Mais mosquitos com bactéria no ar é estratégia contra dengue no Rio

Rosayne Macedo

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Liberar no ambiente mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia para reduzir a transmissão dos vírus da dengue, zika e chikungunya. Esta é a estratégia da Fiocruz ao anunciar  a liberação de mosquitos com Wolbachia em larga escala no município do Rio de Janeiro nesta terça-feira (29). A iniciativa faz parte das ações do projeto Eliminar a Dengue: Desafio Brasil (EDB), desenvolvido desde 2014, que amplia, gradativamente, a área de liberação destes mosquitos na cidade.

Dez bairros da Ilha do Governador serão atendidos nessa etapa da expansão: Ribeira, Zumbi, Cacuia, Pitangueiras, Praia da Bandeira, Cocotá, Bancários, Freguesia, Tauá e Moneró. Na sequência, toda a Ilha do Governador será coberta. Após a conclusão do trabalho na região, o projeto EDB se expandirá para outras localidades da cidade do Rio, nas zonas Norte e Sul. A liberação de mosquitos será encerrada até o final de 2018. A expectativa é que as áreas beneficiadas pelo projeto reúnam cerca de 2,5 milhões habitantes.

Nesse processo de expansão do projeto EDB, a Fiocruz colocou em funcionamento o Simulado de Campo, uma estrutura na Expansão do campus destinada à produção em larga escala de Aedes aegypti com Wolbachia. A nova estrutura funcionará ao lado do local atual destinado à criação de mosquitos e contará com mais espaço físico, equipamentos e técnicas específicos para o aumento da produção. A finalidade do Simulado de Campo é suprir a maior demanda por mosquitos na fase atual do projeto.

Atualmente, a capacidade de produção é de 600 mil de ovos a cada semana. No Simulado de Campo a capacidade passará inicialmente para 1,6 milhão de ovos e alcançará um pico de 3 milhões. A capacidade máxima estimada de produção semanal é de 10 milhões de ovos de Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia.

“Esta estrutura é única no país e será a primeira vez que uma instituição pública de pesquisa atingirá essa produção, viabilizando a expansão do projeto. Estes ovos serão utilizados para a liberação nas áreas de abrangência do Eliminar a Dengue, para a manutenção da nossa colônia e também para as pesquisas conduzidas pelas equipes dos especialistas do projeto”, enfatiza o pesquisador líder do EDB, Luciano Moreira.

As técnicas empregadas pelo EDB não envolvem modificações genéticas, nem no Aedes aegypti e nem na Wolbachia, não provocam a supressão do mosquito, e sim, a substituição de uma população que transmite dengue, zika e chikungunya por outra que não oferece risco à população. A verificação da presença da Wolbachia nos mosquitos é feita por meio da análise em laboratório dos mosquitos que são capturados, semanalmente, pela equipe do EDB. As armadilhas de mosquitos ficam instaladas na residências e comércios de moradores ou trabalhadores nas áreas, que aceitam participar voluntariamente como anfitriões, formalizando sua parceria junto ao EDB.

Ao dar início a essa nova fase do projeto, os pesquisadores da Fiocruz, em parceria com outras instituições, reforçam suas apostas em iniciativas inovadoras e buscam, por diferentes prismas, enfrentar uma doença que traz problemas ao país. “Este projeto é uma clara demonstração de que a inovação tecnológica pode contribuir para a superação de graves problemas de saúde pública, como as doenças que têm o Aedes aegypti como transmissor. No entanto, não podemos esquecer que a proliferação do mosquito está intimamente associada a questões sociais e ambientais. A forma como lidamos com o ambiente, descartando objetos que podem se transformar em potenciais criadouros do mosquito Aedes aegypti; a deficiência na coleta do lixo urbano, ao abastecimento irregular de água para uso doméstico; e a violência urbana que impede a adequada ação dos agentes de endemias”, ressalta a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima.

O programa Eliminar a Dengue: Nosso Desafio é uma iniciativa internacional, sem fins lucrativos, com o objetivo de oferecer uma alternativa sustentável e de baixo custo às autoridades de saúde das áreas afetadas pela dengue, zika e chikungunya, sem qualquer gasto para a população. A sede do programa mundial fica na Universidade Monash, na Austrália. Os demais países em que a iniciativa está presente, em diferentes etapas de desenvolvimento, além de Brasil e Austrália, são Colômbia, Índia, Indonésia, Sri Lanka, Vietnã, Fiji, Vanuatu e Kiribati.

Fonte: Fiocruz, com redação

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