Mortes por febre amarela no Rio aumentam mais de 600%

Rosayne Macedo
Rio já vacinou 71% do público-alvo (Foto: SES-RJ)
Rio já vacinou 71% do público-alvo (Foto: SES-RJ)
Rio já vacinou 71% do público-alvo (Foto: SES-RJ)

Já passa  de 600% o crescimento no número de mortos por febre amarela entre humanos no Estado do Rio de Janeiro desde o início de janeiro, em comparação com todo o ano de 2017. Até esta quinta-feira, dia 8 de março, o estado registrava 57 mortes por febre amarela, de um total de 135 casos confirmados em pouco mais de dois meses. É mais de seis vezes o número de óbitos e cinco vezes o número total de vítimas registrado em todo o ano de 2017, quando nove pessoas morreram, das 27 que contraíram a forma silvestre da doença.

De acordo com o último boletim epidemiológico da Subsecretaria de Vigilância em Saúde da SES-RJ, com o registro de quatro casos em Silva Jardim, sendo dois óbitos, agora são 22 as cidades atingidas pelo surto, a maioria nas regiões Sul Fluminense, Costa Verde e Serrana, onde há grande concentração de mata (veja abaixo). Mais uma pessoa morreu e outras quatro ficaram doentes em Angra dos Reis, a cidade mais atingida pelo surto até o momento, com 34 casos e 14 mortes. Mais uma pessoa morreu em Cantagalo, onde há seis casos, sendo quatro óbitos. Em Rio das Flores, foram registrados mais dois casos, totalizando cinco, com duas mortes. Em Cachoeiras de Macacu, já são três casos, com uma morte.

Petrópolis também entrou para o grupo das cidades atingidas por epizootias (epidemias entre macacos), elevando para 11 o número total. As outras são Niterói, Angra dos Reis (Ilha Grande), Barra Mansa, Valença, Miguel Pereira, Volta Redonda, Duas Barras, Paraty, Araruama e Engenheiro Paulo de Frontin. A SES ressalta que os macacos não são responsáveis pela transmissão da doença. Apesar disso, o Rio de Janeiro já registra este ano a morte de 170 primatas na capital e 325 em todo o estado, sendo 53,5% vítimas de agressão humana, como espancamento e envenenamento. Uma campanha foi lançada para conscientizar a população carioca sobre o perigo que a cidade corre se a matança dos macacos continuar.
Casos no Rio e Brasil, segundo o Ministério da Saúde
No período de 1º julho de 2017 a 6 de março deste ano no Estado do Rio, segundo o Ministério da Saúde, foram 106 casos confirmados, com 44 mortes. O estado que registra a maior incidência da febre amarela é Minas Gerais: 384 casos e 115 mortes confirmadas. Já São Paulo registra 349 casos e 100 mortes. O Distrito Federal teve um caso com morte. Em todo o Brasil, foram confirmados 846 casos, sendo 260 óbitos, de um total de  3.234 casos suspeitos, sendo que  1.560 foram descartados e 828 permanecem em investigação. No mesmo período anterior (de julho de 2016 até 6 de março de 2017), em todo o país, foram 597 casos confirmados e 190 óbitos confirmados.
De acordo com o Ministério, os informes de febre amarela seguem, desde o ano passado, a sazonalidade da doença, que acontece, em sua maioria, no verão. Dessa forma, o período para a análise considera de 1º de julho a 30 de junho de cada ano. Com o crescimento dos casos em Minas, São Paulo e Rio, o Ministério já estuda estender a vacinação para todo o país.
Em nota nesta quarta-feira (7), o Ministério informou que embora os casos do atual período de monitoramento tenham sido superiores à sazonalidade passada, o vírus da febre amarela hoje circula em regiões metropolitanas do país com maior contingente populacional, atingindo 32,5 milhões de pessoas que moram, inclusive, em áreas que nunca tiveram recomendação de vacina. Na sazonalidade passada, por exemplo, o surto atingiu uma população de 8,4 milhões de pessoas. A incidência da doença no período de monitoramento 2017/2018, até 6 de março, é de 2,4 casos para 100 mil/habitantes. Já na sazonalidade passada, 2016/2017, a incidência foi de 7,0/100 mil habitantes, no mesmo período

O Ministério da Saúde reforça a importância da vacinação da população dos estados do Rio de Janeiro, Bahia e São Paulo durante a campanha contra febre amarela. Dados preliminares dos três estados apontam que, até 6 de março, 17,3, milhões de pessoas foram vacinadas, incluindo o acumulado do público vacinado nos municípios. O número corresponde a 76% do público-alvo previsto na campanha. Conforme dados repassados pelos estados, até o dia 6 de março, 8,4 milhões (90%) de pessoas foram vacinadas em São Paulo e 7,1 milhões (71,5%) no Rio de Janeiro. Já no estado da Bahia, 1,8 milhão de pessoas foram vacinadas, o que totaliza 55% do público-alvo.

Ranking dos municípios do RJ com mais casos de febre amarela em humanos*
1º Angra dos Reis – 34 casos, sendo 14 óbitos
2º Valença – 18 casos, sendo 6 óbitos
3º Teresópolis – 17 casos, sendo 7 óbitos
4º Nova Friburgo – 11 casos, sendo 4 óbitos
5º Duas Barras – 10 casos , sendo 2 óbitos
6º Sumidouro – 7 casos, sendo 2 óbitos
7º Cantagalo – 6 casos , sendo 4 óbitos
8º Rio das Flores – 5 casos, sendo 2 óbitos
9º Silva Jardim – 4 casos, sendo 2 óbitos
10º Cachoeiras de Macacu – 3 casos, sendo 1 óbito
11º Engenheiro Paulo de Frontin – 2 casos, sendo 2 óbitos
11º Trajano de Moraes – 2 casos, sendo 2 óbitos
12º Mangaratiba – 2 casos, sendo 1 óbito
12º Carmo – 2 casos, sendo 1 óbito
12º Maricá – 2 casos, sendo 1 óbito
12º Vassouras – 2 casos, sendo 1 óbito
12º Miguel Pereira – 2 casos, sendo 1 óbito
12º Paty do Alferes – 2 casos, sendo 1 óbito
13º Paraíba do Sul – 1 caso, sendo 1 óbito
13º Piraí – 1 caso, sendo 1 óbito
13º Rio Claro – 1 caso, sendo 1 óbito
14º Petrópolis – 1 caso
Número de localidades com casos confirmados de febre amarela em macacos:
 – 1 epizootia – Niterói
– 1 epizootia – Angra dos Reis (Ilha Grande)
 – 1 epizootia – Barra Mansa
 – 1 epizootia – Valença
 – 1 epizootia – Miguel Pereira
 – 1 epizootia –  Volta Redonda
 – 1 epizootia – Duas Barras
 – 1 epizootia – Paraty
 – 1 epizootia – Engenheiro Paulo de Frontin
 – 1 epizootia – Araruama
– 1 epizootia – Petrópolis
Fonte: SES e Ministério da Saúde, com Redação (atualizado em 08/03/2018 às 21h)
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