Morte de Nicette Bruno reacende alerta para contágio por assintomáticos

Atriz Nicette Bruno estava internada há 24 dias no Rio. Cidade registra taxa de 92% de ocupação de leitos de UTI para Covid-19 no SUS

Atriz Nicette Bruno morre de Covid-19 aos 87 anos, após 24 dias internada no Rio (Reprodução do Youtube)

Morreu na manhã deste domingo (20), no Rio de Janeiro, a atriz Nicette Bruno, aos 87 anos, vítima de complicações da Covid-19. A morte de Nicette reacendeu o debate em torno do contágio por pessoas assintomáticas. De acordo com informações que circularam nas redes sociais, a atriz resistiu bem à pandemia durante 10 meses, mas foi contaminada por um familiar assintomático que a visitou e acabou desenvolvendo a forma mais grave da doença.

Ela estava internada desde 26 de novembro na Casa de Saúde São José, em Humaitá, na zona sul carioca. Pouco mais de uma horas antes da morte, às 10h13, a filha de Nicette, a também atriz Beth Goulart, postou em seu perfil no facebook uma mensagem em que pedia orações pela mãe.

“Vinte um dias hoje sem minha mãezinha, que saudade de você minha parceira de vida, amiga, irmã, colega, meu amor, minha mestra, minha referência. Estamos junto com você, minha mãe, mandando nossa energia, nossa fé e esperança que logo logo estaremos juntas de novo. Não brinque com sua saúde, proteja quem você ama, tenha mais empatia e amor ao próximo. 18h. Oração para Nicette e para todos os doentes de covid, fortalecimento para os familiares e para as equipes de saúde. Gratidão a todos vocês”.

Nicette é uma dentre as 186.356 vítimas fatais da doença, conforme o boletim divulgado na noite deste domingo (20) pelo Ministério da Saúde. São 7,213 milhões de casos confirmados do novo coronavírus. Deste total, há 6,22 milhões de casos recuperados  e 804 mil em acompanhamento. Nas últimas 24 horas, foram registrados 50.177 novos casos e 706 óbitos. A taxa de letalidade da doença é de 2,6%.

Leitos de UTI no SUS do Rio têm 92% de ocupação

Na rede pública, a situação é dramática. No final do dia, a Prefeitura do Rio informou que a taxa de ocupação de leitos de UTI para Covid-19 no Sistema Único de Saúde (SUS) – que inclui leitos de unidades municipais, estaduais e federais – chega a 92% no município. Já a taxa de ocupação nos leitos de enfermaria é de 83%.

Até 18h deste domingo (20/12), 329 pessoas aguardavam transferência para leitos na capital e na Baixada Fluminense, sendo 209 para leitos de UTI Covid. A Secretaria Municipal de Saúde informou que as pessoas que aguardam leitos de UTI estão sendo assistidas em leitos de unidades, com monitores e respiradores.

A rede SUS na capital tem 1.408 pessoas internadas em leitos especializados, sendo 600 em UTI. Somente a rede municipal possui 923 leitos para Covid-19. Deste total, 293 são leitos de UTI. Nas unidades da rede municipal, há 696 pacientes internados, sendo 284 em UTI.

Ministério da Saúde prefere enfatizar recuperados

Enquanto isso, o Ministério da Saúde segue na política de destacar em sua divulgação diária – como vem fazendo desde que o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta deixou o cargo – os casos de recuperados. Neste domingo, a pasta divulgou que “o Brasil já registra 6.245.201 milhões de pessoas curadas da Covid-19. No mundo, estima-se que pelo menos 29 milhões de pessoas diagnosticadas com Covid-19 já se recuperaram”.

Ainda segundo a pasta, “o número de pessoas curadas no Brasil é superior à quantidade de casos ativos (806.035) que são os pacientes em acompanhamento médico. O registro de pessoas curadas já representa a grande maioria do total de casos acumulados (86,3%). As informações foram atualizadas às 18h deste domingo (20/12) e enviadas pelas secretarias estaduais e municipais de Saúde”.

Vida e obra de Nicette Bruno

Nascida Nicete Xavier Miessa, no dia 7 de janeiro de 1933, em Niterói (RJ), Nicette Bruno é considerada uma das pioneiras da televisão brasileira e uma das referências na história da teledramaturgia nacional. Filha única da atriz Eleonor Bruno e de Sinésio Campos Xavier, ela fez sua estreia profissional em 1945, na peça teatral Romeu e Julieta, baseada na obra literária homônima de William Shakespeare.

Nicette Bruno casou no dia 26 de fevereiro de 1954, na Igreja Santa Cecília, em São Paulo, com o ator Paulo Goulart, que conheceu dois anos antes, durante a peça Senhorita Minha Mãe, de Louis Verneuil. O casal teve três filhos, os também atores Beth Goulart, Bárbara Bruno e Paulo Goulart Filho.

Aos 4 anos de idade, a pequena Nicete já declamava e cantava no programa infantil de Alberto Manes, na Rádio Guanabara. Aos 5 anos, começou a estudar piano no Conservatório Nacional e, aos 6 anos, ingressou no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Entrou para o grupo de teatro da Associação Cristã de Moços aos 11 anos, passando, depois, pelo Teatro Universitário, de Jerusa Camões, e pelo Teatro do Estudante, dirigido por Pascoal Carlos Magno e Maria Jacintha. Aos 14 anos de idade, já era atriz profissional, contratada pela Companhia Dulcina-Odilon, da atriz Dulcina de Morais. Ficou viúva em 2014, quando o marido morreu de câncer.

Entre os seus trabalhos na televisão destacam-se as novelas Rosa dos Ventos (1973), Éramos Seis (1977), Selva de Pedra (1986), Bebê a Bordo (1988), Rainha da Sucata (1990), Mulheres de Areia (1993), A Próxima Vítima (1995). Já nos anos 2000, atuou em Alma Gêmea (2005), Sete Pecados (2007), A Vida da Gente (2011), Salve Jorge (2012), Joia Rara (2013), I Love Paraisópolis (2015), Pega Pega (2017), além da série infantil Sítio do Picapau Amarelo (2001/04).

Fonte: Agência Brasil, Ministério da Saúde e Agências

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