‘Melhor presente do Dia das Mães’, diz mãe de bebê que venceu a Covid-19

Vinicios, de 1 ano e 8 meses, tem Síndrome de Down e ficou em UTI por 12 dias. Já Maria Goretti, 54, teve alta após 83 dias internada

Vinicios, de 1 ano e 8 meses, tem Síndrome de Dorwn e venceu a Covid-19 após 12 dias internado (Foto: Divulgação Pró-Saúde)

“Melhor presente do Dias das Mães que vou ter. Agora estou bem feliz, pois meu príncipe vai para casa. Ele é um guerreiro, um vencedor”. O desabafo é de Vanessa Barbosa de Oliveira, de 22 anos, mãe do Vinícios Alexandre Gomes de Oliveira, de 8 meses, que venceu a Covid-19, após 12 dias internado.  Vinícios tem Síndrome de Down, descoberta apenas após o seu nascimento. 

O bebê teve alta nesta quinta-feira (6), do Baixo Amazonas (HRBA), unidade pertencente ao Governo do Pará e gerenciada pela entidade filantrópica Pró-Saúde. A saída do hospital foi de muito carinho e com um corredor de palmas feito pelos profissionais que cuidaram dele.

Ele veio com a Covid na fase inflamatória e nessa fase entramos com alguns medicamentos, pois havia risco de trombose e piora no quadro respiratório se não fizesse o tratamento. Ele respondeu muito bem, tratou o tempo necessário e hoje está de alta”, explica Daniel Calçado, pediatra e intensivista na UTI Pediátrica do HRBA. 

De acordo com a mãe, Vinicíos nunca tinha adoecido, foi a primeira vez que precisou de atendimento médico. “Ele começou ficando gripado, deu coriza e depois começou a ter febre alta que não passava, busquei atendimento e fomos transferidos para Santarém”, compartilha Vanessa, que dos 12 dias de internação, ficou seis dias sem ver o filho diante das medidas sanitárias de segurança para Covid-19 nos hospitais.  

Foram seis dias de preocupação, medo, angústia e incertezas distante do filho, que só passaram após teste confirmar que a criança já estava sem a doença. A mãe então pode reencontrar o filho, mesmo assim precisou usar todos os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). 

Depois que comecei a visitá-lo, observei que ele estava bem melhor, porque quando internou estava bem cansado, só ficava quietinho na cama. Quando cheguei aqui e vi ele alegre, brincando, foi uma felicidade”, comemora a mãe. 

Mamães da UTI

Vanessa agradeceu toda a equipe multiprofissional que atende na UTI pediátrica do HRBA dizendo que o filho ganhou novas mamães, pelo cuidado que recebeu.  “Ele conquistou o coração de todas elas aqui dentro. Depois que vi o cuidado fiquei menos preocupada. Tem 50 mães aqui, elas cuidaram bem e foram carinhosas, agradeço por terem cuidado do meu príncipe”, afirma. 

Thalia Vieira, técnica em Enfermagem, foi uma das profissionais que ficou mais tempo na assistência de Vinícios. Para ela, o reconhecimento de Vanessa reforça o que sentem por cada um dos pacientes atendidos na UTI Pediátrica. “Esse cuidado é muito importante para as crianças, e a gente se apega como se fôssemos realmente mães. Esse papel que assumimos é fundamental, é o cuidar, é o amar a criança que passa por um período tão difícil. Eu não tenho filhos, mas sinto como se tivesse. Não chega aos pés de amor de uma mãe, mas nos esforçamos o máximo”, compartilha Thalia. 

Atendendo uma população estimada em mais de 1,3 milhão de pessoas, o HRBA é referência no tratamento do novo coronavírus no Oeste do Pará, envolvendo 30 municípios nas regiões do Baixo Amazonas e Xingu. A unidade já recuperou 550 pacientes, até a manhã desta quinta-feira (6).

O paciente Covid-19 não pode ter acompanhante e nossos profissionais entendem que o cuidar vai além do atendimento em si, precisa de humanização, de acolhimento, de carinho e de muito amor. O amor pode curar e esse é um dos segredos que empenhamos na recuperação de nossos pacientes”, afirma o diretor hospitalar, Hebert Moreschi. 

Vinicios_no_colo_da_mae_interage_com_a_equipe_multiprofissional_minutos_antes_da_alta_-_Foto_Comunicacao_Pro-Saude

Vinícios no colo da mãe interage com a equipe multiprofissional minutos antes da alta (Foto: Comunicação Pró-Saúde)

‘Foi um milagre né?, diz mãe que ficou três meses internada

Após três meses em meio a uma gangorra de sentimentos de desespero, esperança e alívio, o Dia das Mães terá um significado especial para toda a família Rodrigues, em Curitiba. A história teve um final feliz com a alta da técnica de enfermagem Maria Goretti Ferreira Rodrigues, de 54 anos, que ficou internada desde meados de janeiro na UTI Covid do Hospital Universitário Evangélico Mackenzie (HUEM).

Moradores do interior do Ceará, na pequena cidade de Assaré, Maria Goretti e o marido, José da Silva Rodrigues, 60 anos, têm o costume de visitar nas férias a filha Rafaela Ferreira Rodrigues, 32, que mora em Curitiba há nove anos. Como havia se aposentado no fim de 2020, desta vez o plano do casal era ficar um pouco mais de tempo.

Ela já havia decidido que ficaria até fevereiro, mas no dia 18 de janeiro todos começamos com os primeiros sintomas. Fizemos o teste e os três deram positivo pra Covid. Levei a mãe na UPA duas vezes, e na terceira a médica disse que ela seria internada”, relembra a filha Rafaela.

Maria Gorette, com a família, após passar 83 dias internada (Foto: Mackenzie)

A doença se agravou rapidamente e Maria Goretti precisou ser transferida para a UTI do HUEM. Nos dias seguintes, José também piorou e foi intubado em outro hospital. “Foi desesperador, pai e mãe na UTI. Por isso eu digo que os profissionais que nos atenderam foram anjos em nossas vidas, pela forma como nos acolheram, principalmente no Mackenzie”, afirma ela.

Após 22 dias de internamento, José teve alta e foi para casa. A apreensão com Maria Goretti foi maior e a estadia no HUEM durou ao todo 83 dias. Hoje ela está em casa se recuperando. Recebe duas vezes por semana visita da fisioterapeuta Fernanda Camila Mattos e está apresentando ótima evolução. Já consegue ficar em pé e dar os primeiros passos e ficará em Curitiba até estar totalmente recuperada para retornar a sua terra natal no Ceará.

Laura, de 15 anos, é neta de Maria Goretti, mas foi criada por ela – a quem chama de mãe. Neste domingo, todos estarão reunidos para celebrar a vida. “Maravilhoso poder passar esta data com a família. Foi um milagre, né. Eu não lembro de muita coisa, as poucos que as lembranças vão aparecendo. Mas pelo que todos me contam foi um milagre. Agradeço aos anjos que cuidaram tão bem de mim”, diz Maria Goretti.

Agradecimento à equipe médica

Nesta quinta-feira (6), Rafaela voltou ao Hospital Universitário Evangélico Mackenzie (HUEM) para fixar na Praça Alfredo Andersen uma faixa de agradecimento ao atendimento que a família recebeu. “Com imenso sentimento de gratidão à equipe do Hospital Evangélico (UTI Covid 2 e 4) pelo excelente atendimento, cuidado e carinho com todos os pacientes, em especial com Maria Goretti. Nós familiares somos gratos a todos vocês”, diz a faixa.

Na ocasião, ela reencontrou a enfermeira Jaine Aurora dos Santos da Silva, a quem pôde agradecer pessoalmente. “A equipe do Hospital foi maravilhosa, muito atenciosa e dedicada. Foram momentos de tristeza, apreensão, mas a maneira como fomos tratados fortaleceu sempre a esperança”, disse Rafaela.

Ela elogia a atuação de toda a equipe e a alegria dos profissionais com a melhora da mãe. “Quando traziam boas notícias dava para perceber que estavam alegres de verdade. Equipe de limpeza, assistente social, fisioterapeuta, técnicos, enfermeiras, médicas, todos foram fundamentais em nos dar força nas horas mais difíceis. As chamadas de vídeo para eu poder ver a mãe ajudaram bastante a lidar com a situação”, destaca.

Com Assessorias

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