A Hora do Planeta: é tempo de blecaute voluntário

Milhares de cidades e monumentos no mundo apagarão suas luzes contra o aquecimento global

O que temos feito e o que cada um pode fazer para diminuir os problemas e desafios ambientais, cujos impactos interferem na vida de toda a população? Podemos começar desligando nossa energia para refletir sobre isso. Maior mobilização do mundo na conscientização sobre as mudanças climáticas, A Hora do Planeta já faz parte do calendário brasileiro em muitas cidades. Este ano, a celebração acontece neste sábado, dia 24 de março, das 20h30 às 21h30, quando milhares de cidades e monumentos ao redor do mundo apagarão suas luzes para chamar a atenção da sociedade, para a urgência em combater o aquecimento global.

A Hora do Planeta nasceu em 2007, na Austrália e há dez edições (desde 2009) é celebrada no Brasil. Dezenas de municípios e quase 300 monumentos no país já confirmaram participação na maior campanha de proteção ambiental do planeta. Entre eles, estão as maiores cidades do país, com São Paulo, que terá o desligamento da Fonte Multimídia, no Parque Ibirapuera; Rio de Janeiro, com o Cristo Redentor, o Bondinho Pão de Açúcar e Bondinho; Brasília, com o prédio da Câmara dos Deputados; além de muitas outras (veja lista completa no site www.horadoplaneta.org.br).

O movimento nasceu em 2007, na Austrália e há dez edições (desde 2009) é celebrado no Brasil. Pela primeira vez, a campanha terá uma estratégia de três anos, até 2020, com foco na relação entre as mudanças climáticas e a importância da biodiversidade. Para isso, todos nós precisaremos estar #ConectadosNoPlaneta, novo mote da campanha global. Na mobilização no Brasil, há novas funcionalidades no site que facilitam a inscrição de atividades e mostram o caminho para quem tem interesse de participar.

“Apagão” no Bondinho

Bondinho Pão de Açúcar, cartão-postal que representa o Rio de Janeiro internacionalmente, participará de mais uma Hora do Planeta. O monumento tem se dedicado a projetos de conservação ambiental. Além de participar desta ação, a empresa adota 40mil m² de áreas verdes da unidade de conservação do Pão de Açúcar, dentre elas a Trilha do Morro da Urca e a Pista Cláudio Coutinho – áreas de Mata Atlântica, com grande valor socioambiental.

“A natureza tem nos mostrado que essa é uma causa urgente. Estamos baseados em uma área de conservação e entendemos a importância de cuidar e devolver à natureza todo o bem que ela nos traz”, afirma Roberta Pena, engenheira ambiental do Bondinho. Através de práticas sustentáveis, o ponto turístico transforma seus resíduos sólidos em matéria prima e adubo e utiliza sistema regenerativo de energia no seu transporte e energia renovável no complexo turístico. “Tocamos diversos projetos ambientais, como Educa Bondinho, programa de educação ambiental que recebe mais de 10 mil alunos e professores todos os anos”, explica Roberta.

Hoteis promovem jantares à luz de velas

Como parte do seu programa de desenvolvimento sustentável, o Planet 21, a AccorHotels participa do ato global a “Hora do Planeta”. Por meio deste ato simbólico, a empresa motiva todos os hotéis da América do Sul a realizar iniciativas que se adequem a sua realidade, como apagar as luzes das áreas comuns e fachada do hotel, jantar à luz de velas e ainda propor a seus hóspedes que também apaguem as luzes e o os aparelhos de ar-condicionado.

No Rio, o hotel Hilton Barra celebra a Hora do Planeta apagando as luzes do Abelardo Restaurante e o lustre com mais de 200 lâmpadas do Abelardo Bar. O chef servirá jantar à luz de velas e a sugestão para a noite é o crudo de atum, com vinagrete de kimchi e laranja, folhas de mini couve-flor e lâminas de cenoura orgânica crocante. O prato segue a linha raw food, sem necessidade de cozimento ou utilização de energia.

McDonald´s com luminosos apagados

McDonald’s Brasil participa pelo 10º ano consecutivo da Hora do Planeta: todos os restaurantes do país vão apagar seus luminosos externos por 60 minutos. Além do Brasil, outros países da América Latina onde a marca está presente também participarão, apagando mais de 2 mil luminosos neste período. Os restaurantes já usam iluminação LED, o que desde 2016 ajuda a reduzir 60% do consumo de energia em todas as redes da marca no Brasil.

A rede ainda aposta em outras ações sustentáveis. Com o Projeto de Otimização do Uso de Água, consegue economizar cerca de 700 litros de água por dia em cada unidade, com a reutilização do líquido de condensação dos equipamentos de ar-condicionado para a irrigação de plantas, lavagem de áreas externas e limpeza do salão. A companhia também trouxe painéis solares que aquecem a água para limpeza de equipamentos, assim como películas transparentes nos vidros que ajudam a reter o calor, reduzindo o uso do ar-condicionado.

Ainda nesta semana, o McDonald’s se tornou a primeira rede de restaurantes do mundo a assinar um compromisso global de combate às mudanças climáticas. A companhia se compromete a diminuir em 36% as emissões de gases de efeito estufa até 2030, além de 20% em toda sua cadeia de suprimentos dentro do mesmo período. Ao todo, serão 11 milhões de toneladas de CO2 que não alcançarão a atmosfera, equivalente ao impacto da plantação de 3 bilhões de árvores, ou 25 milhões de carros fora das ruas e estradas. A ação faz parte da iniciativa Scale for Good, que usa toda a força, tamanho e alcance da marca para impulsionar o progresso onde é mais relevante.

Mais sobre a campanha mundial

As mudanças climáticas colocam em risco de extinção espécies de plantas e animais nas áreas naturais do mundo, caso as emissões de carbono continuem a subir. A Amazônia, por exemplo, pode perder 69% das suas espécies de plantas até a virada do século. O dado foi publicado pela revista Climatic Change, a alguns dias da Hora do Planeta. As previsões são alarmantes, mas sinalizam o que já vem acontecendo em nosso país. Nos últimos anos, o número de queimadas aumentou, além de perdas na produção pela extensão do período seco e o racionamento de água que se estende pelo país, chegando pela primeira vez à capital federal.

Desde que foi lançada pelo WWF, em 2007, na cidade de Sydney (Austrália), como um evento simbólico de apagar as luzes, a Hora do Planeta vem inspirando indivíduos, comunidades, empresas e organizações a tomarem medidas em prol da segurança climática. Em 2017, foram ações nos sete continentes, em 187 países e territórios, com mais de 3.000 monumentos apagados. Somente no Brasil, foram 145 cidades e mais de 600 monumentos participantes, com o envolvimento de 250 mil pessoas.

Para o WWF-Brasil, o movimento de apagar as luzes ainda é um alerta necessário sobre os impactos das mudanças climáticas, que estão cada vez mais constantes e intensos. Prova disso é a grande quantidade de eventos extremos que ocorreram no ano passado, tal como os incêndios em Portugal e nos Estados Unidos, as inundações na Índia e os furacões Irma e Maria no Caribe. No Brasil, os desastres incluem recorde no número de queimadas, perdas na produção pela extensão do período seco e o racionamento de água que se estende pelo país, chegando primeira vez à capital federal.

Biodiversidade e natureza sustentam nossas vidas, nossas economias, nossa saúde, nosso bem-estar, nossa felicidade. É o alicerce do nosso planeta vivo. Estamos empurrando o planeta e seus sistemas naturais até o limite. A Hora do Planeta é nossa chance de usar nosso poder, como indivíduos e como um coletivo, para exigir e agir em prol da proteção deste planeta como recompensa a tudo que nos dá”, afirma Marco Lambertini, diretor-geral do WWF Internacional.

coordenador do Programa Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil, André Nahur, destaca que, além dos efeitos mais visíveis, o aquecimento da temperatura global provoca consequências silenciosas e ainda mais graves, em especial com relação à biodiversidade.  “Não é preciso ir longe para ver os efeitos. No Brasil, as mudanças climáticas terão efeito em espécies importantes para a cultura e economia nacional, como o pequi ou o café, que poderão sofrer uma drástica perda na produção”, afirma André Nahur.

“Este é um momento crítico. Estamos a mil dias para o final de 2020, data em que poderemos ampliar a ambição global para salvar o planeta, por meio da revisão das metas do Acordo de Paris, Convenção da Biodiversidade e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Por isso essa estratégia de três anos é tão importante. Queremos aproveitar o movimento que a Hora do Planeta gera para que cada um de nós e cada ator da sociedade possam ajudar a reduzir os efeitos das mudanças climáticas e os impactos à biodiversidade”, afirma Mauricio Voivodic, diretor executivo do WWF-Brasil.

Hora do Planeta já parte da agenda de muitos municípios brasileiros, que veem uma oportunidade para promover a preocupação com o meio ambiente. “As cidades ou empresas começam na Hora do Planeta desligando as luzes e, nos anos seguintes, já querem fazer um pouco mais, como uma caminhada ou uma feira voltada para a sustentabilidade. É um evento muito gostoso e que traz um apelo ambiental forte, ainda mais com os efeitos das mudanças do clima cada vez mais evidentes no nosso dia-a-dia”, afirma Voivodic.

Informações para quem pretende aderir

Para facilitar a participação, este ano o WWF-Brasil criou um novo modelo de adesões, que já podem ser feitas diretamente no site oficial da campanha (www.horadoplaneta.org.br). Ali, é possível que cidades, organizações (entre empresas, escolas, ONGs etc) e indivíduos coloquem seus planos para a data, que vai desde um simples, mas muito significativo, apagar de luzes, até eventos e campanhas de engajamento e conscientização socioambiental.

Os eventos cadastrados são inseridos no Mapa da Hora, também no site, permitindo que as pessoas procurem por eventos e estabelecimentos participantes da Hora do Planeta nas regiões onde estiverem para irem no dia 24. Além disso, para ajudar os marinheiros de primeira Hora, foi colocado no site o Guia para Começar na Hora do Planeta: um material simples, com dicas do que fazer na fase prévia ao evento e durante os 60 minutos principais.

“Muitos participantes da Hora do Planeta já acompanham o evento há anos. Mesmo assim, a cada edição, há pessoas interessadas em fazer parte pela primeira vez. Esse guia deve incentivar essas novas participações”, afirma Voivodic. A publicação traz conteúdo especial para escolas, restaurantes, bares e cafés e hotéis. Atualmente, várias organizações participam da Hora do Planeta na semana prévia ao grande evento. Este é o caso de escolas ou de empresas que estão fechadas no sábado à noite, mas aproveitam a semana para difundir as informações relacionadas à sustentabilidade.

Conecte-se e inspire-se

A Hora do Planeta 2018 também trouxe ao Brasil a possibilidade de homenagear pessoas que têm uma profunda conexão com o planeta. É a seção Conecte-se e Inspire-se, que deve divulgar, semanalmente, histórias que possam servir de inspiração a todos nós. Quem define quem são esses exemplos são os próprios internautas, que podem sugerir amigos, parentes ou simples conhecidos que se encaixem na descrição #ConectadoNoPlaneta.

A Hora do Planeta 2018 também conta com a parceria com a Associação Nacional de Escoteiros, que já vem apoiando a campanha há vários anos. Os escoteiros em todo país tiveram uma semana de atividades pré-Hora do Planeta, aproveitando a simultaneidade da data com o Fórum Mundial da Água, realizado no Brasil pela primeira vez.

Da Redação, com Assessorias

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