Mães de crianças que estudam em hospital são homenageadas

Classe hospitalar do HPM Macaé/RJ. Foto: Ana Chaffin.
Classe hospitalar do HPM Macaé/RJ Foto: Ana Chaffin
Classe hospitalar do HPM Macaé/RJ Foto: Ana Chaffin

Elas passam os dias ao lado do leito dos filhos, enquanto aguardam sua recuperação e o tão esperado momento da alta. São as mães das crianças internadas em hospital de Macaé onde são dadas aulas regulares aos pacientes, para que não percam de ano letivo por conta de doenças. Nada mais justo que oferecer um dia diferente às mães que passam o dia acompanhando os filhos hospitalizados.  Esta semana elas recebem  uma programação especial em homenagem ao Dia Internacional da Mulher (8 de março), de quinta a sexta-feira (de 7 a 9), sempre a partir das 9h.

Para Graicielen Gomes Nascimento, mãe de Caio da Silva Lima, de 11 anos, o atendimento para os hospitalizados é muito importante. “Esse trabalho faz a diferença na vida dos alunos. Gostei de ver meu filho na Classe Hospitalar. Ele estava meio triste e chegou a sorrir ao participar das atividades”, conta. Caio é um dos alunos do programa que recebe estudantes até 12 anos no Hospital Público de Macaé (HPM), em parceria com a Secretaria Municipal de Educação.

Enquanto está aguardando alta, o aluno do 5º ano da Escola Municipal Lions (Glória) está participando de atividades pedagógicas e realizando todos exercícios da escola. Internado por conta de apendicite, o menino se mostrou feliz ao rever o material escolar. Com o suporte da professora da classe, Caio fez exercícios das disciplinas de Português, Ciências, História e Matemática, sua disciplina preferida. “Gosto de estudar.  A matéria de Matemática é a mais fácil. Já a de História, nem tanto. Quando fui para sala, até esqueci que estava no hospital.  A professora me ajudou muito”, conta.

Classe hospitalar do HPM Macaé/RJ. Foto: Ana Chaffin.
Classe hospitalar do HPM Macaé/RJ. Foto: Ana Chaffin.

Vitória Rosa Nepomuceno, mãe de  Davi Rosa, e Wanderleia Aparecida da Silva, mãe de William Alves, elogiam a interação. “É na Hospitalar que nós interagimos. Damos força um para o outro. Trocamos experiências e recebemos dicas e carinho dos profissionais. Sempre aprendemos algo que vai nos ajudar. Agradecemos muito por ter esse espaço. O acolhimento é maravilhoso”, comentam. As oficinas que os responsáveis participam são desenvolvidas em parceria com o setor de Psicologia do HPM.

Como funciona a Classe Hospitalar

Contribuir com a adaptação dos pacientes hospitalizados no retorno à escola é um dos objetivos do atendimento da Classe Hospitalar. Os estudantes que receberam alta hospitalar, mas ainda não têm condições de voltar à escola, contam com Atendimento Pedagógico Domiciliar, direcionado aos impossibilitados de frequentar a escola temporariamente. Além das crianças e pré-adolescentes, o atendimento estreita a relação com as mães ou responsáveis, que estão com filhos internados.

Durante a passagem pela Classe Hospitalar, os atendidos podem receber os conteúdos repassados na escola. A partir do quinto dia que o estudante estiver internado sem previsão de alta, a Classe Hospitalar entra em contato com a escola para receber exercícios e outras atividades. A iniciativa também é reconhecida pela equipe médica como um atendimento de extrema importância. Segundo a Coordenadora da Pediatria, Ângela Márcia Mendonça, o atendimento contribuí não apenas no acompanhamento pedagógico.

“Na impossibilidade de frequência à escola, durante o período sob tratamento de saúde, o aluno-paciente pode ficar angustiado, o que pode comprometer o seu estado de saúde, não só na área psicológica, mas na física. Na emergência, a criança chega a se distrair com as atividades recreativas. Já nos leitos da pediatria, eles têm acesso à atividades lúdicas e pedagógicas, que  implicam em um acolhimento  diferenciado para crianças e pais, que mudam as rotinas e se separam dos familiares por conta de adoecimento”, explica a pediatra.

A rede municipal, de acordo com o secretário de Educação, Guto Garcia, atende ao Conselho Nacional de Educação, que prevê o atendimento educacional às crianças em tratamento de saúde, que implique internação hospitalar. “O município também segue as determinações do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e Ministério da Educação (MEC), que indica a ação integrada entre os sistemas de ensino e saúde, por meio das classes hospitalares, na tentativa de dar continuidade ao processo de desenvolvimento e aprendizagem”, pontua.

Para a Superintendente de Educação Inclusiva, Cyntia Gonçalves, a Classe Hospitalar atende a diversidade do estudante, numa perspectiva inclusiva. Além disso, segundo a coordenadora, Lisiany Braga, os dados do atendimento na Classe Hospitalar serão incluídos no e-cidade, cadastro que consiste  em informações sobre as escolas do município como “Pré-Matrícula”, “Bolsa Família”, “Recursos Humanos” e “Supervisão Escolar”. “Para este ano já está sendo definido o atendimento para alunos do 6º ao 9º ano, que ficam internados na ala de adultos”, explica a coordenadora.

Classe hospitalar do HPM - Macaé/RJ Foto: Ana Chaffin
Classe hospitalar do HPM – Macaé/RJ Foto: Ana Chaffin

Brinquedoteca

Além de desenvolver planejamento pedagógico específico conforme o perfil dos alunos-hospitalizados, os que aguardam exames e atendimento de emergência também contam com atividade diferenciada na brinquedoteca. No espaço são realizados  trabalhos lúdicos e artísticos como jogos pedagógicos e contação de histórias. Ana Luisa Freitas Quezado, de 5 anos, foi uma das atendidas. Com febre alta, a menina que foi levada pela mãe Samanta Freitas para o atendimento de urgência no HPM, confessou que gosta de ir no hospital por causa da brinquedoteca. “Não gosto de tomar remédio, mas chego e vou logo brincar. As tias são muito legais”, conta a estudante da Escola Municipal Jacyra Tavares Duval (Novo Cavaleiros).

Atendimento Domiciliar

Os estudantes que receberam alta hospitalar, mas ainda não têm condições de retornar à escola por conta do quadro de saúde, contam com Atendimento Pedagógico Domiciliar, que visa manter o vínculo e reintegração à escola e oferece atendimento aos impossibilitados de frequentar a escola, durante um período temporário.

Desenvolvido por um professor, os estudantes têm acesso a currículo flexibilizado e/ou adaptado, favorecendo seu ingresso, retorno ou adequada integração ao seu espaço escolar, como parte do direito de atenção integral. O atendimento domiciliar também  tem como finalidades promover  a aceitação, autoestima, segurança e melhor qualidade de vida em prol do desenvolvimento das potencialidades e contribuir para reintegração à escola após alta hospitalar.

 Atividades

A atividade do Dia da Mulher nesta quarta-feira (7), contará com oficina de artesanato nas pediatrias I e II e  confecção de cartão. Já na quinta-feira (8), a homenagem será marcada por uma atividade especial no pátio da pediatria. No espaço, haverá apresentação do grupo HistoriArte, contadores de histórias da rede municipal, Grupo Grutas Teatral da Secretaria de Saúde e oficina de maquiagem. Na brinquedoteca, que funciona na recepção da Emergência Pediátrica,  terá a mesma programação, além de atividade integrada com as crianças e mães. Na sexta (9) haverá oficinas na brinquedoteca. Além das programações especiais, as mães que estão com filhos internados, também recebem orientações sobre saúde, estima, higiene e qualidade de vida, informações que visam reforçar o apoio junto aos pacientes.

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