Mães e o medo da dor ao amamentar: dicas para enfrentar o problema

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Eu amamentei a Clarinha até pouco mais de dois anos. Mas no começo não foi fácil. Chorava ao ver minha “beiba” chorar de fome porque não conseguia pegar corretamente a ama. Os seios doíam e chegavam a sangrar, mas eu insisti, mesmo contrariando orientação de uma pediatra que consultei no “SOS”, que recomendou introduzir outro leite para sustentá-la. Segundo ela, 0 meu leite não era suficiente, o que definitivamente não era verdade. Foram semanas de sofrimento, mas não desisti.

De fato, dificuldades e dores para amamentar são comuns entre muitas mães e assustam, especialmente, as “mãerinheiras” de primeira viagem. Especialistas explicam que bebês sadios e nascidos a partir da 37ª semana de gestação já possuem reflexo suficiente para sugar. Apesar disso, para obter sucesso na amamentação é necessário um conjunto de medidas que, praticadas corretamente, proporcionam o fornecimento adequado de nutrientes, evitam o empedramento do leite e fortalecem o vínculo entre mãe e filho, além de tornar confortável para os dois.

É o que ensina a  fonoaudióloga Tereza François, do Hospital Oeste D’Or. “Se a pega estiver errada, há dor e fissuras na mama, e o bebê pode ficar estressado e cansado, pois ele terá que fazer muito esforço para conseguir extrair o leite. Além disso, a dificuldade em sugar, devido ao abocanhamento errado, favorece o empedramento.”, explica. Confira, abaixo, os três passos da amamentação conforme orientação da especialista:

1. Postura

A barriga do bebê deve estar em contato e virada para a barriga da mãe, e o seu rosto de frente ao seio. O braço da criança vai para debaixo do da mãe e o outro fica em cima da mama. A mão materna que apoia a cabeça também segura o bumbum do bebê e o outro braço fica livre.

2. Pega no seio

A criança deve ir em direção ao seio e não o contrário. Quando abrir a boca, ela precisa abocanhar toda a auréola, não apenas o bico, fazendo um formato de boca de peixe: lábios superior e inferior virados para fora. O queixo raspa a mama e o nariz fica livre.

Se o bebê não consegue abocanhar corretamente sozinho, a mãe pode ajudá-lo fazendo uma “pinça”. Para isso, deve segurar a auréola com as mãos em formato de C (polegar em cima e os quatro dedos na parte de baixo da mama). A pega em formato de V, feita com o dedo indicador e médio é incorreta.

 3. Tirar o bebê do seio

Geralmente, o bebê larga por si só quando está satisfeito. Mas, se for necessário retirar, basta inserir o dedo mindinho entre o mamilo e a língua dele. Isso cria um vácuo, que evita dor e ferimentos causados por puxões ou mordidas.

Cuidados com os seios para facilitar o processo da amamentação

1 – Uma dica para facilitar o processo do aleitamento materno é fazer uma ordenha previamente. Isto esvazia um pouco a mama cheia e permite que o mamilo não esteja muito duro, favorecendo a pega correta;

2 – A ordenha manual é mais adequada que o uso da bomba elétrica, pois permite que a mãe tenha mais sensibilidade ao massagear o seio. Assim, é possível controlar a pressão para retirar o leite. A massagem deve ser feita de cima para baixo para levar o leite até o mamilo e em volta da auréola, apertando com o polegar e o indicador para fazer a extração;

3 – Se o peito ferir durante a amamentação, é ideal passar o próprio leite nas feridas e esperar secar naturalmente. O sol também pode ser um bom aliado para fortalecer a pele;

4 – Existem conchas e ventosas que ajudam a formar o bico, caso a mãe não tenha. Seringas também podem auxiliar na formação. Basta cortar a ponta de seringa, tirar o embolo (puxador), colocá-lo na parte cortada e, na outra ponta, encaixar o bico e puxar.

Pesquisa mostra que mulheres temem dor ao amamentar

Comprovadamente, o leite materno protege o bebê de diversas doenças e infecções, como otites, alergias e pneumonias, além de melhorar o desenvolvimento mental da criança e contribuir para o fortalecimento do vínculo afetivo entre mãe e filho. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a amamentação até dois anos de idade, sendo que o bebê deve ser alimentado exclusivamente pelo leite materno até os seis meses, com introdução de alimentos complementares a partir dessa idade.

Apesar dos propagados benefícios da amamentação, pesquisa realizada com 500 mães, em Londres, mostra que 75% delas pretendiam parar de amamentar devido ao medo de dor, 71% devido a tomar remédios e 63% devido ao embaraço de ter que amamentar em público. O estudo destaca as seis razões alegadas pelas mães para não quererem amamentar  – veja os principais motivos:

    – Toda a experiência foi cansativa – A maioria das mães com seu primeiro filho descobriu que o aleitamento materno é exaustivo, especialmente quando há tarefas domésticas associadas, e o desgaste pode afetar seu bem-estar físico, emocional e mental.

    – Isso tornou o bebê mais satisfeito – A amamentação é altamente recomendada, mas pode não satisfazer o bebê e a mudança para fórmula faz ver o bebê crescer.

  – Falta de suporte – A licença paternidade curta (duas semanas) deixará a mãe sozinha para cuidar do bebê e da casa, e essa falta de apoio pode trazer o risco de desmame precoce.

    – Algumas mães simplesmente não gostam – Uma mãe da pesquisa rejeitou a ideia e a prática da amamentação, sentindo-se emocionalmente abalada e sem apoio para essa questão dos profissionais de saúde.

    – Pressão social – As mães se sentem muito questionadas sobre o tempo de amamentação e são pressionadas para o uso de fórmulas acima de 3 meses, colocando em risco a amamentação.

    – Antigos costumes sociais – A mentalidade tradicional, antiga, considera o aleitamento materno como um tabu e socialmente inaceitável, prejudicando a amamentação em público.

Da Redação, com assessorias

 

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