Mitos e verdades sobre a doença mais antiga da Humanidade

Depois da Índia, Brasil registra maior parte dos casos de hanseníase no mundo. A doença é altamente contagiosa, mas tem cura e tratamento é pelo SUS

Redação

Popularmente, referida como uma enfermidade bíblica, a mais antiga da Humanidade, a Hanseníase tem cura, mas ainda hoje representa um problema de saúde pública no Brasil. Atualmente, o Brasil é o segundo país com mais casos de Hanseníase no mundo, atrás somente da Índia. Em 2018, foram registrados 208.619 casos no mundo, sendo 28.660 apenas no Brasil e 1.212 no Estado de São Paulo.

De acordo com a SBH – Sociedade Brasileira de Hansenologia, por ano, são registrados perto de 30 mil casos da doença, nos vários estados brasileiros e dentre as várias classes sociais, incluindo adultos e crianças. “A doença acomete principalmente pessoas com situação econômica, social e ambiental desfavorável. Há maior incidência no Norte, Nordeste e Centro-Oeste do País”, diz a dermatologista Marli Izabel Penteado, do Seconci-SP (Serviço Social da Construção),

O risco de uma criança contrair hanseníase na região Norte do Brasil é 34 vezes maior do que no Sul, segundo um estudo realizado pelo Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade de Brasília, Fiocruz Brasília, London School of Hygiene & Tropical Medicine (LSHTM) e Universidade Federal Fluminense (UFF).

A dermatologista Marli Izabel Penteado destaca que ainda há um estigma em relação à doença, e o desconhecimento e a falta de informação acabam dificultando o diagnóstico. Até a década de 1960, a hanseníase era tratada por meio da internação compulsória no Brasil e os pacientes eram discriminados e isolados do convívio social. Apesar de um passado marcado por discriminação, a hanseníase tem cura e, se o doente estiver em tratamento, não oferece risco de contágio.
“Por ser uma doença infecciosa e contagiosa, a transmissão ocorre por meio do contato próximo e contínuo com o paciente não tratado. Por isso, o maior problema é estender os exames às pessoas próximas ao paciente já diagnosticado, onde está o foco”, explica a médica.
Outra boa notícia é que o tratamento é gratuito e oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2017, o Ministério da Saúde instituiu o mês de janeiro e a cor roxa para conscientização sobre a hanseníase. A campanha Janeiro Roxo surgiu com o intuito de promover esclarecimentos sobre a doença, estabelecendo a próxima segunda-feira, 27 de janeiro, como sendo o Dia Mundial da Luta contra a Hanseníase.

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Hanseníase: diagnóstico precoce aumenta as chances de cura

O Ministério da Saúde alerta que quanto mais cedo diagnosticar a hanseníase, mais cedo a pessoa poderá ser tratada, e assim evitar sequelas. A doença tem cura e o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza gratuitamente do diagnóstico ao tratamento.

O diagnóstico, que tem início com consulta na Unidade de Saúde do seu município mais próxima de sua residência, é essencialmente clínico, com a análise da história e condições de vida do paciente. Também é feito exame para identificar lesões ou áreas de pele com alteração de sensibilidade e/ou comprometimento de nervos periféricos, responsáveis pela parte motora e sensitiva dos membros superiores e inferiores do corpo.

Em alguns casos, o paciente é encaminhado às unidades de saúde de maior complexidade para a confirmação diagnóstica, a partir de novos exames e coleta de material.

O agente causador da hanseníase é o Micobacterium leprae, microrganismo que tem a capacidade de infectar grande número de indivíduos. Caso não seja tratada, a hanseníase tem um alto poder incapacitante, principal responsável pelo estigma e discriminação às pessoas acometidas pela doença.

A transmissão ocorre quando uma pessoa com hanseníase, que não faz o tratamento, elimina no ar, por meio da fala, tosse, espirro, o microrganismo, infectando outras pessoas. A doença pode acometer pessoas de ambos os sexos e de qualquer idade. Entretanto, é necessário um longo período de exposição à bactéria, sendo que apenas uma pequena parcela da população infectada realmente adoece.

O período de incubação do vírus da doença, ou seja, tempo em que os sinais e sintomas se manifestam desde a infecção, dura em média de 2 a 7 anos. Assim que os sinais aparecem, progridem lentamente.

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Como diagnosticar

Doença tropical negligenciada, infectocontagiosa de evolução crônica, a doença é transmitida por um bacilo por meio do contato respiratório próximo e prolongado entre as pessoas. Causada pela bactéria Mycobacterium leprae, ou bacilo de Hansen, a doença é transmitida principalmente pelas vias respiratórias superiores, além do contato com a pele do paciente. Sua evolução depende de características do sistema imunológico da pessoa infectada e apresenta múltiplas manifestações clínicas, desde áreas anestésicas, manchas claras, avermelhadas ou amarronzadas, caroços na pele e lesões dos nervos periféricos.

Seu diagnóstico, tratamento e cura dependem de exames clínicos minuciosos e, principalmente, da capacitação do médico. No entanto, fica o alerta: quando descoberta e tratada tardiamente, a Hanseníase pode trazer deformidades e incapacidades físicas.

A doença pode provocar o surgimento de caroços e placas em qualquer local do corpo e diminuição da força muscular. A hanseníase é a doença infecciosa que mais cega. Se for diagnosticada a tempo, as sequelas podem ser controladas e o paciente terá uma vida normal. Os exames de laboratório conseguem identificar menos de 50% dos casos, mas a SBH alerta que o exame clínico é suficiente para o diagnóstico.

Sintomas

Os principais sinais da doença são manchas esbranquiçadas ou avermelhadas na pele e sintomas neurológicos como dormências e diminuição de força nas mãos e nos pés, alteração ou perda da sensibilidade ao calor, frio, dor e ao toque. O doente de hanseníase também pode ter áreas de dormência e sensação de formigamento e fisgadas no corpo, além de diminuição da força muscular, podendo apresentar dificuldade para segurar objetos.

O período de incubação é prolongado e, em geral, varia de cinco a sete anos. “O bacilo gosta de temperaturas mais frias, então afeta principalmente a pele e nervos superficiais. Normalmente, os doentes não diagnosticados precocemente desenvolvem complicações nos pés, mãos e olhos”, explica a médica. “É importante ficar atento aos sinais e procurar o dermatologista o quanto antes, pois ele prescreverá o tratamento adequado”, completa.

Em relação à prevenção, dra. Marli explica que a maior parte da população já nasce naturalmente resistente à doença. “O autoexame é fundamental, verificando se há manchas claras ou avermelhadas na pele, além de checar com atenção pontos de sensibilidade. Caso note alguma anormalidade, o paciente deve buscar ajuda médica”, indica a dermatologista.

Mitos e verdades

Para esclarecer as dúvidas sobre o assunto, a dermatologista Sandra Durães, coordenadora da Campanha Nacional de Hanseníase da Sociedade Brasileira de Dermatologia, destaca o que é “MITO” e o que  é “VERDADE” sobre a doença:

– Hanseníase: doença tão antiga que já foi eliminada! É MITO

A Hanseníase ainda possui grande ocorrência grande no mundo e, principalmente, no Brasil.

– Pessoa de qualquer sexo, idade e classe social pode “pegar” a Hanseníase! É VERDADE

Apesar de qualquer um estar sujeito a adquirir a bactéria, 90% da população tem resistência para adoecer.

– Apenas a população de baixa renda tem Hanseníase. É MITO

Qualquer um pode ter a doença. Locais de moradia aglomerada facilitam a sua transmissão.

– A Hanseníase pode causar deformidades e incapacidades físicas! É VERDADE

Com diagnóstico e tratamentos tardios, há o risco de graves sequelas. Isso pode ser evitado com o tratamento rápido, que cura e é gratuito em unidades de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS).

– É possível “pegar” Hanseníase de um animal! É MITO

A Hanseníase só é transmitida de uma pessoa que tenha a doença na forma infectante, e não tratada, para outra pessoa

A aglomeração de pessoas facilita a transmissão da Hanseníase! É VERDADE

Ambientes muito fechados e com pouca circulação de ar são locais propícios para a transmissão da doença.

Ao suspeitar dos sintomas, procure uma unidade de saúde da família mais próxima ou um dermatologista nas unidades de saúde do SUS e, também, no site da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Agenda Positiva

Neste domingo (26/01), Dia Mundial de Luta conta a Hanseníase, painéis de mensagens instalados nos Sistemas Castello-Raposo, Anhanguera-Bandeirantes, trecho Oeste do Rodoanel e nas principais rodovias do sudoeste paulista alertarão os motoristas sobre a doença.
Os painéis estarão veiculando as seguintes mensagens: “Janeiro Roxo – Todos Contra a Hanseníase” e “Observe manchas na pele e procure um médico”. Com isso, pretende-se que a população busque informações sobre os sinais e sintomas da doença que tem cura, mas, se não diagnosticada e tratada a tempo, pode provocar sequelas irreversíveis.
A ação é uma iniciativa coordenada pela ARTESP (Agência de Transportes do Estado de São Paulo) e tem apoio da CCR ViaOeste, CCR AutoBAn, CCR SPVias e CCR RodoAnel e parceria com a SBH – Sociedade Brasileira de Hansenologia.
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