Mapeamento de pintas pode detectar câncer de pele

Diagnóstico feito em laboratório ajuda no tratamento precoce da doença. Entenda como funciona a regra internacional do ABCDE

O mês de dezembro é marcado pela campanha Dezembro Laranja, que alerta para a importância da prevenção ao câncer de pele, tipo mais frequente no Brasil. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), são diagnosticados cerca de 170 mil casos novos de câncer de pele por ano no Brasil. Dentre eles, os carcinomas são os mais frequentes, representando 30% dos tumores malignos registrados e com alta chance de cura quando diagnosticado precocemente.

Com a chegada do verão, os cuidados com a exposição excessiva aos raios ultravioleta, principal fator de risco para a doença, devem ser redobrados, em especial o UVB, que está associado à queimadura solar. A prevenção e a detecção precoce são as maiores aliadas contra o câncer de pele. Os cuidados – evitar exposição ao sol no período de 10h às 16h, aplicar protetor solar diariamente e utilizar chapéu e óculos escuros para atividades ao ar livre – valem para o ano todo, mas devem ser reforçados durante o verão.

Há dois tipos de câncer de pele: o não-melanoma, de maior incidência e baixa mortalidade, e o melanoma, que representa apenas 3% dos casos de câncer de pele, porém com maior índice de mortalidade. Segundo o Inca, o câncer de pele não-melanoma corresponde a 30% de todos os diagnósticos e a estimativa para o biênio 2018/2019 é de 165 mil novos casos no país.

O câncer de pele não-melanoma possui altas chances de cura quando detectado precocemente. Já o melanoma é mais grave devido ao alto risco de metástase”, explica Bruno França, oncologista clínico e diretor médico do Grupo CON. Por isso, é importante estar atento a qualquer alteração em forma de pintas, manchas ou feridas na pele.

Os nevos melanocíticos, popularmente chamados de ‘pintas’ ou ‘sinais’ na pele, também são um fator de risco. Para facilitar a identificação de lesões suspeitas, é consenso entre os dermatologistas “a regra do ABCDE”, que lista os sinais importantes e de fácil percepção pelo paciente, e atentar para feridas que não cicatrizam. Se esses sinais na pele forem identificados, a orientação é procurar um dermatologista rapidamente.

Os sintomas do melanoma estão relacionados ao aparecimento ou alteração de manchas na pele, conforme a regra internacional conhecida como ABCDE, em que cada letra corresponde a uma característica:

Assimetria: uma metade do sinal é diferente da outra.

Bordas irregulares: contorno mal definido.

Cor variável: presença de várias cores em uma mesma lesão (preta, castanha, branca, avermelhada ou azul).

Diâmetro: maior que 6 milímetros.

Evolução: mudanças observadas em suas características (tamanho, forma ou cor).

Caso seja observado algum desses sinais, é recomendável ir ao dermatologista, que fará uma avaliação da pele e, se necessário, uma biópsia da lesão suspeita. “Essa avaliação também pode e deve ser realizada antes do aparecimento de sintomas, como forma de detecção precoce. A periodicidade do exame vai ser indicada pelo dermatologista, de acordo com o risco do paciente”, destaca Dr. Bruno.

O diagnóstico é feito por meio do exame clínico da pele, podendo ter o auxílio de um dermatoscópio, ferramenta que permite a visualização das estruturas mais profundas das lesões cutâneas. Aliado ao dermatoscópio, o mapeamento corporal de nevos, que inclui a associação de fotos do corpo e a dermatoscopia, com possibilidade de um seguimento das pintas a longo prazo,  é indicado apenas para casos de maior risco, ou seja, para aqueles que têm muitas pintas, que já tiveram câncer de pele ou casos da doença na família.

O mapeamento corporal de nevos fotografa as lesões encontradas em intervalos que podem variar de 3 a 12 meses e, com isso, identifica as pequenas mudanças ocorridas durante o período, muitas vezes imperceptíveis a olho nu. “É um importante exame para o diagnóstico precoce, pois encontrar o câncer no início é a melhor maneira de tratá-lo com sucesso”, explica o médico dermatologista do Sérgio Franco Medicina Diagnóstica, João Avancini.

Segundo Auro Del Giglio, oncologista do HCor, as pintas que merecem atenção são aquelas que tem pigmentação irregular, bordas assimétricas e aquelas que mudam de características com o tempo, aumentando de tamanho, espessura ou cor. Qualquer lesão cutânea que apareça deve ser sempre avaliada por um médico. “É importante limitar ao máximo a exposição ao sol, usar o protetor solar e chapéu, além de atentar para todas as pintas ou lesões novas ou aquelas que mudarem de características (tamanho, espessura e cor)”, alerta Dr. Auro.

“É importante estar atento a sintomas como uma lesão na pele de aparência elevada e brilhante, translúcida, avermelhada, castanha, rósea ou multicolorida, com crosta central e que sangra facilmente; uma pinta preta ou castanha que muda sua cor, textura, torna-se irregular nas bordas e cresce de tamanho; uma mancha ou ferida que não cicatriza, que continua a crescer apresentando coceira, crostas, erosões ou sangramento”, informa.

Quando diagnosticado no início, o tratamento do câncer de pele é simples. “Pode ser realizada a retirada cirúrgica da lesão, com margens de segurança. Já nos casos mais avançados, além da cirurgia, pode ser indicada radioterapia ou as terapias sistêmicas. Atualmente, temos novos tratamentos para o melanoma avançado localmente ou metastático, como a imunoterapia e a terapia alvo, que revolucionaram o prognóstico da doença”, explica o oncologista.

Dr Avancini ressalta ainda que, para os casos mais graves, como os metastáticos, já existem novos medicamentos no mercado e estudos que comprovam o aumento da sobrevida desses pacientes.

Fatores de risco

O principal fator de risco para o câncer de pele é a exposição solar associada diretamente com a radiação ultravioleta, a qual é considerada a principal causadora de alterações genéticas que, ao se acumularem, levam ao desenvolvimento de neoplasias (crescimento anormal e progressivo de tecido).

Pacientes de alto risco

O câncer de pele é mais comum em pessoas com mais de 40 anos, sendo sendo mais incidente em homens e relativamente raro em crianças e pessoas de pele negra, com exceção daquelas já portadoras de doenças cutâneas anteriores. Pessoas de pele clara, olhos claros e sardas e sensíveis à ação dos raios solares estão mais propensos ao desenvolvimento do câncer de pele. “Quanto mais clara a pele, maior o risco, mas qualquer pessoa pode desenvolver a doença. Existe, ainda, uma pequena parcela da população que possui o risco relacionado à predisposição hereditária ou a doenças raras”, completa França. “Pacientes com história familiar de melanoma também merecem atenção especial pois constituem o principal grupo de risco para o problema”, explica Dr Auro.

Prevenção

É importante reduzir a exposição solar, em especial, nos horários de pico de incidência solar (das 10h às 16h), além do uso de protetor solar, roupas com fotoproteção, chapéus, óculos escuros e restrição da exposição à radiação UV adicional (sendo as câmaras de bronzeamento artificial a fonte mais comum). O principal rastreamento de câncer de pele é o exame clínico. É feito por meio de uma intervenção não invasiva, de baixo custo e com ampla aceitação entre os pacientes.

Tipos de cânceres de pele

O câncer de pele caracteriza-se por uma proliferação celular anormal e descontrolada, que apresenta diferentes variações: carcinoma basocelular – que acomete as células da camada mais profunda da epiderme; carcinoma espinocelular – que se manifesta nas camadas mais superiores da pele; e melanoma – que tem origem nas células produtoras de melanina. A doença pode apresentar diversos tipos, sendo o mais comum, o câncer da pele não melanoma (carcinoma). Possuem letalidade baixa, porém, seus números são muito altos, sendo quase 90% dos casos, provocando cerca de 1.900 óbitos a cada ano no país.

Dezembro Laranja na Rodoviária do Rio

A campanha “Dezembro Laranja”, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, alerta a população para os cuidados com o sol e os riscos do câncer da pele. Por conta das altas temperaturas no final do ano, é preciso que os cuidados com a pele sejam dobrados para evitar os efeitos nocivos dos raios solares, fator tido como uma das causas principais do aumento nos índices de tumores de pele entre a população brasileira.

Nesta sexta-feira, 20 de dezembro, a partir das 9h, o Dezembro Laranja chega à Rodoviária do Rio. Até o início da tarde, quem passar por lá vai encontrar o Papai Noel Laranja presenteando a criançada com caderno de colorir (clique para baixar: https://bit.ly/2LJaDpA) e gibis da turma da Mônica que trazem a temática da ação. Folhetos explicativos sobre hábitos de proteção solar, laços e fitinhas laranja serão distribuídos ao público.

Além disso, no mesmo dia, em alusão à campanha, a fachada do terminal rodoviário receberá iluminação laranja. Estima-se que de 19 de dezembro a 6 de janeiro 1 milhão de pessoas passe pelo local. O movimento é 5% maior que ano passado. Em sua sexta edição, esse ano, além de conscientizar a população sobre a prevenção desde a infância, a iniciativa tem como objetivo principal alertar sobre os #SINAISDOCÂNCERDEPELE para diagnóstico e tratamento precoces com um médico dermatologista, aumentando as chances de cura na grande maioria dos casos.

Fique atento aos #sinaisdocancerdepele e participe do #Dezembrolaranja. Para saber mais sobre a campanha, acesse: www.dezembrolaranja.com.br

Com Assessorias

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