Médica que cuidou do pai com câncer de mama avalia desafios da doença no país

Oncologista Sabrina Chagas explica como o câncer de maneira geral é tratado no Brasil

As médicas Sabrina Chagas e Maria Julia Calas participam do Papo Rosa (Foto: Divulgação)

A decisão de Sabrina Chagas de ser tornar oncologista foi bem antes de começar a faculdade de Medicina. Ainda na adolescência, o câncer levou um vizinho e parente muito querido. Foi ali que ela decidiu que seguiria a especialidade para cuidar das pessoas.

O câncer está presente na vida dessa médica há muitos anos, não como um fardo, mas como um processo de evolução da vida.  Mas o golpe mais dolorido e ao mesmo mais motivador para a sua caminhada, foi quando seu pai, o renomado médico mastologista Ricardo Chagas, foi diagnosticado com câncer de mama. O mundo desabou e começou novamente ali.

Durante todo o tratamento dele, Sabrina escreveu seu primeiro livro: “Como Estamos?: O desafio do câncer de mama”. Em 121 dias, entre a descoberta de um caso de câncer de mama em um homem e o fim do tratamento, a médica oncologista Sabrina Chagas conta como foi receber a notícia da doença e acompanhar o tratamento.

O relato da Dra Sabrina, escrito a partir da troca de impressões técnicas com os médicos que assistiram seu pai e do acervo de conversas no WhatsApp com o próprio, constrói uma rede de experiências agora compartilhada com outros colegas que lidam diariamente com os desafios do tratamento do câncer com pacientes e seus familiares, fragilizados emocionalmente pelos efeitos da doença.

A especialista, que acompanhou o caso de câncer sob o ângulo familiar, conta que este projeto contribuiu para humanizar ainda mais sua prática clínica. Em outubro de 2017, dra Sabrina e outras especialistas se uniram para promover a primeira edição do Papo Rosa. A proposta da iniciativa foi esclarecer dúvidas e  desmitificar alguns mitos sobre a doença. O encontro aconteceu na Livraria Cultura e contou com a presença de mais de 100 pessoas.  

Atualmente, a médica oncologista é professora da PUC Rio e faz parte do corpo médico da Rede D’or. Integra o quadro de profissionais da Oncoclínica e atende no consultório particular. Dra Sabrina trabalhou em hospitais da rede pública de saúde durante 10 anos, oito dos quais no Inca III, unidade do Instituto Nacional do Câncer especializada no atendimento de pacientes em tratamento do câncer de mama. Fez parte ainda da equipe do Hospital Pedro Ernesto/ UERJ.

Formada pela Universidade Gama Filho, Sabrina Chagas tem residência em clínica médica pelo Hospital Central da Aeronáutica e em Oncologia Clínica pelo Hospital Clementino Fraga Filho, da UFRJ. Possui pós-graduação em Medicina Integrativa pelo Hospital Israelita Albert Einstein.

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Como é o combate ao câncer no Brasil?

De acordo com um ranking divulgado pela unidade de inteligência da revista “The Economist”, que mede o quanto os principais países da América Latina estão preparados para lidar com a doença, mostrou que o Brasil ocupa o topo da lista na pontuação geral, sendo, portanto, o mais preparado entre as 12 nações estudadas.

Há uma distância longa entre a teoria e a prática: o Brasil pontua bem nos aspectos relacionados a planejamento e prestação de cuidados de saúde, mas vai mal em itens relacionados a governança, que é basicamente a vontade política e ação intersetorial”, afirma Dra Sabrina.

Na América Latina, o Brasil já tem uma estrutura de cobertura universal, o que é mais do que a maioria dos países vizinhos. Mas a grande dificuldade é conseguir fazer a paciente ir do posto de saúde até o diagnóstico, e daí até o primeiro tratamento tão rápido quanto ela precisa.

No mês do Outubro Rosa, o câncer de mama é um bom exemplo desse cenário: embora haja bons centros de tratamento, bons mastologistas e regulamentações médicas específicas, há uma enorme demora para realizar os diagnósticos e começar a tratar. Quando descoberto na fase inicial, chances de cura do câncer são de 95%”, destaca a especialista.

No entanto, de acordo com a Femama, metade das brasileiras que desenvolveram a doença receberam o diagnóstico em fase avançada. Segundo dados do Inca, o Estado do Rio possui a maior incidência nacional da doença. São 92,90 casos para cada 100 mil mulheres. Em seguida, vem o Rio Grande do Sul com 88,23 casos.

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