Isolamento social e ansiedade: o desafio extra para os hipertensos

Psiquiatra afirma que pressão arterial sofre influência das emoções. Um exemplo é a síndrome do avental branco e o transtorno de ansiedade

O ano de 2020 foi marcado pela exposição perante um inimigo invisível que alterou a rotina de milhares de pessoas pelo mundo, nos ensinando sobre resiliência, força e solidariedade. Depois de um ano desafiador, muitos esperavam, para 2021, um ano de esperança, vacinas e uma melhor qualidade de vida para todos.

Ainda com números alarmantes, o Brasil enfrenta um dos momentos mais delicados da pandemia da Covid-19, com um número recorde de mortes em março. Mesmo diante desse cenário preocupante, o apelo para todos os pacientes continua sendo: não parem de se cuidar.

Visando conscientizar a população sobre os cuidados básicos para prevenir e tratar a popular pressão alta, um mal que atinge aproximadamente 25% da população brasileira, comemora-se em 26 de abril, o Dia Nacional de Prevenção e Enfrentamento à Hipertensão Arterial.

Essa doença crônica é caracterizada pelos níveis elevados da pressão sanguínea nas artérias, segundo a definição do Ministério da Saúde. Ela acontece quando os valores das pressões máxima e mínima são iguais ou ultrapassam os 140/90 mmHg (ou 14 por 9).

Transtornos emocionais e hipertensão

Para Giulia Cividanes, mestre em Psiquiatria pela Universidade Federal de São Paulo e consultora científica da Libbs Farmacêutica, não é nenhuma surpresa que a pressão arterial sofre a influência de nossas emoções. “O sistema nervoso autônomo é fortemente estimulado por alterações hormonais e de neurotransmissores que ocorrem quando há um desequilíbrio de nossas emoções”.

Um exemplo clássico disso é a famosa ‘síndrome do avental branco’, quando o médico tenta aferir a pressão arterial do paciente no consultório, mas só o fato do paciente estar diante do médico e saber que será de alguma forma ‘avaliado’, a sua pressão eleva. “Se isso acontece de forma aguda, em momentos situacionais como numa consulta médica, imagine o indivíduo submetido ao estresse crônico, ou portador de um Transtorno de Ansiedade Generalizada?”, reitera.

A psiquiatra reforça que o paciente hipertenso que sofre de algum tipo de transtorno emocional deve ser avaliado por inteiro. “Devemos avaliá-lo de forma holística. No momento da escolha da medicação para tratar a hipertensão arterial é necessário avaliar também a condição emocional a qual esse indivíduo está submetido. Tratar o quadro emocional, seja a ansiedade ou a depressão, concomitantemente ao quadro da doença hipertensiva, irá garantir um maior sucesso do tratamento e um controle mais eficaz da pressão do paciente”, explica.

Ela lembra que a manutenção da saúde mental e física é um fator determinante para o controle e prevenção de doenças cardíacas e também da Covid-19. “Mantenha o foco na profilaxia, faça check-ups anuais e consulte sempre um especialista”, recomenda Dra. Giuliana. Para garantir a saúde mental cotidiana, a especialista traz algumas dicas complementares:

• Não exagere no tempo em frente à tecnologia, seja computadores, smartphones ou outros aparelhos que podem causar estresses.
• Aos finais de semana, dê uma pausa para o Whatsapp.
• Procure encontrar, mesmo no isolamento, alguma atividade que lhe dê prazer: plante algumas sementes, passeie com seu cachorro, pinte um quadro, faça algum esporte.
• Quando a situação do isolamento permitir, passe um tempo na natureza.
• Beba muita água, sempre.
• Procure conversar com pessoas que te fazem sentir bem.

Fator de risco para complicações da Covid

De acordo com Jairo Lins Borges, professor da disciplina de Cardiologia da Unifesp e consultor científico da Libbs Farmacêutica, “a hipertensão é fator de risco mais frequente na população, sendo o maior responsável pelas doenças e complicações cardiovasculares. Frequentemente, vem acompanhada de outros fatores de risco, como diabetes, obesidade e colesterol elevado. Cada um desses fatores aumenta o risco cardiovascular relacionado ao coronavírus”.

Durante esta fase mais crítica da pandemia, é necessário ter atenção redobrada para evitar o contagio, além de manter os cuidados básicos para o controle do estresse e da ansiedade. “A maneira correta de se proteger é controlar ativamente os fatores de risco da hipertensão e não parar o tratamento”, destaca.

Além disso, o médico recomenda manter um estilo de vida saudável com alimentação rica em verduras, frutas e peixes, o que contribui para diminuir o risco de complicações cardiovasculares. “Na medida do possível, as pessoas devem fazer caminhadas ao ar livre, mantendo as medidas de distanciamento, o uso da máscara e álcool em gel, ou buscar alternativas seguras para realizar suas atividades físicas”, complementa Dr. Jairo.

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