Gente magra também pode ter colesterol alto?

Pessoas magras também podem apresentar colesterol alto. Em boa parte dos casos não está associado a obesidade e sim a genética, Hábitos saudáveis ajudam a controlar

Redação

Segundo da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), cerca de 300 mil pessoas morrem anualmente por causa de doenças cardiovasculares, que são a primeira causa de mortalidade no Brasil. Isso corresponde a cerca de 30% de todas as mortes no país. E um dos principais fatores de risco para que elas aconteçam é o LDL elevado (colesterol ruim). O colesterol elevado no sangue é uma das principais causas de doenças como infarto e acidente vascular cerebral.

Mas engana-se quem acredita que o colesterol é problema apenas de quem sofre de obesidade. “Pessoas magras também podem apresentar colesterol alto e estar no grupo de risco de infarto e derrame, pois ele se acumula nas paredes das artérias bloqueando a passagem do sangue”, alerta Marcio Mancini, endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São PauloSBEM-SP.

É muito importante que as pessoas saibam que o colesterol alto, na maioria dos casos, não dá sinais nem qualquer tipo de sintomas. Por isso é essencial fazer os exames periódicos e acompanhamento médico, além de adotar de hábitos saudáveis que incluem a alimentação e a prática de atividades físicas regularmente”, explica. 

De acordo com o cardiologista Augusto Vilela, médico do Departamento de Cardiologia da Rede MaterDei e Hospital Belo Horizonte, não existe cura para o colesterol alto, apenas tratamento. E a maioria dos pacientes tem colesterol alto por razões genéticas, fazendo com que o fígado produza mais colesterol do que o ideal.

Crianças também podem apresentar nível alterado de colesterol, mesmo as magrinhas. Já as crianças com obesidade certamente devem fazer o controle, pois o excesso de peso pode causar redução  do bom colesterol e aumento dos triglicérides (gordura no sangue)”, explica o cardiologista.

Mudança de hábitos para ajudar na prevenção e controle

No mês que marca o Dia Nacional de Combate ao Colesterol (8 de agosto), especialistas alertam que a prevenção se faz através de um estilo de vida saudável, com consumo moderado de gorduras saturadas e atividade física regular. O tratamento também consiste na manutenção de um estilo de vida saudável, com menor ingestão de gorduras de origem animal, prática frequente de exercício físico e horas regulares de sono.

O paciente deve promover uma mudança de hábitos permanentes  para que as taxas do colesterol ruim não voltem a subir. “Pequenas mudanças nos hábitos alimentares e a prática de atividades físicas já são suficientes para que a maioria das pessoas consiga manter as taxas de colesterol regulares”, explica o médico. 

Porém, devemos estar cientes que do colesterol sanguíneo que temos, somente 15% vem da alimentação, o restante é produzido especialmente pelo nosso fígado. Por isso, para a maior parte dos casos são necessários medicamentos, que são seguros e eficazes para o controle do colesterol. “Nesse caso, somente medicação consegue inibir a produção e reduzir os valores no sangue. As melhores dietas reduzem, somente 10% do colesterol sanguíneo”, alerta Dr Augusto.

Pessoas mais velhas estão mais propensas a ter colesterol alto

O cardiologista George Fernandes Maia, do Seconci-SP (Serviço Social da Construção Civil), explica que mesmo pessoas mais velhas com um estilo de vida mais saudável estão propensas a níveis mais altos de colesterol. “Idosos podem ter uma predisposição a dislipidemia, causada por hipertensão, aumento da idade e/ou placas de gordura nas artérias, levando a um endurecimento da parede arterial”, explica o cardiologista.

Segundo ele, o colesterol é um tipo de lipídio no sangue que, em excesso, pode levar a complicações cardiológicas. “As causas dos altos níveis de colesterol podem ser primárias, ou seja, fatores genéticos, ou secundárias, com hábitos alimentares desregrados, excesso de carboidratos, sedentarismo, o uso de determinadas medicações, além de outras patologias como obesidade, diabetes e hipertensão”, explica o médico.

O diagnóstico tardio ou a falta do tratamento necessário para abaixar os níveis da Lipoproteína de Baixa Densidade (LDL), popularmente conhecida como “colesterol ruim”, pode desencadear futuras complicações de saúde. O acúmulo de LDL provoca o entupimento das artérias, predispondo a doenças cardiovasculares, infarto, derrame ou AVC.

Por ser uma doença silenciosa, sem sintomas expressivos, realizar check-ups periódicos é de extrema importância. Para aqueles que não possuem taxas consideráveis ou doenças predispostas, o recomendável é a ida ao médico anualmente. Já para os pacientes que apresentaram alterações em exames prévios, o acompanhamento deve ser feito a cada 90 dias.

A partir do diagnóstico e dos valores de gordura indicados pelos exames, será possível definir o tratamento mais adequado. “A rotina de exames regulares e hábitos de vida mais saudáveis seguem sendo a melhor maneira de se prevenir da doença”, alerta o cardiologista.

Mas para que serve o colesterol?

O cardiologista explica que o colesterol é uma molécula que está presente na membrana das células do nosso organismo formando órgãos e sistemas como coração, cérebro, fígado, sistema digestivo e sistema nervoso. Além dessa função estrutural, o corpo usa o colesterol para produzir alguns hormônios e para metabolização de algumas vitaminas.

Essencial para o funcionamento do nosso corpo, o colesterol é um tipo de gordura que faz parte da estrutura das células do cérebro, nervos, músculos, pele, fígado, intestinos e coração. Ele também é importante para a formação de hormônios como a vitamina D e ácidos biliares, que ajudam na digestão das gorduras da alimentação.

Conhecido como colesterol mau, o LDL, sigla de low-density lipoprotein (lipoproteína de baixa densidade), está associado a risco de infarto do miocárdio e derrame (AVC) pois ele se acumula nas paredes das artérias bloqueando a passagem do sangue. “É muito importante que as pessoas saibam que o colesterol alto, na maioria dos casos, não dá sinais nem qualquer tipo de sintomas”, reforça o endocrinologista.

O HDL (high-density lipoprotein ou lipoproteína de alta densidade) é conhecido como bom colesterol porque ele faz um tipo de limpeza que vai retirando o excesso de gorduras e devolvendo para o fígado, órgão responsável por sintetizá-las.

Com Assessorias

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