Quanto mais conexões sociais, mais se vive e tem saúde

Estudo de Harvard mostra que a socialização é importante para a saúde mental da população acima dos 60 anos, que costuma receber menos estímulos cognitivos conforme envelhece

Rosayne Macedo
idosos
Quanto mais amigos, maior é a longevidade. A socialização é importante para a saúde mental da população acima dos 60 anos, que costuma receber menos estímulos cognitivos conforme envelhece. É possível se preparar para essa fase da vida durante a juventude, estabelecendo laços com as pessoas e praticando mudanças em seu estilo de vida.
De acordo com o Estudo de Harvard do Desenvolvimento Adulto, pessoas que estão mais conectadas socialmente são mais felizes, têm mais saúde e vivem mais do que aqueles com poucas conexões. Saber pedir e conceder perdão é uma habilidade importante para a manutenção de bons relacionamentos com amigos, familiares e com a comunidade.
A pesquisa, que já vem sendo realizada há 75 anos com dois grupos de homens e agora com seus filhos, é um dos estudos longitudinais mais abrangentes de toda a história. Uma de suas principais descobertas foi que bons relacionamentos nos mantém mais felizes e saudáveis. Portanto, mais longevidade.
Já o estudo britânico Potentially modifiable lifestyle factors, cognitive reserve and cognitive function in later life: A cross-sectional study, revela que diferentes mudanças no estilo de vida podem ajudar a preservar a função cognitiva mesmo ao envelhecer. Alguns dos fatores que influenciam significativamente a manutenção desta função são a prática de atividade física, uma dieta saudável e atividade social e cognitiva.
A mesma pesquisa aponta que a perda das capacidades cognitivas não é uma parte inevitável do envelhecimento. A geriatra defende o planejamento para a vida idosa incluindo novos aprendizados e destaca a importância da manutenção de bons relacionamentos ao longo da vida.
“O isolamento do indivíduo faz mal à saúde, por isso manter o contato com as pessoas e melhorar as relações é muito importante. São coisas que qualquer um pode fazer antes de atingir a maioridade e que podem melhorar e muito a qualidade de vida. É necessário se preparar para envelhecer, é um hábito que a população brasileira ainda precisa desenvolver e que vai fazer toda a diferença no futuro. Além disso, é importante manter-se ativo e aberto a novas experiências de aprendizagem como cursos, aulas, workshops, oficinas, algo que traga benefícios cognitivos”, diz Maristela.
Aumento do envelhecimento demográfico
Pesquisas recentes mostram uma clara tendência de envelhecimento demográfico. A proporção de pessoas com mais de 60 anos passou de 9,8% para 14,3% entre 2005 e 2015 no Brasil, segundo recente estudo do IBGE. Na faixa de 60 a 64 anos, o nível de ocupação aumentou de 47,6% para 52,3% no mesmo período. Em contrapartida, caíram as proporções de crianças de 0 a 14 anos (5,5 pontos percentuais) e de jovens de 15 a 29 anos (3,8 pontos percentuais).
“A queda da fecundidade e o aumento da expectativa de vida representam hoje um novo padrão demográfico para o Brasil, impactando diretamente sua pirâmide etária. A previsão é que em 2060 a população jovem represente apenas 15,34% do total. Em 2030, quase metade da força de trabalho estará acima de 45 anos. Os dados são relevantes e exigem cuidados que impactam a agenda de saúde pública para a promoção de uma vida melhor e mais longa”, ressalta Maristela Soubihe, geriatra do Hospital Santa Paula (SP).
“O idoso de hoje traz com ele uma história de perdas e vitórias porque, para o senso comum, a idade cronológica seria uma característica definidora: quando nos tornamos velhos, seríamos esvaziados de paixões, capacidades e experiências e sofreríamos um declínio generalizado. Porém, com o passar do tempo, percebemos que é nesta fase que começa um novo momento. É quando estamos livres para ter lazer, ter prazer e seguir as próprias vontades. Nos descobrimos vitais, engajados e curiosos”, explica a psicóloga Maria Célia de Abreu, de 73 anos.
Segundo ela, os idosos continuam a crescer, até o último suspiro. “Nosso senso do que é de fato importante aumenta, pois levamos a vida com mais intensidade. Sabemos que ela não vai durar para sempre. Resistir à idade é um modo tolo de resistir à vida. Não podemos viver fora do tempo. Tornar a vida dos idosos, cada vez mais numerosos, confortável e significativa, é um ponto fundamental de igualdade que beneficiará as pessoas de todas as faixas etárias”, acrescenta.
Dia do Idoso e O Novo Envelhecer
O Dia Internacional do Idoso é comemorado no Brasil no dia 1º de outubro e tem como objetivo valorizar as pessoas com mais de 60 anos. A data marca a promulgação do Estatuto do Idoso – Lei N°10.741, que reforça a importância da proteção a esse público e estabelece direitos como a prioridade em alguns serviços e a garantia de acesso à saúde, alimentação, educação, cultura, lazer e trabalho.
Em homenagem ao Dia do Idoso, o Hospital Santa Paula, em São Paulo, realiza no dia 28 de setembro, das 15h às 17h, a roda de conversas “O Novo Envelhecer”, sobre o novo perfil da pessoa com mais de 60 anos na atualidade. Com o aumento da expectativa de vida, as pessoas trabalham por mais tempo e levam uma vida ativa que é muito diferente do idoso das gerações anteriores.
Terceira idade é um tema prioritário na agenda do Hospital Santa Paula, que realiza ações permanentes voltadas à capacitação dos profissionais e apoio aos cuidadores e acompanhantes de pessoas com mais de 60 anos. Em 2015, o Santa Paula conquistou o Selo Hospital Amigo do Idoso, concedido pelo Governo do Estado de São Paulo.
Esta certificação exige o cumprimento de ações de acolhimento e humanização dentro do hospital, adaptando a forma de gestão assistencial, identificação e desenvolvimento de programas de capacitação do pessoal e adaptação dos ambientes para melhor adequar às necessidades dos idosos, garantindo segurança e acessibilidade.
Fonte: Hospital Santa Paula, com redação
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