Flurona: presença de 2 vírus não significa sintomas mais graves

Infectologistas esclarecem dúvidas sobre surtos conjuntos de covid-19 e influenza no país. Para especialistas, termo “flurona” é inadequado

O cenário da pandemia nos últimos dias mudou rapidamente com o avanço da variante ômicron e com surtos de influenza fora de época em alguns estados brasileiros. Ainda há muitas dúvidas e confusão em relação ao que esperar dessas duas doenças e, em especial, da “flurona”, que representa a coinfecção pelos vírus da Covid-19 e da gripe.

Para médicos infectologistas da Dasa – rede que atende 20 milhões de pessoas por ano em mais de 900 unidades, entre hospitais e laboratórios – o termo “flurona”, usado popularmente para definir a detecção dos dois vírus ao mesmo tempo, é incorreto e não deve ser usado.

“Esse termo é muito ruim e não deve ser utilizado porque dá a entender que é uma nova doença. Não é o caso, é apenas uma coinfecção por dois vírus respiratórios, o que não é tão raro. Vemos isso com muita frequência entre vírus”, conta José David Urbaez, do Exame Imagem e Laboratório.

Segundo ele, o que se sabe até agora é que essa infecção mista mostrada nos exames não significa uma doença mais grave. “Não sabemos se ambos os vírus estão causando doenças ou se somente um infecta o paciente enquanto o outro está apenas presente. Isso vai ser cada vez mais comum na medida em que há a circulação tanto da influenza quanto do Sars-Cov-2”, finaliza.

Gripe x Covid-’19: sintomas semelhantes

Tanto a covid-19 quanto a influenza possuem sintomas muito parecidos, como febre, coriza, dor de cabeça e dor no corpo. Dessa forma, não é possível diferenciar as duas apenas pelo quadro do paciente, e é necessário realizar exames para confirmar o diagnóstico. Os grupos de risco também são muito semelhantes, com uma exceção: crianças abaixo de 5 anos não costumam apresentar casos graves da covid, mas possuem grande risco com a gripe.

“A variante ômicron, apesar de mais infecciosa, tem demonstrado muitos casos leves graças principalmente à vacinação em larga escala. Isso dificulta ainda mais a diferenciação entre as duas doenças, mas existem exames para isso”, diz o infectologista

“Identificar qual vírus está afetando o paciente é muito importante porque o tratamento para os dois é diferente. Medicamentos para reduzir sintomas como a febre e a dor são indicados para ambas as doenças, mas para a influenza existem medicações específicas, indicadas para o grupo de risco, e que reduzem bastante as chances de casos graves. Na covid, as medicações indicadas para casos graves, como corticoides, são usadas apenas após a internação”, continua.

Quando procurar um hospital?

Uma grande dúvida das pessoas que apresentam sintomas respiratórios é se devem ou não buscar atendimento hospitalar, principalmente pela alta procura das emergências nas últimas semanas. Segundo os especialistas, pessoas do grupo de risco para as duas doenças devem buscar atendimento o quanto antes para iniciar o tratamento e diminuir as chances de complicação. São elas: idosos, gestantes, pessoas com comorbidades e crianças no caso da gripe.

Para os demais casos, o ideal é monitorar a situação em casa, buscando o atendimento online se possível, e fazer o tratamento sintomático com antitérmico e com acompanhamento da oximetria – que pode alertar sobre o agravamento do comprometimento pulmonar. A recomendação para pacientes de menor risco é que só busquem as unidades caso tenham febre por mais de 4 ou 5 dias e em caso de piora respiratória, dos parâmetros de oximetria e do estado geral.

Medidas de proteção devem ser reforçadas

Para os especialistas, as medidas de proteção já conhecidas devem ser reforçadas. “O cenário atual da pandemia, com a variante ômicron se tornando predominante e com número recorde de infectados em alguns países, alerta para a necessidade de manter as medidas sanitárias que conhecemos bem”, conta o infectologista André Bon, do Hospital Brasília.

Por isso, o aprendizado dos últimos quase dois anos de pandemia continua sendo as formas mais eficientes de prevenir doenças: o uso de máscara (de boa qualidade, preferencialmente a cirúrgica, e em espaços fechados a PFF2/N95), a lavagem de mãos e evitar aglomerações e ambientes fechados, especialmente festas e grandes eventos.

“As mesmas medidas são importantes para conter a influenza, já que estamos vendo surtos fora de época em estados como Rio de Janeiro e São Paulo, e aumento de casos no Distrito Federal”, completa.

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