Mortalidade de intubados por Covid cai de 65% para 25% no Sírio-Libanês

UTI do Sírio Libanês (Foto: Divulgação)

Uma Unidade de Terapia Intensiva equipada e com corpo clínico capacitado pode fazer a diferença para os índices de sucesso no tratamento da Covid-19 e até mesmo determinar o limite entre a vida e a morte. Enquanto dados apontam que a média de mortalidade dentre os pacientes intubados pela doença nas UTIs brasileiras é de 65%, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo (SP) – um dos mais caros do país -, essa taxa cai para 25% entre as pessoas acometidas pela forma mais grave da doença..

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira mostra que, mesmo com a redução das internações, a cada 10 pessoas que necessitam de ventilação mecânica por complicações da infecção pelo novo coronavírus nos hospitais brasileiros, seis acabam morrendo. Os dados são do projeto UTIs Brasileiras, da Amib, que reuniu informações sobre 1.289 UTIs de 617 hospitais públicos e privados do Brasil, entre 1º de março e 12 de agosto de 2020. Já outro estudo publicado na revista científica Plos One com 212 pacientes em ventilação mecânica, de março a junho de 2020, na UTI do Sírio-Libanês revelou que a taxa de mortalidade foi de dois entre 10.

Os pacientes apresentavam idade menor (média de cerca de 60 anos), predominância do sexo masculino, menor incidência de comorbidades graves e maior incidência de obesidade. Estavam internados há mais tempo, com maior consumo de recursos, tais como suporte ventilatório invasivo e não invasivo, diálise e circulação extra-corpórea (ECMO).

Laerte Pastore, gerente médico de Unidades Críticas do Sírio-Libanês, afirma que o estudo comprovou a eficácia do trabalho realizado em comparação a pacientes que passaram pelo mesmo setor em 2019 com quadro de doenças respiratórias e infecciosas. “(A Covid) É uma doença que consome muito recurso humano, materiais, insumos, medicamentos e o próprio leito, que permanece ocupado por muito tempo, além de cobrar um preço muito alto do organismo do paciente e do sistema de saúde”, explica.

Um dos índices que chama a atenção no estudo é o de mortalidade por faixa etária quando comparados a outros estudos publicados na literatura médica. Entre os pacientes até 59 anos, os números foram próximos a zero. Já no grupo de 70 a 79 anos, foi de 4,2%, e nos acima de 80 anos, de 14,3%. Já em pacientes em ventilação mecânica, os índices de mortalidade sobem, mas ainda são bem-sucedidos quando comparados aos de outros estudos.

Na faixa etária de 18 a 59 anos, os índices permanecem próximos a zero, mas em dois grupos foram apresentadas elevações: em pessoas de 60 a 69 anos (13,3%); de 70 a 79 anos (15,4%); nos pacientes acima de 80 anos, os números sobem para 48%, porque geralmente são aqueles que apresentam mais comorbidades e fragilidade.

Outro dado importante é que a mortalidade foi semelhante em 28 ou 60 dias de UTI, e a probabilidade de sobrevida foi maior, no mesmo intervalo de tempo, em pacientes em ventilação mecânica, quando comparados aos pacientes do período anterior à Covid-19.

Esses números comprovam a eficiência do nosso protocolo de tratamento e a adequação do sistema. Chegamos a esses resultados graças ao preparo pré-pandemia feito pelo hospital, com aumento de leitos e equipamentos, equipes bem dimensionadas e treinadas, processos bem estabelecidos e pacientes levados no momento mais adequado para as unidades de cuidados intensivos”, explica Laerte Pastore.

A Sociedade Beneficente de Senhoras Hospital Sírio-Libanês é uma instituição filantrópica fundada em 1921 que oferece assistência médico-hospitalar de excelência em mais de 60 especialidades, além de atividades de ensino e pesquisa. O programa Sírio-Libanês Saúde Corporativa é voltado para organizações de diversos setores e atende mais de 120 mil vidas, com benefício do plano de saúde. Atualmente, o Sírio-Libanês está presente com unidades físicas em São Paulo e Brasília.

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