Hérnia de disco impede “quadradinho” de Anitta

Problema de coluna que atinge 5,4 milhões de brasileiros é causado por envelhecimento e também por Movimentação repetitiva, sedentarismo, sobrecarga por excesso de peso ou de atividade física de alto impacto

Redação
anitta

Anitta surpreendeu os fãs ao informar que foi diagnosticada com hérnia de disco. A artista pop brasileira usou as redes sociais para dividir com seus seguidores a notícia de que deve evitar movimentos mais bruscos no palco, dentre eles, o chamado “quadradinho”, em que o quadril desenha um quadrado. Para o movimento, ela acaba forçando a lombar, o que prejudica o tratamento.

Apesar de afetar 15% da população em todo o mundo, segundo estimativa da Organização Mundial de Saúde (OMS), o problema é considerado comum e muitas pessoas ainda desconhecem as causas e o tratamento da doença. De acordo com o IBGE, o problema atinge cerca de 5,4 milhões de brasileiros e é a segunda maior causa de afastamento do trabalho, ficando atrás apenas das doenças cardíacas.

A doença é provocada pelo processo degenerativo normal da coluna e só é diagnosticada por meio de ressonância magnética. Especialistas explicam que nem toda dor nas costas é sinal de hérnia de disco, porém essa é uma das causas mais comuns de dor lombar e também de dor na perna (dor ciática ou ciatalgia) e uma das patologias mais frequentemente tratadas nos consultórios.

O QUE É

O ortopedista Fernando Arturo, do Hapvida Saúde, explica que a hérnia de disco, também chamada de hérnia discal, representa um mal gerado pelo desgaste do material contido no interior do disco intervertebral para a área externa. “Esse escape provoca a compressão da medula espinhal ou da raiz nervosa e resulta em um processo inflamatório na região afetada, o que causa muita dor”, esclarece o médico.

“O desgaste do disco intervertebral acontece de forma natural e conforme o processo de envelhecimento do organismo avança. Mas o que tem chamado a atenção é a quantidade de jovens, ou indivíduos no auge da fase adulta, que convivem com a doença”, completa.

Causas

Que o envelhecimento do corpo leva, espontaneamente, ao desgaste do disco intervertebral a maioria já sabe. Mas existem outros fatores que podem antecipar seu surgimento, como revela o ortopedista Fernando Arturo.

Movimentação repetitiva, sedentarismo, sobrecarga por excesso de peso ou de atividade física de alto impacto são algumas das razões mais comuns dessa patologia precoce”, atesta o médico.

Essas causas fazem com que o disco desidrate, perca o material gelatinoso do interior e acaba diminuindo a sua altura. “A capa de fibra que envolve o disco fica mais rígida e menos resistente, apresentando pontos de fraqueza. Quando uma dessas regiões se torna incapaz de conter a pressão do disco, a parede se rompe e ocorre um escape do material, o que causa compressão do nervo vizinho e provoca dor, que pode refletir para as pernas ou braços, dependendo do tipo de hérnia”, ressalta o especialista.

Tratamentos

Existem vários procedimentos minimamente invasivos conhecidos como intradiscais. “Essas técnicas devem ser realizadas pelo médico especialista em coluna, que introduz uma câmera guiada por Raio-X em tempo real. A ideia é avaliar precisamente o estado em que se encontra e recomendar a maneira mais adequada para cada caso”, explica Arturo. Normalmente, para fazer a análise, o especialista leva em conta o tipo de hérnia, a localização e as condições físicas do paciente.

O exercício físico também pode ser um excelente aliado, sendo capaz de reforçar a musculatura e a estrutura óssea dos pacientes. Vale ressaltar que sua realização deve ser orientada e acompanhada por um profissional de Educação Física que apontará quais movimentos não prejudicam a saúde do paciente. O método de longo prazo deve ser incorporado ao estilo de vida, o que nem sempre se torna fácil de encaixar na rotina. Isso pode ser associado ainda ao uso de alguns medicamentos visando hidratar o disco.

“Os quadros graves que não respondem bem aos tratamentos, precisam de intervenção cirúrgica. Nessas situações, a cirurgia endoscópica pode ser uma opção não invasiva, que apresenta ótimos resultados”, enfatiza o médico. Esse cenário corresponde apenas a 5% dos casos.

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