Homem acima do peso tende mais a ter câncer de próstata

Pesquisa conclui que homens com Índice de Massa Corporal (IMC) e circunferência da cintura maiores têm um aumento no risco de ter esse tipo de câncer

Redação

 

Cada vez mais estudos têm associado o excesso de peso com o desenvolvimento de câncer. Agora, um estudo apresentado no European Obesity Summit, na Suécia, em 2016, revelou que homens com a circunferência da cintura maior que 94 centímetros correm mais risco de ter câncer de próstata. A pesquisa foi feita com mais de 140 mil homens de oito países das Europa, e descobriu que uma cintura com 10 cm de circunferência a mais do que o normal apresenta 13% a mais de chances de desenvolver o câncer.

Uma hipótese importante é que alguns hormônios produzidos pelas células gordurosas podem apresentar um mecanismo molecular que modificam e facilitam a ocorrência de câncer de alto risco em obesos. É como se o câncer desses pacientes obesos possuíssem uma ‘identidade genética’ diferente dos pacientes não obesos”, explica Mauricio Rubinstein, fellow em Laparoscopia Urológica e Cirurgia Robótica na Cleveland Clinic e Mestre em Urologia pela Uerj.

Já existem estudos ligando obesidade a pelo menos 30 tipos diferentes de câncer, entre eles pulmão, fígado, próstata, intestino e bexiga. Cada vez mais o aumento da cintura abdominal tem sido valorizado na avaliação do paciente com sobrepeso e obesidade.

O aumento da cintura abdominal é um marcador indireto de acúmulo de gordura visceral que como é sabido é maléfica para o organismo, pois produz uma série de marcadores inflamatórios. Além do desenvolvimento destes tipos de câncer, o aumento da cintura para homens acima de 102cm e mulheres acima de 94 cm acarreta numa chance muito maior de desenvolvimento de outras doenças”,  explica Pedro Assed, mestre em endocrinologia pela UFRJ e pesquisador do Grupo de Obesidade e Transtornos Alimentares -GOTA-PUC-Rio-IEDE.

Obesidade triplicou entre os homens

A obesidade é uma das principais doenças do século. De acordo com um levantamento de 2013 do IBGE, houve um aumento significativo na obesidade no Brasil: 17,5% dos homens estavam obesos em 2013, contra 9,3% em 2002. Para as mulheres o índice passou de 14% em 2002 para 25,2%. Uma pesquisa feita pelo Imperial College London e publicada no The Lancet comparou o índice de massa corporal de 20 milhões de homens e mulheres entra 1975 e 2014, e descobriu que a obesidade triplicou nos homens e duplicou nas mulheres.

A pesquisa, que analisou dados de 186 países, também revelou que o numero de obesos ao redor do mundo cresceu de 105 milhões, em 1975, para 641 milhões em 2014, enquanto o número de pessoas abaixo do peso cresceu de 330 milhões para 462 milhões no mesmo período. Ou seja, entre os homens, 266 milhões são obesos, já, entre as mulheres esse número é maior, chegando a 375 milhões.

Homens têm mais dificuldade de ir ao médico

No Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens, atrás do câncer de pele não-melanoma. Outros dados alarmantes mostram que o aparecimento da doença muitas vezes se dá pela negligência masculina. Segundo um levantamento realizado da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), 51% dos homens com mais de 45 anos nunca tinham ido ao médico recentemente, justamente na idade em que as doenças começam a aparecer.

Algumas das razões para isso justificadas na pesquisa foi, além da falta de tempo, eles se considerarem saudáveis e não precisarem ou medo de descobrirem doenças. Já dados do Ministério da Saúde mostram que as consultas ao urologista são de 3 milhões anualmente, enquanto ao ginecologista chega a 20 milhões, um numero preocupante.

Para alertar ainda mais sobre o assunto, uma outra pesquisa realizada pelo Instituto Lado a Lado pela Vida junto a 1.130 homens a partir de 18 anos de idade, de todas as classes sociais e nas principais capitais do país, mostra que a maioria (74%) foi ao médico uma vez nos últimos seis meses. O clínico geral é a especialidade mais consultada, 54%. Apenas 10% dos homens procuraram o urologista. Somente 10% realizaram exame preventivo de próstata, dentre eles, 17% estão na faixa acima de 60 anos mostrando que a realização de exames de detecção é feita tardiamente.

Cirurgia robótica no câncer de próstata

Um estudo publicado em 2016 no Journal of Urology revelou que a cirurgia robótica prostatectomia é sim mais eficaz do que a cirurgia aberta. Pesquisadores da Universidade de Chicago identificaram pacientes tratados de câncer de próstata não metastático em 2010 ou 2011 a partir da Base de Dados Nacional do Câncer. Destes homens , 73.131 foram submetidos a prostatectomia laparoscópica robótico assistida e 23.804 foram submetidos a prostatectomia radical aberta.

Comparado com prostatectomia aberta , a prostatectomia robótica foi  independentemente associada com reduções clinicamente significativas das margens cirúrgicas positivas , o resultado também foi positivo para os desfechos secundários da radioterapia pós-operatória e mortalidade em 30 dias, o benefício oncológico foi principalmente em pacientes com a doença confinada ao confinada. Nos Estados Unidos, em 2016 cerca de 95% dos casos de câncer de próstata serão operados com o uso da tecnologia Robótica.

O estudo apresenta vantagens como: menor perda sanguínea, menor internação hospitalar e menor morbidade, sobrepõem o aumento de custo que ainda há relacionado com a cirurgia robótica. Aumento esse, que vem diminuindo com a expansão mundial do numero de robôs entre os continentes”, explica Mauricio Rubinstein,  da Sociedade Brasileira de Urologia e qualificação de Cirurgia Robótica no Florida Hospital in Advanced Laparoscopic Surgery – Cleveland Clinic Foundation.

Os resultados funcionais, que avaliam a disfunção erétil e incontinência urinaria também são extremamente animadores e mostram melhoras crescentes nos trabalhos publicados recentemente. Isso faz com que a procura pelo método venha crescendo no mundo todo baseado não somente em relatos de pacientes, mais principalmente em Medicina baseada em evidências, os trabalhos científicos, explica o especialista.

Novos medicamentos contra a doença

A adição de uma nova droga anti-hormonal ao tratamento tradicional contra o câncer de próstata reduziu em até 38% o risco de morte entre os pacientes, segundo dois ensaios publicados recentemente, que marcam um avanço importante na luta contra essa doença. Ambos os estudos foram apresentados na conferência anual da American Society of Clinical Oncology, o maior congresso mundial sobre câncer, reunido em junho, em Chicago.

No primeiro estudo chamado Latitude, a nova molécula, a abiraterona (Zytiga), dos laboratórios Janssen, combinada com a prednisona, a terapia anti-hormonal de referência para os homens diagnosticados com um tumor na próstata que fez metástase, também permite atrasar em 18 meses (de 14,8 para 33 meses) o avanço deste câncer. Conduzida pelo médico Karim Fizazi, chefe do Serviço de Oncologia do Instituto Gustave Roussy, de Paris, a pesquisa foi realizada com 1.200 pacientes em 34 países entre fevereiro de 2013 e dezembro de 2014.

O segundo ensaio clínico (Stampede), dirigido por Nicholas James, professor de Oncologia Clínica no Hospital Queen Elizabeth, de Birmingham, no Reino Unido, envolveu 2 mil homens, tratados nesse país e na Suíça. Um acompanhamento realizado 40 meses depois concluiu que o risco de mortalidade tinha-se reduzido em 37%. O estudo Latitude conseguiu uma redução do risco de morte de 38% após um período de acompanhamento de 30,4 meses, de modo que a expectativa de vida pode aumentar ainda mais em um período mais longo de tratamento.

Fontes: Mauricio Rubinstein e Pedro Assed

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