Montanha de lixo químico ameaça abastecimento de água no Rio

ONG Baía Viva denuncia depósito irregular de subproduto do aço ao MP. Ambientalista alerta que poluentes podem causar graves danos à saúde pública

Redação
Escoria da CSN 1 Montanha de lixo químico ameaça mais de 15 mil moradores da cidade de Paraíba do Sul, diz ambientalista (Foto: Divulgação)
Escoria da CSN
Moradora mostra como escória da CSN tem ameaçado o meio ambiente e saúde pública (Foto: Divulgação)

Nesta segunda-feira (2) o Movimento Baía Viva vai pedir ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro uma medida judicial para a interdição imediata de uma montanha de lixo químico-industrial na cidade de Paraíba do Sul (RJ). Segundo o movimento, o grande depósito formado por rejeitos de escória de aciaria já alcança mais de 20 metros de altura e “provoca grave risco de suspensão do abastecimento público de dezenas de cidades no Vale do Paraíba do Sul, de municípios da Baixada Fluminense e da capital”.

A escória, um subproduto da produção do aço,  está irregularmente estocada numa Área de Proteção Permanente (APP) e tem provocado transtornos à população local, causando problemas respiratórios e alérgicos em muitos moradores da cidade. O material poluente, segundo a literatura científica internacional, gera os gases sulfídrico e enxofre, além de conter substâncias nocivas (metais tóxicos) à saúde e ao meio ambiente, como manganês, zinco, cádmio, cromo, níquel, chumbo e cal virgem.

Ecologistas e técnicos alertam que, por estarmos no inverno, caso haja uma chuva mais forte, pode ocorrer um evento natural denominado tromba d´água, o que carreará as pilhas de rejeitos de metais pesados para o corpo hídrico, obrigando o poder público a suspender o abastecimento de água por poluição química. Os problemas ou impactos, estimados em larga escala, seriam ambientais (mortandade de peixes com a perda de biodiversidade, contaminação do solo e das águas subterrâneas); na saúde pública (redução do abastecimento de água às populações) e socioeconômicos, por gerar prejuízos em todas as empresas/indústrias que dependem da utilização da água para seu funcionamento, assim como impactos à pesca e na agricultura familiar.

O depósito de lixo químico está situado a apenas 50 metros do corpo hídrico do Rio Paraíba do Sul, localizado no bairro Volta Grande 2, município de Volta Redonda. De acordo com o ambientalista Sérgio Ricardo, membro fundador do movimento Baía Viva, o terreno é de responsabilidade da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e da empresa Hascro Metals e tem provocado riscos à saúde de cerca de 15 mil moradores da região. “Este conhecido passivo ambiental, também tem prejudicado os moradores dos bairros de Volta Grande 2 e 4, São Luiz, Caeira, Nova Primavera e Complexo de Santo Agostinho”, afirma ele.

“É extremamente grave a presença, há anos, de um grande depósito de lixo químico-industrial às margens do Rio Paraíba do Sul, colocando em risco a segurança hídrica já que o Sistema Guandu, operado pela Cedae, é responsável pelo abastecimento diário de 12 milhões de pessoas (80% da população da Região Metropolitana)”, afirma o ambientalista. Segundo ele, que foi membro do Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio Guandu, há no território fluminense, outras situações similares em que passivos ambientais têm ameaçado a garantia do direito de acesso à água potável e saudável de diferentes municípios fluminenses.

A representação será protocolada junto ao Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente (Gaema), órgão do MPE, e aos núcleos da Procuradoria Geral da República no Rio de Janeiro e em Volta Redonda.

Fonte: Baía Viva, com Redação

Deixe um comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.