Greta Thunberg apela por alimentação sem carne para evitar novas pandemias

Em vídeo numa parceria com organização de proteção animal, ativista Greta Thunberg pede ao mundo que escolha alimentos de origem vegetal

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“Sejamos francos, se não mudarmos, estamos f*****. Mas nós podemos mudar”, afirma a ativista climática e ambiental sueca Greta Thunberg, de 18 anos, no vídeo intitulado “Pela Natureza”, lançado neste sábado (22) pela ONG Mercy For Animals (MFA). Greta destaca as ligações entre as crises climática e ecológica e a pandemia da Covid-19 e apela ao público para deixar a carne de fora do prato para ajudar a combater as alterações climáticas.

De Estocolmo, ao lado do seu cão Roxy, a jovem ativista ajuda o público a ligar os pontos entre o aumento de novas doenças causadas pela nossa relação com os animais, o rápido declínio da biodiversidade e a crise climática causada em parte pelo aumento das emissões de carbono vindo de sistemas alimentares. “A crise climática é apenas um sintoma da crise de sustentabilidade que enfrentamos. Temos industrializado a vida na Terra e deteriorado a nossa relação com a natureza”, diz Greta.

Para quem não se lembra, Greta foi chamada de ‘pirralha’ pelo presidente Jair Bolsonaro após roubar a cena no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, e se tornar capa da Time, em 2019. Também foi hostilizada pelo ex-presidente dos EUA, Donald Trump, e extremistas alemães. Um ano antes, ela iniciava uma greve solitária em frente ao parlamento sueco em protesto contra as ações do governo de seu país contra a crise climática.

Apesar de inúmeras estatísticas preocupantes, Greta traz otimismo ao filme lançado pela MFA, para ajudar o público a compreender as ligações entre esses problemas e as suas soluções.

Pandemias mais frequentes e devastadoras, perda de biodiversidade e a crise climática estão todas ligadas a essa causa raiz. É por isso que precisamos repensar a forma como valorizamos e tratamos a natureza, a fim de assegurar as condições futuras e presentes para a vida na Terra. Todos nós, naturalmente, temos diferentes oportunidades e responsabilidades, mas a maioria de nós pode pelo menos fazer algo — mesmo que seja pouco”, afirma a jovem ativista.

Exploração de animais

Para John Seber, vice-presidente sênior de Advocacy da Mercy For Animals, cada um de nós pode fazer parte da transformação do nosso sistema alimentar e reparar a nossa relação com a natureza.

Nós, que temos como fazer escolhas alimentares, podemos comer como se o nosso mundo dependesse disso. Podemos deixar de subsidiar produtos de origem animal prejudiciais à saúde e ambientalmente destrutivos e ajudar os agricultores na transição para um modelo agrícola baseado em plantas que seja melhor para a sua subsistência, as comunidades locais, o ambiente e os animais. Somos todos parte da natureza e podemos ser uma parte da natureza protegendo a si mesma”, explicou Seber.

A exploração de animais para alimentação utiliza cerca de 30% da terra do planeta e a produção de rações ocupa 33% da terra de cultivo do mundo. A criação de animais explorados para consumo humano é uma das principais causas de desmatamento, degradação do solo, poluição da água e perda de biodiversidade, além de consumir intensivamente os recursos naturais para sustentar o crescente aumento da população.

Usamos uma extensão enorme de terras valiosas para cultivar soja, milho e trigo, alimentos que poderiam ser utilizados para alimentar os seres humanos diretamente; em vez disso, usamos esses grãos, em uma conversão absurda, como ração para alimentar poucos animais e transformá-los em carne para consumo humano.

Mais sobre o filme e a MFA

Greta pediu ao premiado cineasta britânico Tom Mustill para criar o filme. Seu trabalho com a BBC, estrelando David Attenborough e outras figuras de renome da ciência e conservação, ganhou mais de 30 prêmios internacionais, incluindo dois Webbys, um Panda Widescreen e dois Prêmios Jackson Wild. O trabalho de Tom também foi nomeado para um Emmy em horário nobre e exibido nas Nações Unidas e no Parlamento Europeu.

É um tema desafiador e complexo e difícil de destrinchar. Como fazer com que as pessoas tomem as suas próprias decisões e não se afastem? Essas questões interligadas não têm uma solução única e, como ela diz no filme, ‘Alguns de nós temos muitas escolhas, enquanto outros não têm nenhuma’. Espero que isso ajude as pessoas a se engajarem em suas partes nesta história e em suas relações com a natureza”, disse Tom.

Fundada há mais de 20 anos nos Estados Unidos e presente no Brasil desde 2015, a Mercy For Animals (MFA) é uma das principais organizações sem fins lucrativos do mundo dedicada a combater a exploração de animais para consumo, especialmente em fazendas industriais e na indústria da pesca.

A MFA trabalha para transformar o atual sistema alimentar e substituí-lo por um modelo que seja mais compassivo com os animais e garanta um futuro melhor para o planeta e todos que o habitam. Atualmente, a Mercy For Animals também opera em outros países da América Latina, no Canadá e na Índia. Para mais informações sobre a organização, acesse aqui.

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