Hospitais atraem um mutirão de solidariedade

No Rio, Rocha Faria recebe em média 140 voluntários que levam alegria e acolhimento aos pacientes. Tem até sessão de beleza!

Redação
Voluntários no Rocha Faria (Foto: Divulgação)

A humanização nos ambientes hospitalares traz benefícios significativos de bem-estar geral de pacientes, promovendonão só a redução de tempo de internação, mas também os desconfortos físicos causados por alguns tratamentos. Essa conclusão é unânime entre profissionais de saúde, que também colhem benefícios do ambiente mais humanizado. Não à toa, as redes de voluntariado nos hospitais crescem dia após dia no Brasil.

Eles doam um pouco do seu amor e tempo aos que precisam, um trabalho fundamental no apoio psicológico de pacientes e acompanhantes em unidades de saúde. No bairro de Campo Grande, zona oeste do Rio de Janeiro, pacientes do Hospital Municipal Rocha Faria (HMRF), administrado pela RioSaúde, têm a rotina transformada durante todo o ano por ações de seis grupos de voluntários que visitam a unidade levando um pouco de alívio e alegria por meio da música, teatro, contação de histórias entre outras iniciativas do bem.  Para muitos pacientes, eles são a única visita que recebem.

Voluntários do grupo Servos da Alegria (foto: Divulgação)

Lá, são  cerca de 140 voluntários que vêm humanizando o ambiente hospitalar. O objetivo deles é proporcionar momentos de felicidade num ambiente marcado, normalmente, pela  dor e  solidão. O trabalho é coordenado por Juliana Mallemont, coordenadora de Recursos Humanos e responsável pelo Centro de Estudos da unidade,  que trabalha em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde para implantar os projetos de voluntariado  em unidades da RioSaúde.

O objetivo do voluntariado é trazer acolhimento e tornar o ambiente hospitalar mais agradável. Os grupos desenvolvem ações e  deixam uma palavra amiga para quem muitas vezes nem recebe a visita de familiares”, conta Juliana.

Os palhaços do grupo Servos da Alegria  percorrem as enfermarias cantando e brincando com os pacientes e acompanhantes. Seja criança ou adulto, ninguém resiste as palhaçadas da trupe. “Proporcionar momentos de felicidade aos pacientes nos deixam revigoradas. É gratificante ouvir de uma mãe que conseguimos fazer o filho esquecer um pouco a dor”, revela a agente comunitária e voluntária Sarah Enny.

Voluntários participam de atividades na brinquedoteca do hospital (Foto: Divulgação)

Na Brinquedoteca da unidade, as crianças também se divertem com as brincadeiras e histórias contadas pelos  voluntários.   Todos os livros e brinquedos do espaço, que fica no  Setor de Pediatria, no andar térreo do hospital,  foram doados por funcionários da unidade e comerciantes de Campo Grande.

Voluntária na Brinquedoteca,  Ana Lúcia Costa conta que  aprende muito ao trabalhar com as crianças. “É uma troca constante. A interação com os pequenos pacientes do hospital me dá  oportunidade de presenciar muitas histórias. Assim como elas, eu também aguardo ansiosa para as duas horas que passamos juntas toda sexta-feira”, conta Lúcia.

Polvinho para acalmar recém-nascidos

Os voluntários do HMRF também se inspiram em ações promovidas em outros lugares para organizar novas atividades. O projeto polvinho, por exemplo, foi inspirado em um movimento que começou em 2013 na Dinamarca. São polvos de crochê, confeccionados por cinco voluntárias. Eles são colocados dentro das incubadoras, junto aos bebês prematuros para ajudar a acalmar os recém-nascidos. Os tentáculos lembram o cordão umbilical e causam a sensação de segurança parecida à do útero materno, o que deixa o bebê mais tranquilo.

Os polvinhos são esterilizados antes de ser entregues e a cada sete dias. O hospital recebe cerca de 50 doações por mês e cada bebê leva o seu novo companheiro para casa quando recebe alta.  A Maternidade do Rocha Faria realiza, em média, 450 partos por mês.  Em média, são 30 bebês prematuros ou com baixo peso que ficam internados e são beneficiados pelo projeto.

Cuidar da autoestima é importante

Cuidar da aparência dos pacientes também é prioridade dos voluntários do HMRF. Uma vez por semana, um grupo de voluntários vai à unidade realizar corte de cabelo, barba e unhas. Além da habilidade com as ferramentas de trabalho,  o grupo encontra tempo para ouvir as histórias de todos e deixar uma palavra amiga. “Eles trazem conforto e nos dão mais confiança. Fazem a gente se sentir renovado e preparado para enfrentar o que vier”, diz o paciente Sebastião Rodrigues.

A técnica de enfermagem Alessandra Alves ressalta que os pacientes aguardam com ansiedade pela chegada dos voluntários. “A gente percebe como esse cuidado especial mexe com a autoestima do paciente, fazendo ele se sentir mais bonito e confiante”, ressaltou.

Para ser um voluntário basta enviar um projeto para o e-mail: rhhrf.riosaude@gmail.com, explicando do que se trata, quantas pessoas participam e qual o objetivo.

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