Gordofobia não é piada: é discurso de ódio e deve ser denunciado e combatido

Influencer processa humorista que zombou da sua foto com namorado transgênero. Filipe Neto também pede desculpas por piadas gordofóbicas

Redação

A modelo pluz size Bia Gremion processou o humorista Leo Lins por divulgar a imagem dela, juntamente com seu namorado, Lorenzo Magnaboschi, que é transexual de forma indevida e com conotação gordofóbica. Ele, que se autointitula “o rei do humor negro”, usou a imagem do casal para fazer piada e, ao mesmo tempo, chamar atenção para a venda de ingressos para shows em São Paulo e em Brasília. Na foto, o casal aparece de lingerie, destacando a autoestima. “Chamei sua atenção? Que bom”, escreveu o humorista, antes de divulgar data e local das apresentações.

Os meus seguidores começaram a mandar este post e minha primeira reação foi de tristeza ao ver que ainda pessoas continuam compactuando com este tipo de pensamento. Depois, caí na real que mais uma vez terei de lutar e vamos nos juntar pelos nossos direitos. Gordofobia não é piada e não vai ficar assim mesmo”, contou a modelo à revista Marie Claire.

Após registrar queixa numa delegacia de São Paulo por preconceito, Bia constituiu uma advogada para processar o humorista. “Já estamos tomando medidas legais para que estes casos não continuem se repetindo e para ninguém pensar que é bobagem. Vamos fazer o que for para que essas pessoas entendam isso de forma séria. O meu trabalho também é educar essas pessoas para que elas entendam que o meu corpo tem o mesmo lugar que o deles. Se isso não parar, a gente vai ter de tomar medidas sérias, que é o que acontece agora”, destacou,

Para Bia, não existe “brincadeirinha” quando o caso é gordofobia e piadas que explorem o corpo de alguém ou qualquer característica envolvendo minorias são desrespeitosas e não têm graça.

Qualquer piada que envolvam minorias ou pessoas que sempre foram atacadas pela sociedade, não são bacana e não têm graça. Nossa sociedade já entendeu que não dá mais para fazer isso. Estamos caminhando para ser melhores. Continuar fazendo bullying e prejudicando pessoas, só é um passo para trás de uma consciência social que temos tido.”

Ela considera a postagem não só gordofóbica, mas transfóbica, e reforça que além de Lins fazer piada com o corpo dos dois, ele incitou centenas de comentários preconceituosos. “Foi muito gordofóbico, muito transfóbico, os comentários que surgiram foram incitados para ampliar esse tipo de ódio”, disse. “Desde que comecei [a carreira], sempre fui diferente do meu mercado de trabalho e eu tenho muito orgulho de ser diferente. Sempre denunciei casos de gordofobia, sempre lidei com esses ataques como algo a ser repudiado”, ressaltou à Universia.

No mundo real, Bia conta que a gordofobia ocorre de maneira estrutural. “As cadeiras são pequenas, a catraca [do transporte público] é extremamente pequena, o direito de ir e vir, para uma pessoa gorda, é negado”, afirma. Apesar disso, a modelo vê melhoras desde que começou a carreira de modelo, há cinco anos. “Hoje, a gente vê que as pessoas estão nos defendendo, que têm noção do quanto isso é cruel”.

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Felipe Neto pede desculpas públicas por ‘zoar’ assistente

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Felipe Neto admite que praticava ‘gordofobia’ com o amigo e assistente Bruno

 Ju Ferraz alerta para o preconceito disfarçado de preocupação ou humor

Passamos por um período de isolamento que já dura mais de 150 dias, e com ele, você já deve ter se deparado com brincadeiras nas redes sociais, como “antes e depois da quarentena” e “até o final da quarentena me tornarei um caminhão”, que comparam biotipos físicos. Apesar do tom humorístico, a reprodução dessas publicações banalizam transtornos alimentares e prejudicam a saúde mental de pessoas que se sentem oprimidas por estarem fora dos padrões estabelecidos socialmente.

A influenciadora e executiva Ju Ferraz, que defende o movimento body positive, alerta sobre o impacto dessas publicações. “Infelizmente, algumas pessoas não têm clareza do seu valor, no sentido de entender que seu corpo não vale mais do que o que você é de verdade, dos que seus princípios e valores, fazendo com que se sintam humilhadas. Então, não é o momento de propagarmos conteúdos que causem essa sensação”, alerta.

Atualmente Diretora de Novos Negócios e RP da Holding Clube, uma das principais agências de live marketing do Brasil, Ju Ferraz foi diagnosticada com Burnout há cerca de dois anos. Durante o processo de cura, a empresária engordou alguns quilos, e decidiu compartilhar suas dores e angústias por meio de artigos e cartas abertas em suas redes sociais. Após se sentir acolhida por seus seguidores e pessoas próximas, ela decidiu usar seus canais pessoais para disseminar conteúdos que abraçam a diversidade e alertar sobre práticas gordofóbicas. “As pessoas precisam entender que estamos vivendo um momento muito maior. É o momento de olharmos para o outro com respeito, de ajudar, e não de julgarmos alguém por usar 36 ou 46”, conta.

Os conteúdos de tom pejorativo, todavia, não surgiram durante a quarenta, mas se fortaleceram. Períodos festivos, como Natal e Ano Novo, são outras ocasiões que resultam em publicações comparativas e preconceituosas. “Todos sabemos que esse conteúdo já existia, mas estamos passando por um momento muito delicado, e as redes sociais são a nossa distração, o canal para nos mantermos perto, mesmo estando longe. Por isso, damos mais atenção, por estarmos mais conectados e sentirmos que a preocupação maior agora é em engordar, do que nos curarmos” destaca Ju.

Junto ao conteúdo disseminado nas redes sociais, há expressões usadas no cotidiano que trazem um tom provocativo e intolerante, e mesmo usadas inconscientemente ofendem pessoas com corpos gordos, dentre as mais comuns: “parabéns pela perda de peso”, “acima do peso ideal”, “gordice”, “bonita de rosto”, “cheinha”, “excesso de gostosura”, entre tantas outras. “Estamos falando também de saúde mental. Fazer brincadeiras com o corpo de uma pessoa, seja ele como for, não é piada”, ressalta.

A executiva aponta para a necessidade da mudança de foco frente ao momento que vivemos, e a importância de não contribuirmos com uma sociedade opressora. “O que mais precisamos agora é ajudar uns aos outros, um momento que já traz uma instabilidade mental não deve ser alimentado com gatilhos que só pioram a situação”, afirma. “Precisamos buscar referências, saber quem somos, nossos valores, nos amar como amamos os outros, e principalmente nos cuidarmos. Que nada atrapalhe os nossos sonhos, porque o corpo é um templo sagrado, mas ele não diz tudo sobre nós”, conclui Ju, que indica instagrams como o de Rita Carreira,Alexandrismos e Letticia Munniz para inspiração e conhecimento sobre autoestima.

TikTok, destino líder para vídeos móveis de formato curto, aderiu ao movimento Corpo Livre da ativista social Alexandra Gurgel e promoveu uma campanha em maio. O challenge desafia o público TikToker a participar deste movimento de aceitação corporal para todos os corpos, expressando-se criativamente postando vídeos com a hashtag oficial #CorpoLivre. 

O TikTok é uma comunidade em que todos pertencem, com diversos conteúdos e usuários de todas as idades, formação e etnias – é uma plataforma inclusiva que incentiva os usuários a serem autênticos e positivos, enquanto espalha alegria e criatividade.

No dia 4 de maio, às 20h, a autora do best-seller sobre aceitação corporal, colunista da Marie Claire e fundadora do movimento, Alexandra Gurgel, realizará uma live em sua conta do TikTok, @ alexandrismos , para falar sobre o movimento e compartilhar suas experiências com gordofobia, body positive, amor-próprio, autoestima e saúde mental. 

Todo mundo tem direito de se sentir bem consigo mesma, independente do formato do corpo. Porque amar o próprio corpo é um ato revolucionário!”, afirma a ativista, que convida “Use a hashtag #CorpoLivre em seus vídeos e navegue por ela pra ver uma rede de pessoas diversas e felizes com seus corpos livres!”. Em pouco mais de 24h, a hashtag já foi visualizada mais de 19 milhões de vezes.

Alexandra entende o importante papel do TikTok nesta luta e comenta que entrou no aplicativo este ano como um desafio criativo. “Realmente é um desafio tentar levar o meu assunto de aceitação, que para muita gente ainda é polêmico, delicado e sensível, para todo mundo. Eu comecei a suavizar minha fala no TikTok e está sendo incrível a resposta. É pura alegria e é uma comunidade emocionante para participar e fazer parte. O TikTok está sendo um lugar para eu me divertir, ser criativa e viver meu corpo livre”.

Com Assessorias

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