de infecção uma parcela de pessoas vacinadas, devido a esta perda de imunidade”.

Taxa de letalidade se aproxima de padrões internacionais

As últimas duas Semanas Epidemiológicas (SE), período de 7 a 20 de novembro, mostram nova queda nos indicadores da transmissão da Covid-19, com fortes oscilações dos registros nos estados. Foram notificados, ao longo das SE 45 e 46, uma média diária de 9,8 mil casos confirmados e 230 óbitos por Covid-19.

Os valores representam a redução do número de casos registrados (-1% ao dia) e do número de óbitos (-1,2% ao dia). Houve também uma redução da taxa de letalidade, que vinha se mantendo em patamares em torno de 3%, para um valor mais próximo aos padrões internacionais, de 2,3%.

Apesar da queda dos indicadores, os cientistas do Observatório, responsáveis pelo Boletim, destacam que é fundamental manter o uso de máscara em ambientes abertos com aglomeração, ambientes públicos fechados e mesmo em ambientes privados fechados em circunstâncias que reúnam pessoas que não coabitam, especialmente os indivíduos de grupos vulneráveis.

Leitos de UTI para Covid-19: DF em alerta crítico

As taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 para adultos no Sistema Único de Saúde (SUS), obtidas em 22 de novembro, indicam a manutenção do indicador em níveis baixos na maior parte do Brasil.

Chamam a atenção, entretanto, os valores observados em Rondônia (71%), Pará (65%) e Distrito Federal (84%), que denotam pioras, mesmo considerando a redução de leitos que vem ocorrendo paulatinamente no decorrer dos últimos quatro meses.

Entre 15 e 22 de novembro, o Pará se juntou a Rondônia na zona de alerta intermediário, após 16 semanas fora dela e aproximadamente 5 semanas com patamar em torno de 125 leitos.

O Distrito Federal, por sua vez, volta à zona de alerta crítico, após quatro semanas sem estar nela, embora apresente baixo número de leitos disponíveis. Entre as capitais, destacam-se as elevadas taxas observadas em Porto Velho (87%), Fortaleza (94%) e Brasília (84%), com respectivamente 30, 18 e 37 leitos disponíveis no dia 22.

Evolução dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave 

Nas Semanas Epidemiológicas 45 e 46 (7 a 20 de novembro), a avaliação de nowcasting dos casos de Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAGs), no quadro geral do país, apresenta um ligeiro aumento na incidência, de 2,7 casos por 100 mil habitantes para 2,8 casos por 100 mil habitantes.

Nas últimas cinco semanas epidemiológicas, esta incidência tem se mantido nesta faixa, entre 2 e 3 casos por 100 mil habitantes, sendo que na SE 46 com este ligeiro viés de aumento. As tendências de incidência de SRAG no país, entretanto, não são homogêneas.

Amazonas, Amapá, Acre, Rondônia, Tocantins, Ceará, Rio Grande do Norte, Mato Grosso do Sul e São Paulo têm tendência de aumento na incidência. Paraíba, Alagoas, Sergipe, Mato Grosso, Goiás, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul estão com sinal de redução de casos. Os demais estados aparecem com estabilidade da incidência.

Avanço da vacinação e distribuição de imunizantes

Segundo dados do MonitoraCovid-19, disponibilizados pelo @coronavirusbra1 e oriundos das secretarias estaduais de Saúde, mais de 305 milhões de doses de vacinas foram administradas no Brasil, o que representa a imunização de 74,1% da população com a primeira dose, 61,1% com o esquema de vacinação completo e 6,9% com a dose de reforço.

Dezesseis estados apresentam mais de 70% da população vacinada com a primeira dose e dezenove têm mais de 50% com a segunda dose. São Paulo segue com cerca de 80% da população com a vacinação da primeira dose e o comportamento recente do indicador aponta estabilidade na aplicação da mesma.

Com relação ao esquema vacinal completo, São Paulo foi o único estado que ultrapassou a marca de 70% da população vacinada com a segunda dose ou a dose única. Mato Grosso do Sul apresenta 11,3% de vacinados com a terceira dose e o Espírito Santo tem 10,7% da população com essa dose de reforço. Ambos os estados apresentam o maior percentual brasileiro de terceira dose.

Da Agência Fiocruz de Notícias

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