Frutas cítricas podem reduzir risco de endometriose em até 22%

Vegetais crucíferos como brócolis, no entanto, podem aumentar o risco em 13%. Especialista comenta resultados da pesquisa

Redação
frutas da estação ajudam a economizar água

Uma pesquisa publicada na última edição da revista Human Reproduction, da Universidade de Oxford, apontou que o consumo de frutas é capaz de reduzir a chance de ter endometriose. Alguns vegetais, no entanto, podem aumentar a probabilidade de desenvolvimento da doença.

Para chegar à conclusão, os pesquisadores coletaram durante 20 anos informações demográficas, antropométricas e sobre o estilo de vida de 70.835 mulheres com idade entre 25 e 42 anos. No que diz respeito à dieta, foram verificadas a frequência com que elas ingeriam 130 itens alimentícios, incluindo bebidas, com opções de respostas que variavam de nunca ou menos de uma vez por mês a seis ou mais vezes por dia. O uso de suplementos nutricionais também foi monitorado para evitar distorções.

As participantes que relataram consumir frutas e outros vegetais 3, 4, 5 ou 6 ou mais vezes por dia tiveram, respectivamente, 9%, 10%, 18% e 12% menos risco de endometriose no comparativo com as que afirmaram comer duas ou menos porções diárias. Analisados separadamente, no entanto, frutas e demais vegetais apresentam resultados distintos. Ao passo que o consumo de três porções de frutas ao dia diminui em 14% o risco em relação às mulheres que consomem uma ou menos, a quantidade dos outros vegetais não influiu na incidência do problema.

Destaques

As frutas cítricas foram o grupo alimentício que mais atuou na prevenção da endometriose: mulheres que incluíram ao menos uma porção diária na dieta tiveram 22% menos risco do que as que consumiam menos de uma vez por semana. De acordo com os responsáveis pelo estudo, a provável responsável pelo benefício é a beta-criptoxantina, substância com propriedades antinflamatórias transformada pelo organismo em vitamina A.

Por outro lado, os vegetais crucíferos, em especial couve-flor, brócolis e couve de Bruxelas, aumentaram em 13% o risco. Os autores, no entanto, dizem ser necessárias pesquisas adicionais para esclarecer se os crucíferos causaram aumento real no número de casos ou apenas facilitaram o diagnóstico, tendo em vista que eles tendem a potencializar as dores abdominais características da endometriose.
Orientações

O ginecologista Marco Aurelio Pinho de Oliveira, chefe do ambulatório de endometriose do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), afirma que os resultados são extremamente interessantes, mas alerta que não deve haver exagero. “Os vegetais crucíferos são fontes de fibras e possuem nutrientes que trazem vários benefícios à saúde. Deixar de consumi-los é contraproducente. Da mesma forma, frutas cítricas em excesso podem acarretar abdominais e diarreia”, pondera.

O médico recomenda às mulheres incluir na dieta alimentos ricos em ômega 3, a exemplo da sardinha, atum, salmão, castanhas e amêndoas; evitar adoçantes, com exceção da estévia; reduzir açúcares e farinhas brancos; e priorizar hortaliças, carnes magras, ovos, queijo cottage, azeite de oliva, feijões e frutas como caju, goiaba, limão e abacate — todos capazes de reduzir a resposta inflamatória.  Óleos hidrogenados, sal refinado comum e temperos prontos também devem ser substituídos.

A endometriose

A endometriose é um processo inflamatório decorrente do crescimento das células do endométrio, tecido que reveste o interior do útero, em outras regiões. Diversos órgãos do sistema reprodutivo, o intestino, a bexiga e até mesmo áreas mais distantes podem ser acometidos. Os principais sintomas são dores intensas durante o período menstrual, nas relações sexuais e ao evacuar e urinar. A infertilidade também é uma queixa comum.

Para definir se o quadro é ou não de endometriose, o ginecologista tem à sua disposição a história clínica (cólicas menstruais fortes e progressivas), a ressonância magnética (única indicada a meninas virgens) e a ultrassonografia transvaginal — ambas com preparo especializado. Esses recursos, entretanto, nem sempre conseguem identificar lesões inferiores a 1 centímetro. Os focos pequenos podem ser vistos por meio da laparoscopia, mas, como se trata de um procedimento cirúrgico, ela hoje é muito mais usada no tratamento do que no diagnóstico.

Tratamento

Uma vez que os indícios apontem para a doença, o tratamento pode ser realizado com contraceptivos hormonais de uso contínuo, capazes de bloquear o fluxo menstrual e, consequentemente, minimizar as dores típicas do período. Para as que não responderem bem ao medicamento, é recomendada a laparoscopia.

É importante destacar, ainda, outro aspecto fundamental na escolha da abordagem terapêutica: a vontade de engravidar. Se a mulher decidir ter filhos, ela precisará ser submetida à laparoscopia ou a técnicas de reprodução assistida, como a fertilização in vitro — especialmente indicada quando as lesões de endometriose não são muito extensas e não há queixas de dores.

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