Hospital da Criança no Rio é o primeiro da rede pública no país

Rosayne Macedo
Setpr de terapia ocupacional do Hospital Estadual da Criança (Foto: Divulgação SES-RJ)
Setpr de terapia ocupacional do Hospital Estadual da Criança (Foto: Divulgação SES-RJ)
Setor de terapia ocupacional do Hospital Estadual da Criança (Foto: Divulgação SES-RJ)

Apesar da recente e grave crise nas finanças estaduais – e da crônica crise que a saúde pública atravessa há décadas – um hospital do Rio de Janeiro, voltado para atendimento exclusivo a crianças e adolescentes, parece seguir na contramão e funciona quase como uma unidade privada. Para felicidade de muitos pais que veem seus filhos sofrerem com alguma doença. O Hospital Estadual da Criança (HEC) se apresenta como o primeiro da rede pública do país com atendimento voltado para crianças e jovens até 19 anos e atende casos de alta e média complexidade como cirurgias gerais, ortopédicas, neurocirurgias, microcirurgia, plástica, tratamento oncológico e transplantes renais e hepáticos.

Há exatamente um ano, Vitória Lemos de Oliveira iniciava seu tratamento oncológico no HEC. Atendida primeiramente na emergência do Hospital Central da Polícia Militar após sentir dores agudas na perna, a menina de 11 anos foi encaminhada para a unidade, onde recebeu o diagnóstico de um câncer na pélvis. Nesse período, foram diversas internações curtas no hospital para o tratamento quimioterápico. Sua mãe, Luciana Lemos, conta que ficou impressionada com tudo a que teve acesso desde o primeiro atendimento da menina. Lá, segundo ela, Vitória se sente mais confortável por estar em meio a crianças que vivem a mesma situação e tem respondido melhor ao tratamento por conta da estrutura que é oferecida.

Setor de Oncologia do Hospital da Criança é um dos mais bem equipados (Foto: Divulgação SES-RJ)
Setor de Oncologia do Hospital da Criança é um dos mais bem equipados (Foto: Divulgação SES-RJ)

“O atendimento que sempre recebemos é fantástico. Já aconteceu de parentes ou amigos que foram visitar a Vitória me perguntarem como vou pagar por esse tratamento. Tive que explicar que se trata de um hospital público e as pessoas não acreditam. Eu também nunca pensei ser possível estar num lugar tão bom sendo atendida pelo SUS. Além do tratamento dela, eu tive acesso a psicóloga, pedagoga, assistente social e tudo isso tem ajudado demais a superar a doença. Fui muito bem acolhida e acabamos formando uma família, o que me faz ter mais certeza de que tudo vai dar certo”, relata Luciana.

Mais sobre a unidade

Inaugurada em março de 2014 em Vila Valqueire, no Rio de Janeiro, o HEC é gerido pelo Instituto D’Or de Gestão de Saúde Pública, que é o braço social da Rede D’Or São Luiz. De acordo com a instituição, a unidade oferece aos pacientes da saúde pública a mesma qualidade que o grupo dispõe em seus hospitais privados. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES), o espaço foi preparado para receber exclusivamente o público infantojuvenil, com profissionais especializados e estrutura humanizada.

Da recepção colorida ao elevador que, “na verdade”, é uma engenhoca transportadora, passando pelo tomógrafo – capaz de levar os pacientes para um passeio nas estrelas – e pelo “setor de poções mágicas”, onde são tratados os pacientes oncológicos, tudo foi pensado para tentar fazer com que os momentos difíceis, tão comuns em tratamentos médicos, sejam abrandados. Além disso, a unidade conta com brinquedoteca móvel, terapia ocupacional e recebe frequentemente a visita de voluntários que se “transformam” em palhaços e super-heróis para descontrair o ambiente hospitalar.

“O Hospital Estadual da Criança se especializou em oferecer um atendimento diferenciado, voltado para esse público tão particular. O paciente pediátrico tem mais facilidade de abstrair dos problemas, diferentemente do adulto. Por isso, é tão importante que ele se sinta acolhido e que esteja cercado de mecanismos e atividades lúdicas. Principalmente na Oncologia, o paciente é retirado do seu meio social por muito tempo e aqui ele consegue ficar mais confortável, pois não se sente naquele ambiente hospitalar tradicional. O impacto da doença acaba não se tornando tão grande e isso ajuda a minimizar o sofrimento”, explica a coordenadora da Oncologia do HEC, Patrícia Moura.

O Hospital Estadual da Criança, desde sua inauguração,

Paciente oncológico é submetido a exames no Hospital Estadual da Criança (Foto: Divulgação SES-RJ)
Paciente oncológico é submetido a exames no Hospital Estadual da Criança (Foto: Divulgação SES-RJ)

Em 2015, o HEC se destacou por oferecer atendimento de alto padrão, recebendo a chancela do certificado de excelência concedido pela Organização Nacional de Acreditação (ONA). No estado do Rio, o HEC é o único hospital público certificado com ONA nível 03 de excelência e está entre os 10 que possuem a certificação no Brasil. Em quatro anos de atuação, foram realizados mais de 550 mil exames laboratoriais, cerca de 10.000 sessões de quimioterapia, mais de 22.500 cirurgias e em torno de 75 mil consultas ambulatoriais.

Os resultados foram divulgados na última quarta-feira (24 de agosto), quando se comemorou o Dia da Infância. A data foi criada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) para promover uma reflexão sobre a condição de vida das crianças de todo o mundo, incluindo questões sociais, econômicas e educacionais. A ideia é chamar a atenção para temas que constam na Declaração Universal dos Direitos da Criança, como o acesso a direitos básicos como alimentação, saúde, lazer, liberdade e ambiente familiar e de sociedade.

Fonte: SES-RJ, com Redação

 

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