Leitos ociosos em hospitais federais com os dias contados

Levantamento aponta 1.300 vagas não ocupadas, enquanto fila de doentes da Covid-19 já passa de mil. Juíza federal cobrou troca da diretora do Hospital de Bonsucesso

Redação
Rio de Janeiro - Hospital Federal de Bonsucesso, em Bonsucesso, zona norte do Rio (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Já  passa de mil o número de pessoas esperando por vagas nas emergências dos hospitais no município do Rio de Janeiro. O número de pacientes em filas de UTI já chega a quase 400 pessoas. São 446 leitos ocupados e há apenas 25 vagas de enfermaria e nove de UTI disponíveis para pacientes com Covid-19. Apesar disso, há cerca de 2.700 leitos ociosos na cidade, sendo 1.300 leitos na rede federal, 358 na rede estadual e 1.102 na rede municipal, como apontou um levantamento feito por parlamentares da Assembleia Legislativa (Alerj) e da Câmara de Vereadores.

A conta não fecha. E por causa disso a juíza federal Carmen Silvia Lima de Arruda, da 15ª Vara Federal do Rio de Janeiro, intimou o Ministério da Saúde para uma série de ações relativas ao tratamento de pacientes com Covid-19 em unidades federais no Rio de Janeiro. A que causou maior repercussão foi a troca da direção do Hospital Federal de Bonsucesso, devido a possíveis omissões cometidas pelos atuais gestores. Segundo despacho da juíza, o hospital falhou ao não apresentar plano de contingência para a Covid-19, ter leitos ociosos (alguns de UTI) e não comprar testes de detecção de coronavírus para os funcionários do hospital.

Estou intimando o Ministério da Saúde para se tomar ciência do que está se passando no Hospital de Bonsucesso e providenciar imediata troca da diretoria do hospital pela omissão diante da pandemia”, disse a juíza, durante audiência na última quinta-feira (30).

De acordo com a Justiça, o Ministério da Saúde deverá informar ainda as providências que serão tomadas em relação aos outros hospitais da rede, já que haverá leitos ociosos em decorrência da suspensão de cirurgias eletivas. Determina-se ainda que os profissionais desses hospitais sejam submetidos ao exame de detecção do coronavírus, no prazo de cinco dias.

Hospitais de campanha

A Justiça ainda intimiu o Comando Militar do Leste para que faça um levantamento dos insumos e equipamentos necessários para a abertura de hospitais de campanha. Também foram intimados os diretores dos hospitais do Exército, Marinha e Força Aérea no Rio para que informem sobre a ocupação dos leitos desses hospitais. O CML informou à Agência Brasil que “todas as informações estão disponíveis no referido processo legal instaurado”.

Inaugurado pelo Governo do Estado no dia 25 de abril com expectativa de contar com 200 leitos em sua capacidade total, o Hospital de Campanha do Leblon já tinha 54 pacientes na noite de sexta-feira, dos quais 42 destes internados na UTI. Quando a unidade inciou seu funcionamento contava com apenas 10 leitos de UTI e 20 de enfermaria. A expectativa é abrir mais 60 leitos na segunda-feira. O governador Wilson Witzel havia anunciado para a próxima semana o Hospital de Campanha do Maracanã. Já o Hospital de Campanha da Prefeitura no Riocentro, que abriu com 100 leitos, sendo 80 de enfermaria e 20 de UTI, tinha oito leitos sendo ocupados na tarde de sábado (2).

Com Agências